Entrevista Exclusiva com Lehgau-Z Qarvalho

Lehgau-Z Qarvalho  é formado em jornalismo pela PUC/RS. Escritor, músico, compositor,  artista gráfico, autor do livro  "A Teoria ...


Lehgau-Z Qarvalho é formado em jornalismo pela PUC/RS.
Escritor, músico, compositor, artista gráfico, autor do livro "A Teoria das Sombras" (prefaciado por Luiz Antonio de Assis Brasil, escritor premiado e pós-doutorado em Letras). Em entrevista ao Comunica Tudo, Lehgau fala sobre suas obras, nomes, Ottomano Vibe, artes, Clayton, comunicação, entre outros assuntos.

Comunica Tudo – Primeiramente, obrigado pela entrevista. Comecemos por teu nome, LEHGAU-Z QARVALHO. Como nasceu este substantivo?
Lehgau-Z Qarvalho – Essa é uma história “darwiniana” (risos). Nos tempos de faculdade eu fazia charges e ilustrações para vários veículos, tanto universitários, quanto sindicais, comerciais e de assessorias de imprensa, e assinava simplesmente “Lê”. Até que descobri, lendo uma publicação, que existia um “Lê” no Rio de Janeiro, o qual já desenhava há mais tempo do que eu. Portanto, concluí que deveria, eu, mudar de nome. Como o cartunista em questão era carioca, e eu gaúcho, mudei para “Lê Gau” (de gaúcho).
E assim fui levando a vida alegremente até que, não mais do que de repente, vieram os computadores pessoais e a Internet. Ao tentar criar e-mail, blogs e outras situações “internéticas”, descobri que estava impedido de usar meu novo nome em razão de uma, na época, recente instituição criada no Rio Grande do Sul, e que se adiantara a mim nos caminhos virtuais, chamada “Lésbicas Gaúchas – Legau”.
Concomitante a isso, em uma fria noite de inverno, ao assistir ao Programa do Jô, me deparei com um numerólogo a afirmar que as letras “Z”, “H”, e “Q” abrem as portas do sucesso (e por isso os brasileiros teriam menos sucesso do que os europeus ou os norte-americanos – poucos possuem essas letras em seus nomes). Pelo sim, pelo não, já necessitado de uma nova mudança de nome, não hesitei: Lehgau-Z Qarvalho.
Ainda: o “Q” do “Qarvalho” é uma homenagem ao escritor e dramaturgo gaúcho, precursor do teatro do absurdo, Qorpo-Santo (1829 — 1883. Muito bem retratado no livro “Cães da Província” do escritor Luiz Antonio de Assis Brasil).

Comunica Tudo – Jornalista, artista gráfico, músico e escritor: assim você se define. Das quatro características, qual surgiu primeiro e como se relacionam ou se influenciam?
LZQ – Quando eu era criança costumava pensar que meu quarto era um bosque encantado, no terraço de um prédio, encravado bem no meio do obscuro centro da cidade. Lá passei boa parte da infância e da adolescência criando situações, as mais diversas. Desenhava, pintava e escrevia nas paredes; compunha trilhas sonoras com um violão que eu herdei, ainda pequeno, de um tio que morrera assassinado (e que também era canhoto), e depois com uma guitarra elétrica; e passava horas deitado no chão, de barriga para cima, desenvolvendo projetos de histórias invisíveis para, quando fosse necessário, nas horas de aperto, voltar para elas e lá permanecer até que cessassem as tempestades.
*
Comunica Tudo – Quem é Ottomano Vibe e o que ele faz?
