18/08/2017

Afinal, o que nos leva à depressão?

Quando um caso de depressão é constatado, é normal que parentes ou pessoas próximas comecem a questionar o que pode ter causado a doença naquela pessoa. Seria bom se fosse sempre um único fator ou algo simples, mas a verdade é que vários elementos podem levar alguém a ter depressão. Descobrir a origem da doença nem sempre é tarefa simples e exige orientação profissional. Faço um parêntese aqui: há diferença significativa entre estar deprimido e ser deprimido, algo que pretendo abordar num outro post.

De qualquer modo, é importante ressaltar que descobrir as causas da depressão ajuda muito no tratamento e na cura da doença. Se for constatado que uma das causas é a má alimentação, por exemplo, uma mudança na dieta já ajudará muito no processo de reequilíbrio da saúde.

A minha dica pessoal a respeito deste assunto é: não seja leviano com a depressão alheia. Não saia dizendo coisas como "fulano está em depressão por causa de sua vida desregrada" ou discursos do gênero que em nada contribuem. Não acuse, não julgue, não diminua uma pessoa que já está fragilizada e com baixa autoestima. Para o próprio paciente em tratamento psicológico, descobrir as causas de uma depressão é muito difícil e não é tão simples quanto gostaríamos que fosse. Não seja leviano. Se não sabe como ajudar, talvez seja melhor se calar ou buscar ajuda também, para aprender a lidar com um depressivo. É só uma dica.

O que exponho abaixo é fruto de uma pesquisa pessoal em vários sites da área. O objetivo é listar inúmeras possíveis causas da depressão, que em muitos pacientes, podem se entrecruzar e formar uma complexa rede de influência na doença. 

Genética - se os pais tem depressão, estudos apontam que a chance do filho também desenvolver aumenta em 75%.

Mulheres - segundo pesquisas, as mulheres têm o dobro de chance de ter uma depressão também por conta das grandes alterações hormonais ao longo da vida.

Idoso - por estar mais suscetível a ter mais doenças físicas comuns da idade avançada, usar mais medicamentos e normalmente ficar mais isolado do convívio de outras pessoas, aumenta o risco de depressão.

Fatos marcantes - morte de um ente querido ou próximo, divórcio, desemprego, falência financeira, etc, podem desencadear a doença.

Bullying / chantagem emocional - a vítima de ofensas recorrentes ou chantagens de várias ordens pode passar a crer nas palavras proferidas ou de algum modo vivenciar a baixa auto-estima, passando a descrer em suas capacidades e desenvolver uma depressão.

Doenças graves - receber a notícia de que se tem uma doença grave ou incurável, além dos problemas que traz consigo a doença em si, pode desencadear a depressão, dada a complexidade da situação em nossas vidas.

Remédios - muitos remédios têm o uso associado à depressão como efeito colateral. Alguns como Prolopa, Gardenal, entre outros, podem causar depressão pela diminuição da serotonina. Veja abaixo alguns exemplos:

Fonte: https://www.tuasaude.com/remedios-que-causam-depressao/

Drogas e alcoolismo - De 30% a 50% dos dependentes químicos, dependendo dos estudos considerados, relatam ter casos de depressão. Por outro lado, existe a parcela de depressivos que, após o desencadeamento da doença, buscam nas drogas e no álcool um alívio para suas dores. Segundo alguns especialistas, a incidência do alcoolismo nestes casos é maior. De qualquer modo, o senso comum faz uma relação direta entre as químicas e a doença (assunto que pretendo aprofundar num outro post). 

Personalidade - há quem seja mais propenso a ter depressão, embora o mecanismo exato não seja fácil de compreender, há tipos de personalidades mais vulneráveis. 

Traumas - abusos psicológicos, físicos ou sexuais normalmente causam depressão nas vítimas. 

Estresse pós-cirúrgico - pode desencadear um episódio depressivo.
  Depressão pós-parto - a ocorrência é mais comum do que se pensa e o momento é bastante delicado não só para a mãe, mas para todos os envolvidos. Exige muitos cuidados e atenção.

Tensão Pré-Menstrual - há mulheres que relatam um aumento significativo dos sintomas relacionados à depressão durante o período conhecido como TPM, o que não necessariamente significa possuir uma depressão profunda e/ou recorrente.

Má alimentação - alguns estudos relacionam a falta de certas vitaminas e minerais com os sintomas da depressão. O baixo consumo de ômega-3 ou ômega-6 foi associado ao aumento de depressão. O alto consumo de açúcar também é relacionado à depressão conforme alguns estudos apontam.

Neurotransmissores - taxas alteradas de alguns neurotransmissores, como serotonina, favorece a maior probabilidade de desenvolver uma depressão.

Estações do ano - inverno longo e intenso pode causar depressão. Os dias mais escuros durante o inverno propiciam o aparecimento de sintomas relacionados à doença. Muitos desenvolvem letargia, cansaço, perda do interesse em tarefas diárias, sintomas que geralmente desaparecem após o inverno, quando os dias voltam a ficar mais longos e claros.

#DepressãoComunica: coluna publicada no #ComunicaTudo, onde relato minha experiência pessoal com a doença (em tratamento). Crescente no mundo todo e causadora de males inimagináveis, a depressão não deve ficar escondida dentro da gente. Quer falar sobre sua experiência? Mande-me um email: marceloaugustodamico@gmail.com - precisamos falar sobre isso.

(Via Marcelo D'Amico)


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17/08/2017

Rio de Janeiro será a capital geek neste fim de semana com a Diversão Offline
Foto do evento realizado ano passado, 2016: Diversão Offline (Imagem: Divulgação)
O Rio de Janeiro será a capital geek: nos dias 19 e 20 de agosto, o Centro de Convenções Sulamérica, na Cidade Nova, sedia o Diversão Offline. Considerada a maior feira de jogos analógicos do Brasil, o evento vai reunir os principais fabricantes de todo o país. A Redbox Editora, uma das participantes do evento, promete, literalmente, abrir o jogo com ações especiais durante os dois dias de exposição.

Na lista de atividades, estão uma grade de horário onde o público poderá jogar com os autores dos jogos da Redbox, inclusive, o sucesso Old Dragon, e ainda bater um papo com eles. Além das mesas de RPG com seus autores e editores, teremos nossa ala de protótipos com os seus criadores.

“O mercado nacional de jogos vem experimentando uma maior profissionalização e crescimento desde o início deste século. O país é grande, o passatempo é positivo e o Brasil tem possibilidade de se tornar em poucos anos, o quinto maior mercado de jogos de mesa do mundo, perdendo apenas para Estados Unidos, Alemanha, França e Reino Unido. O momento é extremamente favorável por que o mercado é praticamente cru e as empresas que souberem escavar além do nicho, certamente sairão na frente das empresas que ainda estão por vir”, explicou Antonio Sá, editor da Redbox.

Além de ser uma das empresas que mais está investindo nos chamados board games do país, a editora alcançou o segundo lugar entre as empresa com mais lançamentos no mercado nacional (15 lançados). Os investimentos de jogos de tabuleiro produzidos por autores nacionais também fazem da Redbox uma líder em produtos. Até o fim de 2017, terá três jogos nacionais lançados e outros três já no planejamento da empresa para o ano que vem.

Diversão Offline

Dias 19 e 20 de agosto
Horário: 10h às 18h
Endereço: Centro de Convenções Sulamérica: Av. Paulo de Frontin, 1 - Cidade Nova, Rio de Janeiro
Estação de metrô próxima: Linha 2: Cidade Nova Linha 1: Estácio
A dez minutos da Rodoviária Novo Rio e Central do Brasil. 20 minutos das barcas.
Para mais informações e ingressos: http://diversaooffline.com.br/ingressos/


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Lançado nos EUA guia para estrangeiros sobre a cultura e o estilo carioca

Tirar onda, mutreta e bolado – expressões comuns ao cotidiano dos que moram no Rio de Janeiro, mas que não fazem nenhum sentido para quem chega à cidade, especialmente os estrangeiros. THINK RIO é o primeiro guia que explica de forma prática os costumes cariocas em diferentes situações e desvenda mitos sobre o folclore e o vocabulário da cidade.

Mais do que um livro para ajudar pessoas de todos os países a entender o Rio, THINK RIO busca divulgar para o mundo a cultura carioca como um verdadeiro exemplo de vida saudável e feliz, que valoriza o sincretismo, a positividade e o multiculturalismo.

