14/07/2008

Um país acrítico


Por todos os lados chegam informações em nossas vidas: internet, tv, rádio, jornal, revista. Cada vez mais vemos o crescimento da circulação de informação, muitas vezes repetida sem apuração. O jornalismo crítico parece entrar em extinção. Provocar o pensamento do leitor ou telespectador já não é o papel da maioria dos jornalistas. A tal informação é apenas veiculada, repetida, reproduzida, passada adiante. Nestes casos, onde a informação é meramente veiculada, não vejo necessidade de um profissional do jornalismo, pois é provável que um orangotango bem treinado possa dar conta do recado (ctrl C + ctrl V).
Ao mesmo tempo comemoramos a era da informação. Viva! Mas informação sem raciocínio é tão útil quanto uma biblioteca para um analfabeto. Os veículos jornalísticos limitam-se quase exclusivamente a relatar pequena parcela dos fatos que compõem a realidade:
Notícia de hoje: FULANO FOI PRESO
Notícia de amanhã: FULANO FOI SOLTO
Notícia de depois de amanhã: ONDE ESTÁ FULANO?
Atualmente notamos um dilúvio de notícias fantásticas, dando atenção para tantos detalhes desinteressantes que nos esquecemos de perguntar "quais são os reais motivos de tal notícia". No ensino fundamental deveria existir uma matéria chamada "questionamentos", pois se as perguntas nos levam para as respostas, então, saber questionar pode ser mais importante do que saber responder. Acumular informações sem pensamento crítico é tão útil quanto entupir seu HD de vídeos e músicas que você não terá tempo de degustar, é o ter pelo ter, sem no entanto saber o que fazer com o que se tem.
Infelizmente, este estado acrítico de nosso SER não é exclusividade da maioria dos jornalistas. Temos uma nação quase completa de pessoas acríticas, que repetem notícias e informações sem saber o que fazer com todas elas.
Possivelmente, num prazo de duas semanas, depois de reproduzir tantas informações ao léu, sequer saberemos do que se tratam as notícias de dias atrás, e até mesmo os jornais deixarão de cobrir os fatos, deixando de nos dar um acompanhamento fiel de tudo o que acontece. Afinal, estamos na era da velocidade da informação, e não do raciocínio sobre a mesma. A análise e o debate dos fatos ficam limitadas numa pequena parcela de pessoas, que insistem no velho diferencial da raça humana: pensar.

Um comentário:

  1. A insistência da informação sem crítica nos leva a crer, pelo menos eu creio, que a diversidade do conhecimento é tangível e classificável. Um engano terrível.

    Deve ser por isso que temos tufões, câncer, genocídios, para que nunca percamos a sensação de idiotas que temos sempre quando conversamos com o mundo.

    O conhecimento nunca se dobrará a qualquer instituição ou mecanismos de comando.

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