LZQ – O Otto é um amigo meu, penso que desde sempre, que ajuda no que pode; e quando pode. Fizemos quase tudo juntos, incluindo a faculdade, uma tentativa de pós-graduação, a criação de um fanzine virtual http://www.khzine.blogspot.com/ e dividir a primeira namorada. É, conforme ele mesmo diz, um artista sem talento; frustrado. Por isso tornou-se agente e produtor, fazendo o jogo chato das negociações comerciais e burocráticas. Já foi Hippie, Punk, Dark, Grunge e bichinho de pelúcia (o personagem “L”, de “A Teoria das Sombras”, foi parcialmente inspirado nele). Há alguns anos conheceu uma inglesa em Santa Catarina, apaixonou-se e foi morar em Londres.
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Comunica Tudo – E "Clayton, o cominho"?
LZQ – Circulando por ambientes virtuais como o Orkut, mais especificamente pelas comunidades relacionadas a escritores, literatura e teoria literária, notei que os autores novos publicavam seus textos ali, para, digamos, um determinado "público especializado", esperando, por óbvio, um retorno; e não obtinham sequer uma opinião, crítica ou, muito menos, um elogio por parte dos demais integrantes dessas comunidades. Ao final era (e ainda é), parece-me, apenas um jogo de auto-estimas rebaixadas e seus conseqüentes egos exaltados.
“Clayton, o cominho” http://www.claytonocominho.blogspot.com/ nasceu da vontade de uma experiência, a meu ver, bastante bem sucedida, de escrever uma história, tanto em uma comunidade de “não necessariamente leitores de literatura e/ou ficção”, quanto de escrever o que viesse à mente e publicar de pronto, sem planejamento prévio.
A história do “Clayton, o cominho”, publicada de forma homeopática em uma comunidade do Orkut destinada à pura e simples diversão, chegou perto dos quatro mil “posts”, entre comentários, críticas, contribuições e pedidos de continuação. Depois tranformei-a em blog.
Aproveito para dizer que nunca houve, na história da literatura mundial, momento tão propício para experimentalismos com tão imediata possibilidade de resposta e interatividade, quanto este que estamos vivendo.
Por que, então, não aproveitar?!
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Comunica Tudo – O livro "A Teoria das Sombras" é sua estréia como escritor e foi lançado em Outubro de 2007. Um ano depois, qual avaliação você faz desta experiência? O que trouxe para você?
LZQ – O livro “A Teoria das Sombras” foi escrito, entre idas e vindas, impulsos e desistências, ao longo de mais de uma década. Curiosamente ele partiu do primeiro conto que escrevi na vida (o qual foi um dos três enviados para seleção dos candidatos à oficina do Assis Brasil). Um dia resolvi cortar o final do conto e seguir escrevendo.Sobre o que me trouxe o livro, entre outras coisas, posso dizer que o principal foi a minha decisão de entrar de vez para o mundo das letras, e viver de literatura, custe o que custar. E que não devo demorar tanto para escrever um outro livro (risos).Por isso estou, atualmente, envolvido na finalização de um livro de contos; escrevendo uma outra narrativa longa; participando de um projeto (inédito no Brasil) de um romance idealizado e escrito a seis mãos, escrevendo em parceria (a quatro mãos) um livro para o público infantil e ministrando uma oficina de criação de personagens e um curso de introdução à escrita literária, na Palavraria, em Porto Alegre.
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Comunica Tudo – Luiz Antonio de Assis Brasil assina o prefácio de "A Teoria". Como o conheceu? Qual a importância de estrear prefaciado por este escritor?
LZQ – Conheci o Assis Brasil http://www.laab.com.br/ em 1995, quando candidatei-me para fazer a oficina de criação literária que ele ministra até hoje dentro do Programa de Pós-graduação da Faculdade de Letras da PUCRS. Convivi com ele durante um ano, ao ser aceito para cursar a oficina – onde, é bom que se diga, tive a oportunidade de aprender muito. Ele, além de um grande escritor, é alguém de admirável paciência e calor humano quando se trata de ensinar a sua arte; sem deixar de “tocar nas feridas” sempre que necessário, o que se faz, por óbvio, de extrema necessidade ao aprendizado.