Desenvolvido por uma equipe de escritores e pesquisadores de diferentes nacionalidades, a publicação é totalmente escrita em inglês e apresenta de forma fácil as múltiplas facetas do carioca para que pessoas de todas as partes do mundo consigam entender como a cidade funciona, também, longe dos famosos pontos turísticos.
Ao se mudar para o Rio, há 15 anos, o italiano Riccardo Giovanni, editor do livro, se deparou com algumas dificuldades para entender e lidar com a cidade. A partir disso, surgiu a ideia de criar o I Love Rio (https://iloverio.com/), plataforma online com mais de 25 mil páginas de conteúdo em inglês e outros sites menores em 70 idiomas. “Até onde sei, é o maior portal do mundo sobre uma única cidade. Quando cheguei ao Rio, percebi que faltava um lugar que oferecesse informações qualificadas sobre o jeito da cidade, focando nas coisas boas que tem para oferecer, sem esconder o lado negativo”, lembra Riccardo.

Com o lançamento do THINK RIO, ele busca internacionalizar a cultura que o conquistou: “Os pontos turísticos cariocas são mundialmente conhecidos; com a internet, todos já sabem como é o Cristo Redentor ou o calçadão de Copacabana. Mas, para os estrangeiros, nem sempre é fácil entender como é a vida de quem vive aqui. E, quero enfatizar, foi justamente o jeito de levar a vida do carioca que me encantou”, revela o italiano.

O livro dá dicas que parecem óbvias, mas que são de extrema importância para os estrangeiros que chegam à cidade, como etiqueta em reuniões sociais ou de negócios, a roupa certa para usar tanto na praia quanto na igreja, segredos da medicina popular, da música, das crenças e do futebol carioca – passando até pelo tradicional churrasco de domingo e pelos diferentes cortes da carne brasileira. No decorrer do texto, o leitor encontra QR codes que estendem o conteúdo na internet para estudos acadêmicos e outras publicações sobre os temas. Além disso, os QR codes permitem que um leitor compartilhe uma página do livro usando um celular ou tablet.

“Este projeto é uma forma de agradecer por todas as alegrias e experiências que a cidade me proporcionou”, explica ele. “por isso, meu objetivo é enaltecer o que tem de bom aqui. Costumo falar para os amigos de fora que se todo mundo fosse carioca, teríamos um mundo melhor”, afirma Riccardo.

THINK RIO ressalta o orgulho de ser carioca e a riqueza cultural da cidade, explica o que é um “carioca da gema” e um “carioca do coração”, além de traduzir expressões genuinamente brasileiras como “a cobra vai fumar”, “acordar com a macaca” e “cor de burro quando foge”.

“Acredito que a minha visão de estrangeiro foi enriquecedora para organizar o livro, tentei explicar um pouco da cultura carioca numa perspectiva em que diferentes nacionalidades pudessem entender. É o tipo de publicação que eu gostaria de ter lido quando desembarquei por aqui”, finaliza Riccardo.

A publicação já está à venda no mundo todo.

Sobre o I LOVE RIO: (https://iloverio.com/) projeto de porte internacional, fruto de anos de trabalho concebido para mostrar a cidade e o estado do Rio de Janeiro em perspectivas históricas, turísticas e culturais como nunca feito antes, para nenhuma região do mundo.

Foi lançado no dia 26 de julho de 2016 numa cerimônia única em que o símbolo do I LOVE RIO foi projetado no Cristo Redentor.


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16/08/2017

Rock, Jazz, Blues & folk: artista lança 3º disco autoral com participações especiais
O CD será o terceiro trabalho solo de Murillo Augustus, cantor e compositor de blues e folk. Famoso por seu trabalho One Man Band, o disco intitulado “Quero que se Folk”,  contará com banda de apoio muito especial

Para este novo projeto, o One Man Band Murillo Augustus deixou o formato antigo dos outros dois CD's de lado, produzindo o seu primeiro trabalho solo com banda. “Quero que se Folk” (o título do disco já chamou muita atenção nas redes sociais) mistura blues, folk, jazz e rock de maneira harmoniosa.

Com participação dos músicos Matheus Canteri, que também está produzindo o trabalho, do cantor country Johnny Voxx, do Youtuber Igor Kasuya (gaita), Gustavo Borges, irmão de Murillo Augustus (baixo), dos integrantes do Até Jazz, Tiago Domingues (suitcase percubo) e Eduardo Freire (trompete), dos guitarristas Henrique Menten, Lucas Wild e Ari Mendes, dos irmãos Rodrigo (bateria) e Tuh Speroni (teclados), Davi Marangoni (sax), Alexandre Mazzuco (gaita) e Rogério de Castro (baixo). A gravação do trabalho começou no mês de maio, em Itu, interior de São Paulo, no Via Musical Studio, e será finalizada em Bragança Paulista no estúdio de Canteri, ainda neste mês de agosto.

A parceria de sucesso com o escritor e compositor João Affonso (entrevistado pelo Comunica Tudo), também está presente em 8 das 10 faixas do novo disco.

“Para mim, esse é o material mais rico e divertido que compus. Os dois primeiros foram feitos de maneira muito explosiva, eu estava querendo mostrar para o público a proposta ONE MAN BAND. Agora eu tive o privilégio de juntar músicos dos quais sou fã e ficamos 4 meses em estúdio, tomando café e tocando... foi incrível”, comenta Murillo Augustus.

O disco será lançado no Spotify, Deezer, Google Play e ITunes no mês de setembro. O lançamento do disco físico em CD está previsto para novembro próximo. Para conhecer mais sobre o trabalho do artista, acesse: www.murilloaugustus.com



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Em SP, Festival Internacional de Países Lusófonos estreia 18/08

Companhias de países lusófonos - Angola, Brasil, Cabo Verde, Portugal, São Tomé e Príncipe e Moçambique – se reúnem em mais uma temporada de apresentações, debates, oficinas e seminários. Esta edição traz um convidado muito especial, Macau/China, que faz parte dessa histórica lusofonia.

Entre os dias 18 e 27 de agosto de 2017, acontece no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, a décima primeira edição do Circuito de Teatro em Português, um festival internacional de países lusófonos, com entrada franca. A cerimônia de abertura ocorre no dia 18, sexta-feira, à 19h30. O evento tem patrocínio da CAIXA e Governo Federal.

O Circuito tem participação de companhias teatrais de países de língua portuguesa, em uma programação que prevê também a realização de oficinas, debates e seminários. São onze companhias envolvidas, doze espetáculos, oito oficinas e dois seminários. A novidade da edição fica por conta do Circuitinho, trazendo espetáculos para crianças.

Na programação, destaque para a homenagem ao “pai” do teatro de língua portuguesa, Gil Vicente, e aos 500 anos de sua obra com Auto da Barca do Inferno, pelo Grupo Dragão7 de Teatro que, há 20 anos encena esse texto. Destaque também para Flecha Borboleta, um épico inspirado na ópera Madame Buterfly, de Puccini, encenado pela Associação dos Artistas Cênicos do Amazonas - Arte & Fato, que narra as trágicas consequências do amor entre uma índia e um expedicionário americano em diálogo com o Massacre de Haximu, que aconteceu em Roraima, em 1993, na aldeia dos Índios Yanomami.

As demais atrações são: Nos Tempos de Gungunhana (de Klemente Tsamba - Moçambique), Por Revelar (de Isabel Mões - Portugal), As Palavras de Jó (Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo - Cabo Verde), Nós Não Morremos (Cia. Black Smile - São Tomé e Príncipe), Oração (Cia. Los Puercos - Brasil), Os Bolsos Cheios de Pão (La Inquieta Compãnia – Brasil), Pedro e o Capitão (Coprodução 3M e Fundação Sindika Dokolo – Angola) e os infantis Pés na Estrada (Dragão7 – Brasil) e En Cantos – Espetáculo para Bebês (Cia. da Casa de Portugal – Macau - China).

Após realização na capital, o Festival segue para sete cidades paulistas e Teresina, no Piauí, sempre com espetáculos e atividades gratuitas. A programação completa do Circuito, incluindo todas as cidades contempladas e inscrições para oficinas e seminários, está disponível no site do evento: www.circuitoteatroportugues.com.br.

