18/05/2008

O sumo sino-brasileiro

A imprensa brasileira aplaude a China, faz inúmeras comparações e até mesmo sonha noticiar índices de crescimento semelhantes. O que a maioria dos brasileiros desconhece ou ignora são as imensas diferenças entre os dois países, diferenças que certamente deveriam ser encaradas como um motivo para jamais desejarmos ser como a economia chinesa. Vou explanar alguns pontos.
O primeiro ponto importante é que a China possui um regime absolutamente autoritário, controlando tudo o que a população vê, ouve e pensa. No Brasil temos um regime democrático, embora exista certa manipulação ao que se tem acesso pelas mãos mercantilistas.
Os investidores da China não são chineses, e sim estrangeiros (talvez, os mesmos internacionais que aplaudam o crescimento econômico), que apenas utilizam o país como mão-de-obra muito barata,explorada por um regime autoritário que faz com que um bilhão de chineses vivam próximos da miséria. No Brasil temos um cenário diferente, embora exista exploração trabalhista em vários setores econômicos, vivemos ainda sob uma democracia, que aparentemente nos permite atuar junto ao Estado de maneira a exigir mudanças, organizar movimentos, etc. Outro ponto importante é que tudo que a China desenvolve é criado em outros países, sendo apenas produzido em série por ali. Este aspecto também é diferente em nosso país.
Algumas pessoas, ao comparar os dois países, questionam-se: quais os motivos de o Brasil crescer em ritmo menor que a China? Bem, sempre que falarmos em regimes democráticos, o crescimento econômico será sempre mais lento, porque cada tomada de decisão envolve um processo mais complexo do que se estivéssemos num regime autoritário. Além disso, a quantia da população brasileira que dispõe de acesso real a educação é percentualmente baixa, e mesmo as pessoas que chegam a formar-se numa Universidade, atualmente, não são preparadas para ter espírito empreendedor, pelo contrário, são graduadas e instruídas para pensarem e agirem apenas como futuros empregados do voraz mercado de trabalho tupiniquim.
O Brasil tem severos problemas administrativos, governamentais, políticos e financeiros, mas crer que o modelo chinês irá salvar nossa nação é um tremendo engano, mais do que isso, deve soar como um insulto para nossa inteligência. Se os investidores estrangeiros, por algum motivo qualquer, decidirem retirar seus investimentos da China, o país mais populoso do mundo sofrerá severas perdas e danos, deixando de ter esse fantasioso crescimento econômico, que beneficia uma parte mínima da população. Temos de pensar em nossa soberania, independência e auto-gestão.







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