11/07/2008

Polícia para quem precisa...

Charge: Novaes (Publicada no JB on-line, Rio de Janeiro).
A polícia brasileira está entre as que mais matam em todo o mundo, segundo dados oficiais. Se fôssemos investigar casos conhecidos como "bala perdida" (que na verdade não existe, já que toda bala perdida é encontrada por alguém), talvez os dados oficiais subissem. Se aumentássemos ainda mais nosso campo de pesquisa, certamente descobriríamos "cemitérios" ilegais espalhados por todo Brasil.
Pensando por este lado, não é difícil imaginar porque os bandidos dão tiros e mais tiros sem pensar, pois preferem matar ao invés de morrer, e sabem que se caírem nas mãos dos homens da lei, provavelmente irão morrer. Diante deste quadro, atiram sem dó nem piedade.
Quem sofre com isso tudo é o cidadão comum, que perambula entre homens que deveriam cuidar de nossa segurança e bandidos, e acaba ficando no meio de um fogo cruzado.
Esta situação que descrevo não é meu mero pensamento. Li isto numa entrevista de Michel Misse, Professor de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ e Coordenador do NECVU (Núcleo de estudos da cidadania, conflito e violência urbana), concedida ao Jornal da referida Universidade.
Cursos de reciclagem da polícia? Não sei se resolve, mas espero que ajude a melhorar. Repensar nossas instituições? Não. Creio que tenhamos de repensar nossa sociedade como um todo, pois a violência no Brasil, não se limita a quem possui uma arma em suas mãos (seja ele policial ou bandido).
A violência está no ministro que libera ladrões, no trânsito tresloucado, no empurra-empurra para entrar no metrô, nas pessoas que levam seus cães para defecar em vias públicas, nas greves que só ocorrem no funcionalismo público (nunca no privado), nos movimentos que se utilizam da força para conquistar seus direitos, no voto obrigatório da maioria de um povo que é analfabeto funcional, nos gastos públicos, no abandono da saúde pública, nos monopólios, e assim por diante.

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