PROGRAMACAO – São Paulo

18 de agosto. Sexta, às 19h30h
Cerimônia de Abertura
Presença de artistas e autoridades.
Local: Teatro Sergio Cardoso (R. Rui Barbosa, 153 - Bela Vista, São Paulo)
Participação
GUINE EQUATORIAL – MALABO
CIA DE DANÇA TIPICA DA GUINE EQUATORIAL


A música e a dança é tipicamente chamada e resposta com um coro e percussão alternada. O balélé e o audacioso ibanga são duas das muitas danças na Guiné Equatorial, a maioria dos quais são acompanhados por uma orquestra de três ou quatro pessoas consistindo em algum arranjo de sanza, xilofone, percussão, zithers e harpa bow.
...Colonização da GUINÉ EQUATORIAL Foram navegadores Portugueses os primeiros europeus a explorar o golfo da Guiné em 1471. Fernão do Pó situou a ilha de Bioko nos mapas europeus nesse ano, ao procurar uma rota para a Índia, a qual batizou Formosa (no entanto, foi no início conhecida pelo nome de seu descobridor). Em 1493, D. João II de Portugal proclamou-se juntamente com resto dos seus títulos reais como Senhor de Guiné.

19 de agosto. Sábado, às 16h - Circuitinho
Espetáculo/infantil: En Cantos – Espetáculo para Bebês
Com: Cia. da Casa de Portugal
Origem: China / Macau
Ficha técnica: Direção artística e encenação: Elisa Vilaça. Música: Tomás Ramos de Deus e Miguel Andrada. Atriz e manipuladora: Elisa Vilaça. Construção e produção: Casa de Portugal em Macau. Fotos: Miguel Andrada.
Classificação indicativa: 6 meses a 3 anos. Duração: 40 min.
Teatro Sergio Cardoso (R. Rui Barbosa, 153 - Bela Vista, São Paulo)
Local: Sala Paschoal Carlos Magno


En Cantos - Espetáculo para Bebês é uma incrível experiência sensorial para bebês e crianças, da Cia da Casa de Portugal, de Macau (que foi colônia de Portugal por mais de 400 anos). O espetáculo tem Elisa Vilaça como atriz e manipuladora. Nesta montagem podem ser encontrados jardins habitados por flores de muitas cores, animais afetuosos, aves majestosas de penas macias, rãs engraçadas a brincar nas poças e, até mesmo, o fundo do mar, onde moram delicados seres, ostras que se abrem e muitos peixinhos. Os bebês e as crianças devem ser acompanhados por uma pessoa adulta. Durante a sessão eles ficam descalços e se sentem no chão, no espaço que envolve o palco.

19 de agosto. Sábado, às 19h30
Espetáculo Flecha Borboleta
Com: Associação dos Artistas Cênicos do Amazonas - Arte & Fato
Origem: Brasil / Amazonas
Ficha técnica: Direção e dramaturgia: Douglas Rodrigues. Elenco: Acacia Miè, Hely Pinto, Israel Castro, Keila Gomes, Karol Medeiros, Leonel Worton e Vanessa Pimentel. Provocador: Darci Figueiredo. Preparação corporal: Adam Souza. Direção musical: Regina Santos. Violoncelo: Calebe Alves. Percussão: Alan Gomes e Ícaro Costa. Figurino e iluminação: Douglas Rodrigues. Cenografia: Aaca – Arte&Fato. Fotografia - Tácio De Melo. Classificação indicativa: 12 anos. gênero: Épico. Duração: 60 min.
Teatro Sergio Cardoso (R. Rui Barbosa, 153 - Bela Vista, São Paulo)
Local: Sala Paschoal Carlos Magno


Inspirado na ópera Madama Buterfly, de Puccini, Flecha Borboleta narra as trágicas consequências do amor entre uma índia arqueira e um expedicionário americano. O texto também dialoga com o massacre de Haximu, em Roraima, julgado pela justiça brasileira que condenou os réus por genocídio. O governo militar brasileiro se aliou aos EUA (1934-1942) em um tratado para a internacionalização da Amazônia e, em 1948, acontece a missão Missão Abbink para reconhecimento das terras, que forjava laços e integração com a região. Oficiais aviadores visitavam a aldeia Yanomami e contraíam matrimônios temporários com jovens índias. A história de Flecha Borboleta se baseia em fatos reais, relatando as consequências do casamento entre a índia Flecha Borboleta, de 15 anos, e aviador John Abbink, contraído com leviandade, discriminação, mentiras, loucura e mortes. Ela é cortejada por ele no caminho que leva ao rio. Tomada de excitação, entrega-se e se amam loucamente. O soldado é casado em seu país, mas convence a arqueira sobre a seriedade de seu amor e eles vivenciam a metamorfose das borboletas. Flecha Borboleta renuncia à fé dos seus antepassados, aceitando o cristianismo em repulsa à floresta. No meio da tempestade dá luz a uma criança prometendo-lhe um futuro americano. A partir daí inicia a tragédia da obra: aproximadamente mil índios morrem envenenados por aviadores americanos comandados por Abbink. A esposa do aviador visita a aldeia e trava um duelo soberbo sobre culturas, levando a cena aos limites dramáticos.

20 de agosto. Domingo, às 19h30
Espetáculo: As Palavras de Jó
Com: Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo
Origem: Cabo Verde / São Vicente - Mindelo
Ficha técnica: Texto: Matéi Visniec. Direção e espaço cênico: João Branco. Interpretação: João Branco e Nuno Tavares. Música original: Nuno Tavares e Victor Duarte. Assistente de encenação: Patrícia Silva. Iluminação: Paulo Cunha. Direção de movimento: Janaina Alves. Figurino: Bid Lima. Classificação indicativa: 12 anos. gênero: Drama. Duração: 50 min.
Teatro Sergio Cardoso (R. Rui Barbosa, 153 - Bela Vista, São Paulo)
Local: Sala Paschoal Carlos Magno



O espetáculo é um grito de alerta, um chamado à razão e à lucidez para o maior problema da humanidade. Quando os homens matam em nome de Deus, na verdade, eles matam toda a ideia de transcendência e divindade. As Palavras de Jó, do autor Matéi Visniec, grita aos humanos um apelo para que parem de matar uns aos outros e de lutar em nome de Deus! "Não o sujem se vocês o amam. E não sujem também a sua palavra”. Isto porque é o homem e a humanidade no homem que devemos recolocar no centro da vida e da esperança, no centro do sentido da vida e do que está por vir. No palco está o diretor junto com Nuno Tavares.

21 de agosto. Segunda, às 20h30
Espetáculo: Nós Não Morremos
Com: Cia. Black Smile (Sorriso Negro)
Origem: São Tomé e Príncipe / São Tomé
Ficha técnica: Texto: Coletivo. Direção: Juelce Beija Flor. Cenário e figurino: Juelce Beija Flor e Clinton Carvalho. Interpretes: Juelce Beija Flor e Clinton Carvalho. Direção de Produção: Clinton Carvalho. Técnico de luz e som: Fábio Vera Cruz Coelho. Fotos: José Quaresma. Classificação indicativa: 16 anos. Gênero: Drama. Duração: 55 min.
Teatro Sergio Cardoso (R. Rui Barbosa, 153 - Bela Vista, São Paulo)
Local: Sala Paschoal Carlos Magno


Entre os que não morreram no martírio de 53 mortos está o Cravide, que sobreviveu às rajadas de tiros de metralhadora e ficou conhecido como o Homem Cristo. Não sendo o espetáculo um trabalho de história como ciência exata, por ser, exatamente, uma ação do género dramático que tem a matéria prima os fatos históricos da escravatura universal e do massacre ou guerra 53, a montagem defende que o Homem Cristo é real e não uma lenda, assim como a escravatura marca o mundo. O texto parte de uma coletânea de fatos, fruto de entrevistas com alguns idosos sobreviventes do martírio mais marcante em São Tomé e Príncipe.

