16/07/2008

A mídia coincidente


Todos viram: um congresso de publicidade onde grandes nomes (empresários, principalmente) da comunicação (publicitária ou de interesses afins) brasileira pediram a liberdade de expressão. Referiram-se aos projetos que visam impor restrições em propagandas, que por sua vez, significam redução nos lucros, que por sua vez, deve ser entendida como luta pela liberdade de comunicação (ou liberdade financeira).
Ninguém mais do que a mídia pode falar tanto em liberdade. A quantidade de informações sigilosas que circulam livremente é fabulosa. Como estas informações chegam até os veículos? Deve ter alguma semelhança com aquele programa humorístico: "toma lá da cá".
O mais interessante é que nestas denúncias contra figurões envolvendo banqueiros, políticos, especuladores, jornalistas e afins, as acusações em si tornaram-se secundárias. Todo mundo está debatendo a espetacularização da PF em suas atuações. Ninguém melhor do que a mídia, mais uma vez, para debater espetáculos, visto que ela sobrevive essencialmente deles (os espetáculos).
Além disso, debate-se também sobre o afastamento de três delegados da PF, sendo um deles, por conta de um curso que deve ser feito a cada dez anos. Simples coincidência. Mas não é só isso: estão debatendo como documentos sigilosos inteiros chegam até as mãos de alguns veículos de comunicação, além de informações privilegiadas para alguns canais de TV, ou melhor, para um canal de TV, que teve a sorte de ter uma equipe de jornalistas de prontidão no dia e local correto de cada prisão realizada pela PF. Simples coincidência. E não é só isso: estes assuntos estão rendendo muito mais, e estão rendendo tantos debates, que já tem gente rezando para mudarem de assunto, antes que seus nomes sejam envolvidos num escândalo sem precedentes no Brasil.

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