Quanto ao prefácio de “A teoria das sombras”, enviei os originais para o Assis Brasil e para o Juremir Machado da Silva, por serem ambos pessoas que tiveram, direta e/ou indiretamente, importantes e decisivas participações no meu processo de aprendizado (não só literário), com inevitáveis reflexos no produto final da obra. Tanto o prefácio quanto a orelha do livro teriam de ser feitos, ou pelos dois, ou por um deles, ou por ninguém.
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Comunica Tudo – Na música, enquanto compositor, existe algum lançamento surgindo? Que instrumentos você toca e quais instrumentistas e compositores admira?
LZQ – Música, tirando uma trilha sonora etérea para um filme imaginário que venho compondo, tenho feito só para consumo interno. Às vezes me acordo no meio do nada, componho e gravo direto via webcam, tudo de uma só vez, sem ensaio prévio, envio para o e-mail do Otto e volto a dormir. Atualmente tenho me inspirado em obras e/ou autores de ficção http://www.youtube.com/watch?v=dyAXHyLAT7Y para tanto; e utilizado afinações http://www.youtube.com/watch?v=YkjUTRrY-zY não convencionais.
Toco guitarra, violão, contra-baixo, harmônica (gaita de boca), teclado, chaleira, noz-moscada e garrafa PET; um pouco de cada. Nunca estudei nenhum deles a fundo (com exceção da garrafa PET), e não me orgulho disso. Sou o que dizem por aí: um músico autodidata (o que, conforme o Mário Quintana, significa: "ignorante por conta própria" – risos) ou músico intuitivo, ou músico de ouvido.
Minhas influências vão desde pingos da chuva em telhado de zinco, até árias desalmadas, tenebrosas e/ou bufas; passando por sirenes e surdinas abertas às três da manhã, brigas de vizinhos e, é claro, a mais pura, boa, velha e suja microfonia.
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Comunica Tudo – Como jornalista e escritor, como você vê o hábito de leitura dos brasileiros (ou a ausência de)?
LZQ – Em outros tempos eu cheguei a acreditar que a ausência do hábito de leitura entre os brasileiros se devia, em grande parte, aos anos de ditadura militar e suas “fichas de leitura” (eu fui vítima disso). Mas hoje vejo como um problema estrutural instalado em nosso “DNA cultural”. Nunca, no Brasil, se leu. E a desculpa não pode se dar, pura e simplesmente, por conta dos altos preços dos livros. O preço do CD de músicas é praticamente o mesmo de um livro, e as vendas do primeiro ultrapassam brincando as do segundo. Aliás, tenho cá as minhas dúvidas: se o livro ficasse significativamente mais barato, teríamos, igualmente, um significativo aumento de leitores e leituras?!
Por outro lado, tenho visto, lido e escutado muita gente com a idéia arcaica das divisões entre alta e baixa literatura, ou coisa que o valha. E, em linhas gerais, isso significa dizer que: autores brasileiros que vendem muito, e conseguem viver extremamente bem, em termos financeiros, de suas obras, de sua literatura (como, por exemplo, o Paulo Coelho), fazem parte da dita baixa literatura.
Temos, no Brasil, uma cultura elitista e contraditória a respeito da literatura. Queremos disseminar a literatura por todo o território nacional, o mais amplamente possível, independente de raça, cor, credo, gosto ou situação social; mas, ao mesmo tempo, insistimos em defender nosso status cultural, fazendo questão de pertencer a uma classe diferenciada e especial, a dos leitores, utilizando-nos dos livros (e do conhecimento neles contido) como se automóveis de luxo ou mansões em bairros nobres fossem. Até o auto-intitulado circuito alternativo sofre desse mal.
Afora que o ensino curricular brasileiro, salvo raras exceções, continua a não contribuir em nada para o hábito da leitura. Para a escola, em geral, a leitura ainda é encarada como obrigação. E, de acordo com Borges (o escritor): "A leitura obrigatória é uma coisa tão absurda quanto se falar em felicidade obrigatória".