22 de agosto. Terça, às 20h30
Espetáculo: Oração
Com: Cia. Los Puercos
Origem: Brasil / Santos
Ficha técnica: Texto: Fernando Arrabal. Crônica: Gregório Duvivier. Direção: Luiz Campos. Voz em off: Sérgio Mamberti. Elenco: Giovanna Marcomini (Fidio), Nathalia Nigro (Lilbe) e Gustavo Gárcia (corpo). Cenário e figurino: Eluane Fagundes. Iluminação: Juliana Sousa. Sonopastia: Luiz Campos. Op. de som e luz: Talita Kova. Maquiagem: Tatiana Rangel. Fotografia: Iara Marcek. Classificação indicativa: 12 anos. Gênero: Drama. Duração: 40 min.
Teatro Sergio Cardoso (R. Rui Barbosa, 153 - Bela Vista, São Paulo)
Local: Sala Paschoal Carlos Magno


No espetáculo A Oração, o descobrimento da bíblia para as personagens de Arrabal faz com que elas trilhem caminhos sinuosos onde a salvação de todos os pecados é também o maior obstáculo. Em contrapartida ao livro sagrado, suas questões esbarram no recente passado e no miserável presente. O livro é a esperança para obterem uma vida e um destino com mais dignidade, pois percebem que nada do que viveram foi digno, perante as leis cristãs. O texto é um diálogo que envolve os princípios humanos e suas falhas, mas, acima de tudo, o obstáculo que nós somos em nosso próprio caminho.

23 de agosto. Quarta, às 20h30
Espetáculo: Auto da Barca do Inferno
Com: Grupo Dragão7 de Teatro
Origem: Brasil / São Paulo
Texto: Gil Vicente. Direção: Creuza F. Borges. Elenco: Creuza F. Borges, Leticia Bortoletto, Marli Bortoletto, Marcos Barros, Daniel Dhemes, Humberto Fittipaldi e Ailton Rosa. Técnico: Alex Saldanha. Camareira: Izabel Cristina. Foto: Dragão7.
Classificação indicativa: 12 anos. Gênero: Comédia. Duração: 75 min.
Teatro Sergio Cardoso (R. Rui Barbosa, 153 - Bela Vista, São Paulo)
Local: Sala Paschoal Carlos Magno


O Grupo Dragão7 montou o Auto da Barca do Inferno há mais de 20 anos. E, em 2017, apresenta a peça em homenagem aos 500 anos desse texto de Gil Vicente, considerado como o “pai” do teatro em língua portuguesa. Em algum lugar, além da morte, há um cais onde duas barcas ancoradas aguardam os que deixam esta vida. Uma tem como destino e direito, por meio das Esferas Celestiais, a luz divina da eterna glória do paraíso; a outra vai para o inferno. Nesse cais, ninguém escapa ao julgamento final: grandes ou pequenos, os pecados, as bravuras, as heresias, as inocências, as corrupções, as hipocrisias, tudo é revelado no tribunal no qual o diabo é promotor da humanidade. Gil Vicente faz desfilar por esse cais personagens em busca da barca que julgam merecer por direito (a saber, do paraíso). A montagem lembra a todos nós pecadores que somos candidatos a uma vaga neste “batel infernal”, mas sem esquecer que se trata de uma comédia, e komédia, em grego, significa festa.

24 de agosto. Quinta, às 20h30
Espetáculo: Os Bolsos Cheios de Pão
Com: La Inquieta Compãnia
Origem: Brasil / São Paulo
Ficha técnica: Texto: Matei Visniec. Direção: Aílton Rosa. Tradução: Roberto Mallet / É Realizações Editora. Elenco: Adriano Araújo e Rogério Costa. Iluminação: Robson Lima. Trilha sonora: Sandra Kison. Cenografia e figurino: Dalmir Rogério e Zé Valdir Albuquerque. Preparação Corporal: Maju Minervino. Foto: Waldez Macedo. Visagismo: Nadhia Souza. Classificação indicativa: 14 anos. Gênero: Drama. Duração: 60 min.
Teatro Sergio Cardoso (R. Rui Barbosa, 153 - Bela Vista, São Paulo)
Local: Sala Paschoal Carlos Magno


Um cão está preso no fundo de um poço, fazendo ecoar seu latido. Do lado de fora, dois homens (interpretados por Adriano Araújo e Rogério Costa) o alimentam com migalhas de pão, discutindo e fazendo suposições sobre como o pobre animal foi parar lá dentro. Em tempos onde o eco do “grito” do mais “fraco” é abafado pelo rosnado selvagem do mais “forte”, e onde a “migalha” é o alimento vital para manter o círculo vicioso da esperança de que tudo irá melhorar, o texto de Visniec se vem, de forma simples e necessária, discutir a ineficácia das palavras e dos discursos em relação à ação.

25 de agosto. Sexta, às 20h30
Espetáculo: Pedro e o Capitão
Coprodução 3M e Fundação Sindika Dokolo
Origem: Angola / Luanda
Ficha técnica: Texto: Mario Benedetti. Tradução e encenação: Meirinho Mendes. Dramaturgia: Rogerio Carvalho. Elenco: Meirinho Mendes e Correia Peliganga Adão. Técnica: Nuno Martinho. Cenografia e figurino: Meirinho Mendes. Produção: Meirinho Mendes/Net-Fs. Fotos: Marta Silva Mendes.
Classificação indicativa: 16 anos. Gênero: Drama. Duração: 50 min.
Teatro Sergio Cardoso (R. Rui Barbosa, 153 - Bela Vista, São Paulo)
Local: Sala Paschoal Carlos Magno


O espetáculo Pedro e o Capitão traz uma larga conversação entre um torturador e um torturado na qual a tortura não está presente de fato, mas se manifesta como a grande sombra que pesa sobre o dialogo. A peça se define como uma indagação dramática na psicologia de um torturador. Investiga a resposta ao porque ou mediante qual processo um ser humano normal pode se converter em um torturador. Apesar do tema ‘tortura’ nortear a obra como um feito físico ela não figura na cena. Como tema artístico, a tortura pode caber na literatura ou no cinema, mas no teatro torna-se uma agressão demasiada evidente para o espectador.

26 de agosto. Sábado, às 16h - Circuitinho
Espetáculo/infantil: Pés na Estrada
Com: Grupo Dragão7 de Teatro
Origem: Brasil / São Paulo
Ficha técnica: Texto: Criação coletiva Dragão7. Direção: Creuza F. Borges. Atores: Ailton Rosa, Daniel Dhemes e Leticia Bortoletto. Percussão: Daniel Dhemes. Figurino: Marli Bortoletto. Trilha original: Ricardo Herz. Treinamento de teatro de objetos: Ailton Rosa. Preparação corporal: Leticia Bortoletto.Fotos: Vanessa Dutra.
Classificação indicativa: livre. Duração: 50 min.
Teatro Sergio Cardoso (R. Rui Barbosa, 153 - Bela Vista, São Paulo)
Local: Sala Paschoal Carlos Magno


Três palhaços estão com os pés na estrada: Casimira, Bob e Bu. Por onde passam eles levam alegria e diversão. No meio da viagem param para descansar. A partir daí, acontecem confusões e peripécias, pois cada um tem sua personalidade, seu próprio jeito de fazer as coisas, mas no final da aventura descobrem que fazer as coisas juntos é muito mais gostoso e proveitoso. Usando objetos inusitados e muitas brincadeiras para promover um jogo interessante e instigar a imaginação do espectador, Pés na Estrada viaja pelo mundo da imaginação.

26 de agosto. Sábado, às 19h30
Espetáculo: Nos Tempos de Gungunhana
Com: Klemente Tsamba
Origem: Moçambique / Maputo
Ficha técnica: Textos originai: Ungulani Ba ka Khosa. Dramaturgia e interpretação: Klemente Tsamba. Apoio e assistência criativa: Filipa Figueiredo, Paulo Cintrão e Ricardo Karitsis. Adereços e figurino: Klemente Tsamba. Fotografia: Margareth Leite
Classificação indicativa: 16 anos. Gênero: Drama. Duração: 60 min.
Teatro Sergio Cardoso (R. Rui Barbosa, 153 - Bela Vista, São Paulo)
Local: Sala Paschoal Carlos Magno


O texto foi construído a partir do livro Ualalapi, do premiado autor moçambicano Ungulani Ba ka Khosa. Na história, era uma vez um guerreiro da tribo Tsonga, chamado Umbangananamani, que fora em algum tempo casado com uma linda mulher da tribo Macua, de nome Malice. Não tiveram filhos, embora tentassem muito. Este é o mote que dá início ao grande karingana ou conto tradicional sobre a vida de um simples guerreiro. Porém o enredo, rapidamente, se transforma em uma sequência de outros pequenos karinganas que relatam aspectos curiosos ligados à vida na corte do Rei Gungunhana. O texto mostra a crueldade e as mortes que, por vezes, se misturam com o humor em cada karingana contado e cantado com a graça dos ritmos tradicionais de Moçambique.

27 de agosto. Domingo, às 20h30
Espetáculo: Por Revelar
Com: Isabel Mões
Origem: Portugal / Lisboa
Ficha técnica: Texto, concepção e interpretação: Isabel Mões. Apoio dramatúrgico e de produção: Ana Lídia Santos e João Carracedo. Luzes e sonoplastia: Sandro Esperança. Cenário e figurino: Isabel Mões. Fotografia: Mária Lázaro e João Portela.
Classificação indicativa: 12 anos. Gênero: Drama. Duração: 60 min.
Teatro Sergio Cardoso (R. Rui Barbosa, 153 - Bela Vista, São Paulo)
Local: Sala Paschoal Carlos Magno


A partir da coleção de fotografias antigas da avó a atriz Isabel Môes constrói o espetáculo Por Revelar. Por esse caminho inicia uma reconstrução do objeto fotográfico, criando uma espécie de memória da fotográfica, um exercício que vai além da descrição, atingindo o que Roland Barthes denomina como “esforço de silêncio”, o ato de fechar os olhos e deixar a imagem falar. Um estado que pode ser um paradoxo com a natureza da própria fotografia, que carrega a contingência desse ato de mostrar, mas que, em última análise, permite juntar a consciência afetiva à imagem. Consciência afetiva, esta, criada a partir da recordação narrada pelo relator principal e da sua descrição mais ou menos efabulada dos acontecimentos, mas que, no percurso, agrega novos sujeitos e novas camadas da memória. Há ainda uma dezena de rolos por revelar, esquecidos numa caixa por mais de 20 anos, que são vistos pela primeira vez pelos retratados. Serão eles indiferentes a estas imagens? São as novas imagens importantes para construir mais memórias?

Seminários

20 de agosto. Domingo, às 15h30
Tema: Intercâmbio Entre Países de Língua Portuguesa
Mediação: Creuza F. Borges
Local: Caixa Cultural São Paulo - Auditório
Praça da Se, 111. Centro. SP/SP
Os artistas que participam do XI Circuito de Teatro em Português trocam experiências, enquanto beneficiários e/ou organizadores de projetos de intercâmbio teatral entre países de língua portuguesa. O seminário propõe a discussão acerca dos próprios trabalhos, identificando questões que devam ser resolvidas para potencializar ainda mais as trocas culturais entre países de língua oficial portuguesa. Também relatam as medidas propostas implementadas, que visam ampliar o intercâmbio teatral entre os países. Participam deste seminário diretores das companhias integrantes do Circuito, que falam sobre a possibilidade de receberem em seus respectivos países artistas e grupos para mostrarem seus trabalhos. Os interessados podem participar se inscrevendo pelo site do festival.

21 de agosto. Segunda, às 15h30
Tema: Um Olhar da Floresta
Com Marcia Wayna Kambeba
Local: Teatro Sergio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno
Rua Rui Barbosa, 153. Bela Vista/SP
A proposta do seminário é aprofundar o conhecimento sobre as raízes brasileiras, sobre a história, memória e cultura indígena no país por meio da arte. Também discute sobre as línguas "mãe", faladas antes do português, e as que ainda se falam, entre outras informações sobre nossos antepassados indígenas e, principalmente, como esses povos sobrevivem hoje. O evento promove também um relato sobre a luta contra atentados e racismo que atingem a população indígena brasileira e a luta pelo sagrado, pela natureza e por aqueles que mais a preservam: os índios. “E com eles está o sagrado, seus ancestrais, os parentes mortos e vivos”, comenta Marcia. A mesa conta com outros convidados, além de Márcia Kambeba.
Márcia Wayna Kambeba é indígena do povo Omágua-Kambeba do Amazonas, da aldeia Belém do Solimões, AM. É geógrafa pela Universidade do Estado do Amazonas, especialista em Educação Ambiental e Mestre em Geografia pela Universidade Federal do Amazonas. É também escritora, cantora, poeta, locutora, compositora de musicalidade indígena na língua tupi e em português. Possui trabalho de fotografias etnográficas sobre seu povo Kambeba; é palestrante de assuntos indígenas e ambientais, professora, roteirista e atriz. Em 2013, lançou o livro de poesia Ay Kakyri Tama – Eu moro na cidade. Em 2014 participou de duas antologias: Marginalmente Falando (livro com vários poetas do Brasil) e Mãe Terra (com vários escritores indígenas). É membro da Organização do povo Omágua-Kambeba do Alto Solimões (OCAS) e membro da Academia Formiguense de Letras (AFL), em Formiga, MG. Atualmente, dá aula de licenciatura intercultural indígena para professores de aldeia, pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), desenvolve pesquisa sobre território, memória, identidade, mulher e cultura indígena.

Oficinas na SP Escola de Teatro

A programação do XI Circuito de Teatro em Português integra oficinas de Teatro na variante de: 3 de interpretação, 1 de material reciclável para bonecos de manipulação, 1 de corpo, 1 de voz, 1 de escrita criativa no âmbito da dramaturgia lusófona e 1 oficina sobre as artes no sistema prisional. Estas ações de formação visam criar relações entre estratégias e metodologias para ensinar competências que podem ser desenvolvidas no fazer teatral. Pretende-se a troca de experiências e intercâmbio cultural, promovendo um espaço de diálogo e reflexão entre os criadores e os participantes de países de expressão portuguesa. As oficinas são ministradas por diretores das companhias dos países representados no circuito.

14 a 18 de agosto (14h30 às 18h30) – Oficina de Bonecos com Materiais Recicláveis
Locais - Dias 14 e 15: CEU Meninos. Dias16 e 18: CEU Heliópolis.

19 de agosto (14h30 às 18h30) - Rompendo Muros da Prisão
Com: Luisa Pinto (Portugal)
Local: SP Escola de Teatro - Unidade Brás

21 de agosto (das 14h30 às 18h30) – Ética e Estética da Crioulização Cênica
Oficina de Interpretação com: João Branco (Cabo Verde) - SP Escola de Teatro do Brás

22 de agosto (14h30 às 18h30) – O Homem Amazônida na Construção da identidade Brasileira
Oficina e dramaturgia com: Douglas Rodrigues (Manaus/AM)
Local: SP Escola de Teatro - Unidade Brás

24 de agosto (das 19h30 às 22h) - Oficina Teórica-prática Baseada no Processo Criativo da Peça Nos Tempos de Gungunhana
Com: Klemente Tsamba (Moçambique)
Local: SP Escola de Teatro - Unidade Brás

25 de agosto (14h30 às 18h30) – O Corpo em Estado de Presença e Escuta
Com: Letícia Bortoletto e Júnior Lima
Local: SP Escola de Teatro - Unidade Brás

25 de agosto (19h30 as 22h30) – O Ator e o Estado de Prontidão
Com: Luiz Campos
Local: SP Escola de Teatro - Unidade Brás

SERVIÇO

Circuito de Teatro em Português
Local: Teatro Sérgio Cardoso
Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista. São Paulo/SP. Tel: (11) 5061-1132
Abertura: 18 de agosto de 2017, às 19h30
Espetáculos: 19 a 27 de agosto de 2017
Inscrições p/ oficinas e seminários: www.spescoladeteatro.org.br/extensao-cultural-2017/cursos.php
Classificação indicativa: Consultar a sinopse dos espetáculos
Entrada franca
Patrocínio: CAIXA e Governo Federal
Produção: Dragão7 Produções Artísticas
Informações e programação:
O Circuito também segue para cidades do interior de São Paulo e ABC Paulista (Cubatão, Diadema, Ubatuba, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São José dos Campos e Ilhabela).




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15/08/2017

Startup auxilia quem teve voo atrasado, cancelado ou perda de bagagem
Voos são adiados ou cancelados a todo o momento nos principais aeroportos do Brasil, porém poucos passageiros sabem que a partir de 1 hora de atraso já é possível reivindicar assistência das companhias aéreas. E os que vão atrás de seus direitos enfrentam grande burocracia e falta de interesse das companhias aéreas para resolução do problema. Pensando nisso, foi lançada em junho a NãoVoei.com , startup que busca reparações de danos a passageiros que passaram por situações de voo atrasado ou cancelado, bagagem extraviada ou overbooking nos últimos três anos.

Funciona assim: os passageiros relatam seu caso no site, por chat on-line ou telefone. O especialista em reparação de danos, então, coleta detalhes do ocorrido e valida se é passível ou não de indenização. Se sim, ele reúne a documentação necessária para buscar uma solução amigável junto à companhia aérea. Se não for possível um acordo, o caso é transferido à rede de prestadores de serviços jurídicos da empresa para adoção das medidas judiciais cabíveis. Geralmente, cada caso demora de três a quatro meses para se resolver e o valor das indenizações, em média, fica entre R$ 2 mil e R$ 8 mil a título de danos morais, além do ressarcimento de eventuais danos materiais que o passageiro tenha arcado (alimentação, hospedagem, transporte, etc.).

Segundo análise dos últimos dados divulgados pela Anac, do mês de março, 8% dos voos atrasam pelo menos 30 minutos. “Quem usa bastante o transporte aéreo sabe que os atrasos são comuns, porém, muitos deixam de correr atrás de seus direitos ou não estão preparados para resolver o problema sozinhos. Nosso objetivo é agilizar o atendimento, promovendo o contato direto com profissionais qualificados. Em última instância, estamos contribuindo também para a melhoria da prestação de serviços das empresas aéreas”, conta Alexandre Monteiro, sócio-fundador da NaoVoei.com.

A startup só cobra se houver alguma reparação de danos – neste caso, fica com uma taxa de 30% do valor efetivamente recebido pelo passageiro. A ideia partiu da experiência de um dos sócios, que teve prejuízos profissionais quando seu voo de Curitiba a São Paulo sofreu atraso de cinco horas. “Ele perdeu reuniões e outros compromissos que poderiam render novos clientes”, relata Monteiro. Em seu primeiro mês, a NaoVoei.com prevê faturamento de R$ 30 mil e, até o final de 2017, a meta é chegar aos R$ 300 mil, somando R$ 1 milhão em indenizações.

Sobre a NaoVoei.com - Startup de consultoria jurídica para passageiros prejudicados em voos atrasados ou cancelados, extravio de bagagem ou overbooking. A plataforma foi lançada em junho de 2017 por Alexandre Monteiro.

(Via Gabriel Motta)

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Países de língua portuguesa se reúnem no Piauí para o Festival de Teatro Lusófono
O Grupo Harém de Teatro aquece as baterias para mais um Festival de Teatro Lusófono - FestLuso 2017, em palcos e praças das cidades de Teresina, Parnaíba, Oeiras e Floriano, de 21 a 27 de agosto. O grande encontro lusófono deste ano atrai amigos e artistas de palco do Brasil, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Portugal , São Tomé e Príncipe e Macau.

Espetáculos de câmara, de rua, oficinas, shows e lançamentos de livros compõem a agenda de uma semana de lusofonia ampliada. As fronteiras dramáticas de língua portuguesa afinam linguística de expressão e atos de cena em festejada integração da arte e da ciência dos palcos.

Todos os olhares e atenções estão voltados para o FestLuso 2017, que nunca esteve tão próximo do que a humanidade discute atualmente. As temáticas e reflexões estão centradas nesta edição nas crises e dificuldades de fazer teatro no espaço lusófono. A curadoria criou para essa edição um evento que traz para o centro da cena essas discussões atuais.

O FestLuso 2017 tem o apoio do Governo do Estado do Piauí, Secretaria de Estado da Cultura- SECULT, através do SIEC, Uespi e Circuito de Teatro em Português. E realização do Grupo Harém de Teatro.

PROGRAMAÇÃO OFICIAL

THEATRO 4 DE SETEMBRO

Dia 21/08 - segunda-feira
20:00h - Abertura Solene
20:30h – Traga-me a Cabeça de Lima Barreto- Cia. Dos Comuns-Rio de Janeiro – Brasil

Dia 22/08 - terça-feira, 20:30h- Com os Bolsos Cheio de Pão- La Inquieta Compañia – São Paulo-Brasil

Dia 23/08 - quarta-feira, 20:30- Mythos – Teatro Extremo – Almada-Portugal

Dia 24/08 - quinta-feira, 20:30h- - Falácia – Projeto Velas Angola – Luanda – Angola

Dia 25/08 – sexta-feira, 20:30h- As Malditas - Carlos Anchieta & Bid Lima Produções da Cena brasis- Piauí- Brasil

Dia 26/agosto – sábado, 10h – En Cantos – Espetáculo para Bebês – Casa de Portugal em Macau – Macau-China

Dia 26/08 - sabádo, 20:30h- Um Bico Para velhos Palhaços – Grupo Harém de Teatro – Teresina - Piauí

TEATRO ESTAÇÃO (ESPAÇO CULTURA TRILHOS)

Dia 22/agosto - terça-feira, 23h- Depois do Fim – Truá Cia de Espetáculos/Piauhy Estúdio das Artes – Timon-MA/Teresina-PI

Dia 23/agosto - quarta-feira, 23h- Por Revelar - Texto, concepção e interpretação Isabel Mões – Lisboa – Portugal

Dia 24/agosto-quinta-feira, 23h- As Palavras de Jó - Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo – Cabo Verde

Dia 25/agosto – sexta-feira, 23h – Elegbara- Companhia de Teatro Jovens em Cena – COTJOC

Dia 26/agosto – sábado, 23h – Leitores do Breu – Cia. do Tijolo – São Paulo- Brasil-(Programação Palco Giratório-SESC)

SALA TORQUATO NETO

Dia 25/08 – sexta-feira, 18h- Nos Não Morremos – Cia. Sorriso Negro- São Tomé e Princípe

GALERIA DO CLUB DOS DIÁRIOS

27/agosto – Domingo – 19h- A COMÉDIA DOS ERROS – Oficina de Teatro Procópio Ferreira – Teresina-Brasil

TEATRO NA RUA

Praça Pedro II

Dia 22/ agosto – Terça-Feira – 17h – URUBUS – Grupo Pavilhão da Magnólia/Cia. Prisma – Fortaleza – Brasil

FESTLUSO SOCIAL

Restaurante Tomato
Dia 26/agosto – sábado – 20h – ELAS POR ELA – Cia. de Dramas e Comédias – Teresina - Brasil


PROGRAMA FORMATIVO

Oficinas
(Theatro 4 de Setembro e Casa da Cultura) 

Dia 22 a 25 – Segunda a Sexta
Construção de Marionetes Gigantes – Elisa Vilaça- Macau
9:00h às 12:30h
Local: Sala de Oficina Procópio Ferreira- Theatro 4 de Setembro

22 a 25 – terça a sexta
Elinga: As práticas performativas de matriz africana no processo criativo do performer – Lau Santos – Rio de Janeiro-Brasil
14:00 às 18:00h
Local: Casa da Cultura

22 a 23 – terça e quarta
Isabel Mões – Lisboa -Portugal
09:00h ás 12:30h
Local : Casa da Cultura

LANÇAMENTO DE LIVROS
Dia 22/agosto – 19h- Cultura Viva Comunitária: Políticas Culturais no Brasil e na América Latina – Alexandre Santini – Rio de Janeiro
Local: Café Genu Moraes

Dia 23/agosto – 19h- História e arte: teatro, cinema e literatura - Organizadores: Francisco Nascimento; Jaison Castro Silva; Ronyere Ferreira.
Local: Café Genu Moraes

ENCONTRO

Dia 26/agosto – 10h- Sala Torquato Neto
Encontro de Diretores Lusófono

FESTLUSO CIRCULAÇÃO

Parnaíba – Espaço Balaio
Dia 23/agosto – 20h – Falácia – Projeto Velas – Luanda-Angola
Dia 24/agosto – 20h- Somos Todos Catirinas – Coletivo Cabaça – Parnaíba-Brasil
Dia 25/agosto - Mythos – Teatro Extremo – Portugal

Floriano- Teatro Maria Bonita
Dia 23/agosto – 20h – Nos tempos de Gungunhanha – Klement Tsamba – Moçambique
Dia 24/agosto – 20h – Nos Não Morremos – Cia. Sorriso Negro- São Tomé e Príncipe
Dia 25 – 20h – – 20h – Pelos Caminhos da Perdição – Os Tais de Teatro- Floriano- Brasil

Oeiras- Cine Teatro Oeiras
Dia 22/agosto – 20h – Nos tempos de Gungunhanha – Klement Tsamba – Moçambique
Dia 23/agosto – 20h – Nos Não Morremos – Cia. Sorriso Negro- São Tomé e Príncipe

SHOWS MUSICAIS

21/agosto – 23h – Espaço Cultural Osório Junior
RORAIMA E BANDA - Teresina

23/agosto – 00h- Espaço Cultural Trilhos
DJ XIXA - Teresina

25/agosto – 00h – Espaço Cultural Trilhos
DJ DAFRO – Angola

26/agosto – 00 – Espaço Cultural Trilhos
FESTA DA LUSOFONIA



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14/08/2017

Teatro Café Pequeno recebe Lu Dantas e Natália Boere com show Dois Tons

Com estilos musicais distintos, as cantoras e compositoras Lu Dantas e Natália Boere voltarão ao palco do Teatro Café Pequeno, no Leblon, na próxima quinta-feira, dia 17/08, com o show Dois Tons. O evento começará às 20 horas.

No repertório, Lu Dantas e Natália Boere apresentam canções autorais e músicas de outros compositores acompanhadas por uma banda formada por violão/guitarra e bateria.

Lu Dantas é uma cantora com um estilo pop rock misturado à MPB e suas músicas falam de amor próprio, superação, esperança, confiança, coragem. Natália Boere mostra a sua música repleta de uma bossa divertida, alegre e muita leveza num estilo que envolve MPB e samba.

O espetáculo musical já foi apresentado em abril do ano passado no Café Pequeno e também já ocupou o palco do Teatro Ipanema, da Casa da Gávea, do Beco das Garrafas (Copacabana), da Da Casa da Táta (Gávea) e do Centro da Música Carioca Artur da Távola (Tijuca).

SERVIÇO
Show “Dois Tons” – com Lu Dantas e Natália Boere
Data: 17 de agosto de 2017 (quinta-feira)
Hora: 20h
Endereço: Teatro Café Pequeno - Avenida Ataulfo de Paiva, 269 - Leblon - Rio de Janeiro


Ingressos: R$ 40 (inteira)/ R$ 20 (meia)/ R$ 25 (lista amiga)
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11/08/2017

Capoeira, literatura, música, pedagogia e mais na entrevista com Michel Saraiva - Indiano

Capoeirista, contador de história, percusionista, Michel Saraiva foi apelidado como Indiano pelo Mestre Grilo (Luiz Antônio de Abreu Coelho Novo), do Grupo Capoeira Artte Nobre. Formado em Pedagogia, músico, compositor, lançou o EP 'Camaleão' com o grupo Clarear. O trabalho foi abordado no post Você precisa CLAREAR os ouvidos com o CAMALEÃO, aqui no #ComunicaTudo. 

Palestra 'Qual a sua motivação' - Bombeiros Civis 2017 

Palestrante oficial dos Bombeiros Civis, professor de capoeira, educação física e recreação em três diferentes escolas, Michel sempre sonhou em ser escritor, um projeto que sonhava realizar aos 40 anos de idade aproximadamente. Mas hoje, com apenas 26 anos, está prestes a lançar seu primeiro livro, Poemas para Gingar, tendo um segundo já pronto e um terceiro sendo escrito agora. Além de tudo, ainda tem um fato curioso: foi atropelado duas vezes por ônibus nos últimos anos, no Rio de Janeiro. Em entrevista exclusiva ao Comunica Tudo, ele nos fala sobre tudo isso e um pouco mais.

Sindicato dos Securitários, 1997 - Michel em destaque, ao fundo

Comunica Tudo – Primeiramente, obrigado pela entrevista. Com apenas 26 anos, você já acumula tantas atividades que imagino a agitação do seu cotidiano. Mas levando em consideração que você é professor de Capoeira e está prestes a lançar um livro intitulado Poemas para Gingar, com a mesma temática, nota-se que a arte, dança ou luta da Capoeira é uma atividade central em sua vida. Como você a conheceu e como ela foi ganhando espaço contigo?

Michel Saraiva - Desde pequeno, creio que por volta de 3 anos de idade, recordo ver meus tios Hugo Saraiva e Carla Gama envolvidos com a Capoeira e diversos capoeiristas que frequentavam minha casa e a da minha avó paterna, na Região dos Lagos. Eles brincavam de jogar Capoeira, tocavam berimbau e faziam Maculelê com jornais enrolados. Eu assistia a tudo muito admirado, mas sem uma compreensão cognitiva maior. Arriscava os primeiros movimentos e pedia ao meu pai que me colocasse na luta. Porém, naquela época, era raro ter Capoeira pra essa faixa etária. 

Roda de Capoeira. Movimento 'escorpião'

Então minha primeira aula teve de ser adiada até o ano de 1996, quando no extinto Colégio Maranhão, na Adolfo Bergamini - Engenho de Dentro, o Professor Grilo, hoje Mestre Grilo, iniciou turmas de Capoeira para crianças a partir de 5 anos e adultos. A Capoeira pra mim nesse período funcionava como uma atividade esportiva, que além de trabalhar minha ansiedade de berço, desenvolvia outros aspectos no meu campo físico e emocional, que só mais adiante pude, em parte, compreender. 

Movimentação 'L' - Capoeira

No período entre 12 e 15 anos de idade estive afastado da Capoeira e me conectei com muita coisa negativa. Álcool, crime, drogas, etc. Foi aí, em meio a uma reflexão de como resgatar uma vida digna e decente, que veio a vontade de regressar à Capoeira. Voltei a treinar em uma escola no Morro da Camarista, com a Contramestre Água Viva, aluna do Mestre Grilo, sem pretensão nenhuma de um dia ser Professor. Foi pelas mãos dessa mulher que, além de amor e disciplina, recebi minha primeira graduação, que me permitia dar aula. Porém, só 2 anos após esse fato, que compondo uma música em um bar na favela do Jacarezinho, me deparei comigo mesmo ministrando uma aula pra cerca de 20 alunos que ali estavam e indagavam sobre a arte, o berimbau, etc. 

Contramestre Água Viva e Michel Saraiva - Indiano

Em 3 meses sabia que era aquilo que eu queria. Escrevi um projeto chamado "ser criança", consegui o patrocínio da marca Enjoy e comecei ali mesmo, no Jacaré, minha trajetória como docente nesse ramo. Logo após me dar a corda que marca esse início como Professor, a Contramestre Água Viva parou durante um tempo por motivos familiares, então voltei a treinar com o Mestre Grilo e hoje treinamos juntos. De lá pra cá, coleciono as alegrias e desafios desse ofício. Mas sou muito feliz comigo mesmo e eternamente grato à Capoeira por ter vida e pela vida que tenho.

Comunica Tudo – E quando surgiu o sonho de ser escritor? Que tipo de livro você sonhava escrever?

Apresentação Maculelê

Michel Saraiva - É engraçado lembrar. Não lembro exatamente o momento em que isso começou a surgir, mas tenho guardado cerca 10 "livros" que escrevi entre 6 e 8 anos. Por volta dos 12 anos fui vencedor de concurso de poesias e não me recordo de ter parado. Venho sempre escrevendo algo desde que fui alfabetizado, porém a maioria dos escritos já foi pro lixo.

Apresentação Samba

Minha paixão por livros vem de berço também e lembro-me de pegar livros extremamente complexos pra minha faixa etária e fingir que estava lendo, provavelmente para impressionar o meu pai. Aos 12 anos, lembro que meu pai me deu um livro chamado Aos Pés do Mestre que Krishnamurti escrevera quando tinha 12 anos também. Me apaixonei completamente. Outro amor incondicional foi quando conheci Osho através de seus livros. Outro indiano, como eu (apelido de Capoeira) e Krishnamurti que falava à alma. Uns consideravam o livro como auto-ajuda, mas pra minha graça, habitualmente encontrava-os nas estantes de Psicologia e Filosofia. Isso me fez, aos 14 anos, começar um livro analisando/explicando parábolas bíblicas, que se perdeu quando o computador velho do meu pai veio a óbito.

Congresso Nacional Afro-Brasileiro

De lá pra cá, talvez influenciado pelo realismo de Schopenhauer e sempre perambulando pela Psicologia e Filosofia com Freud, Jung, Sartre, entre outros, percebi que essa tarefa exigia uma dose de empirismo pra se tornar boa aos meus olhos e aos olhos do público. Foi a partir desse momento que passei a ler e a viver mais, entendendo que pra se tornar um bom escritor eu precisaria de bagagem, de experienciar, no mínimo de uma boa história a ser contada. O sonho sempre foi escrever algo próximo a que Krishnamurti e Osho escreveram. Pode ser que um dia, quando meus cabelos brancos derem credibilidade para tal feito, eu escreva. Por enquanto registro meu olhar através de poemas e incorporo aos meus personagens, falas e vivências que são o sumo da minha aprendizagem nessa trajetória curta, mas cheia de peripécias.

Michel e alunos no Colégio Superação

Comunica Tudo – Apenas para registro: adoro todos os autores citados. Aos 12 anos venceu um concurso de poesias e agora está prestes a lançar um livro: Poemas para Gingar. Quais autores são sua influência e leitura na poesia?

Michel Saraiva - Não consigo lembrar precisamente de onde partiu esse gosto em particular. Meu pai escrevia poesias, porém tive pouco contato com as mesmas e o único livro de poesias que li foi após ganhar esse concurso, dado pelo meu avô. Desde cedo fui obrigado pelo meu pai a destrinchar parte dos clássicos da literatura brasileira. Raquel de Queiroz, Guimarães Rosa, Lima Barreto, Gilberto Freyre, entre outros. Em algum momento nesses livros certamente esbarrei com poemas e poesias. Porém, creio que o gosto veio mesmo através das músicas, especialmente de Capoeira e Rap, que sempre gostei. Diria, então, que minhas influências são Racionais, Sabotage, RZN, Gabriel o Pensador, MV Bill e Marechal, além dos autores literários que "fogem" dessa especificidade. Ultimamente, o contato que criei com o samba, com certeza vem colaborando e tece esse pano de fundo que me inclina a escrever poemas. Mas sem dúvida a Capoeira e o Rap são a base disso tudo.

Projeto Social. Ano: 2017

Comunica Tudo – Poesia e capoeira: vamos falar sobre o livro Poemas para Gingar. Como surgiu o projeto deste livro, realizado em parceria, e como esta sendo essa experiência?

Michel Saraiva - Por ser pedagogo e estar sempre em contato com a educação infantil e os diversos livros que têm direcionado para esse âmbito, percebi que os livros sobre Capoeira eram muito defasados, uns dizem que a Capoeira veio da África, outros tratam a Capoeira como sendo uma dança, entre outros inúmeros equívocos que me surpreendeu. 

Batizado Alegria - aluna especial, PCD

Quando fiz o curso de contador de histórias, surgiu a vontade de fazer um livro sobre a Capoeira, mas uma narrativa em forma de poemas. Inclusive tenho o poema que refletiu essa vontade que por acaso não foi escolhida por nós para integrar esse primeiro livro. A ideia ficou adormecida, porém conheci a Ana Carolina, Pocahontas, quando a mesma há cerca de 2 anos entrou para o grupo de Capoeira que eu pertenço. Certa vez, ela sabendo que eu escrevia músicas, pediu que desse uma "olhada" em alguns poemas. Dei sugestões nos mesmos e mandei alguns pra que ela analisasse também e recebi muitas dicas dela também. Chegamos naturalmente a conclusão que precisaríamos passar isso adiante, escrevemos mais e selecionamos os poemas que achamos melhores e que retratavam bem esse contato com a Capoeira. Foi uma experiência fantástica e esse é apenas o primeiro fruto dessa parceria.

Centro Educacional do Méier, Rio de Janeiro

Comunica Tudo – Você tem um segundo livro já escrito e um terceiro em produção. Pode nos dizer sobre o que são estes livros e quando pretende lançá-los?

Michel Saraiva - O segundo livro ainda perambula pelos poemas. Conta a história do Maculelê por intermédio do mesmo para conduzir o leitor em uma narrativa excepcional com bastante poesia e ritmo. Traça a origem dessa luta-dança que teve como berço nosso país para se manifestar. É um conto interessante, com bastante fundamento e significado. Por incrível que pareça também é um tema novo no universo literário e por esses motivos foi escolhido para ser explorado nesta obra.

Trecho do terceiro livro de Michel Saraiva (Exclusividade #ComunicaTudo)

Já o terceiro, ainda em produção, segue uma linha bem diferenciada. Talvez a melhor forma de me fazer entender nesse momento é dizendo que esses dois primeiros são meus filhos, já o terceiro sou eu. O terceiro livro é uma ficção pro universo literário, porém retrata parte de tudo que vi, vivi, absorvi e agora procuro resignificar através da escrita. Ainda não tem nome. O nome do arquivo está como "Botando pra fora", pois foi uma proposta do meu analista escrever sobre esse "lado B" da minha própria personalidade. Paçoca e/ou Douglas Felipe é o personagem principal que vai crescendo em meio à um ambiente horrivelmente sedutor, que lhe traga e educa ao mesmo tempo. Tem um pouco de humor, violência, sexualidade, psicologia, filosofia, enfim, um pouco de tudo que a vida pode nos ofertar. Sem pretensão, percebo que vem se tornando uma crítica, uma vitrine do nu e cru social que me faz refletir bastante e tenho a certeza que fará os leitores percorrerem os becos e vielas se despindo do preconceito e conhecendo um pouco mais.

1º colocado no III Encontro de Camaradas 2017 com a música-poema 'Me leva Capoeira', que está no livro Poemas para Gingar

A pretensão de lançamento do segundo livro é para o ano que vem. Já o terceiro deve esperar mais um pouco, espero que no começo de 2019. Três de janeiro pra ser mais exato. Gostaria de lançar no meu aniversário, contém um simbolismo muito grande nisso pra mim. Mas não limito a isso. Ambos serão lançados, isso eu posso te garantir.

Palestra Racismo e Mito Racial CIEP Saracuruna

Comunica Tudo – Gostaria muito de agradecer por esta entrevista. Gostei muito. Mas não posso terminar sem antes perguntar: que história é essa de ser atropelado duas vezes por ônibus (risos)? Como isso aconteceu?

Michel Saraiva – Primeiramente o prazer é recíproco. Através de perguntas precisas, pude voltar no passado e me conhecer melhor, lembrar de momentos que teceram meu presente e reconhecer o significado de tantos outros que só com o passar do tempo a gente pode, em parte, compreender. Não acredito que tudo possa ser cognoscível, mas em relação ao que é, você me ajudou nisso.

Recuperação primeiro atropelamento

Essa satisfação que os ônibus têm em me dar férias que eu não pedi e trazer com elas um pouco de amadurecimento começou em 21 de fevereiro 2015. Estava na Rua Santa Fé, de skate, às 8h00, indo para a primeira aula de Inglês num sábado lindo, quando o ônibus que me fechou, ultrapassou e não jogou seta pro sentido que viraria. Pegou na minha lateral, me jogando no chão e passando por cima do meu joelho e pé - a roda traseira é dupla. Esfacelou meu joelho, ferrou meu pé e costela. Mas enfim, se não acredita em milagre se torne um. Eu me tornei um e voltei a dar aulas, jogar Capoeira, fazer tudo dentro do limite de sequelas minímas que ficaram em decorrência do caso que aconteceu. 

Aula na escola Tobias Barreto
Atualmente, pouco mais de dois anos depois, dia 07 de junho pra ser mais preciso, enquanto me dirigia de bicicleta para dar aulas no Méier, através da Rua Dias da Cruz (sim, utilizo o máximo possível de transportes alternativos e não poluentes) um ônibus que não respeitava o espaço de 1,5 m, pra completar a façanha, jogou pra cima de mim seu peso todo, e eu procuro acreditar que não foi propositadamente, me derrubou e pra fechar com chave de ouro, ou melhor dias da cruz, ele passou por cima do meu pé, esfacelando o mesmo, fraturando e fissurando. Mas como disse antes, eu não sou atingido apenas por ônibus, também tenho o sortilégio de ser atingido por milagres e essa semana, faltando 3 dias pra completar 2 meses do acidente, eu já voltei a dar aulas devagar (risos).

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(Via Marcelo D'Amico)


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