Em primeiro lugar, é preciso que admitamos: somos hedonistas de plantão e carteirinha. Por conseqüência, tudo que não nos dá prazer, nos custa demasiado fazer. Assim, leitura tem de ser prazerosa; senão, não emplaca.
Junte-se a isso uma outra questão (só para abordar mais uma): para que precisamos de literatura se temos Carnaval, futebol, sol e cerveja?!
Temos aí, assim, todo um painel montado para que a literatura continue a não fazer parte das refeições diárias, semanais, mensais ou, até mesmo, anuais, dos brasileiros.
Para além disso tudo, também me parece que temos um sério problema de estratégia de mercado por parte dos editores. Se as editoras se reunissem para injetar dinheiro nas emissoras de televisão, bancando sucessivos protagonistas das novelas, em horário nobre, que fossem afeitos à leitura, talvez a curto ou médio prazo, criar-se-ia o hábito da leitura na população. Assim como, em outros tempos, com enorme sucesso, fez a indústria do tabaco e das bebidas alcoólicas.
Não seria interessante se o galã “saradão” (e sem fazer uso de óculos com lentes corretivas), após horas de academia, chegasse em sua mansão, sentasse à beira da piscina com vistas para a praia, pegasse um livro e dissesse para a “saradona” ao seu lado: “amor, estou no capítulo três e não consigo parar de ler esse romance. O autor é muito bom e a história é excitante e envolvente. Depois de um dia atribulado com este, somente uma boa leitura para relaxar”?!
*
Comunica Tudo – O evento da internet propiciou para muitos escritores amadores a exibição de suas obras, aliás, para músicos e compositores também. Como você analisa este cenário, onde temos mais criadores querendo aparecer do que propriamente consumidores de arte? Ou estarei errado nesta suposição?
LZQ – Antigamente (e não muito) tinha-se idéias, mas não as ferramentas; eram caras e, portanto, de difícil acesso. Hoje, ocorre justo o contrário. Tem-se ferramentas (até de sobra), acesso a um volume infinitamente maior de informação, inclusive; mas formas, fórmulas e argumentos desgastados. Todas as histórias parecem já ter sido contadas.
Os meios para divulgação de idéias estão cada vez mais simples, baratos, populares e acessíveis (é possível, hoje, fazer “cinema” com um simples aparelho de telefonia celular, ou publicar textos para que um grande número de pessoas tenham acesso, gratuitamente, através de blogs na Internet), e os formatos, os mais variados e democráticos possível; porém, o que muitas vezes se percebe é que a lacuna, na atualidade, está na falta de conteúdo. Ou de bom conteúdo.
Por outro lado, no ano passado eu montei uma “Oficina Interativa de Criação de Personagens” voltados para a literatura, com o diferencial (ao menos eu acreditava que seria um) de trabalhar com esses personagens diretamente na Internet (no Orkut, mais especificamente). A minha grande surpresa se deu quando uma boa parte dos alunos inscritos na oficina apresentaram sérias restrições ao uso da Internet para as aulas; alguns se negaram terminantemente, até, a fazer parte do Orkut, ainda que como personagens. Como resultado, tive de refazer meus planos pedagógicos.
Acredito que um dos problemas que nos afeta, é que no Brasil a experiência eletrônica, virtual, chegou muito antes da experiência textual, a experiência escrita, estar bem firmada, bem sedimentada.
Ao mesmo tempo, vê-se, hoje, que tem muita gente querendo escrever, querendo se expressar. Basta atentar para a quantidade de blogs em franca atividade. Creio que nunca houve uma oferta tão grande de textos para leitura gratuita. O problema agora é outro; é ser encontrado.
*
Comunica Tudo – Para quem queira ler, ouvir e conhecer mais de você, além de comprar o livro, que sítios podem visitar?
LZQ – A teoria das sombras: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=5063752&sid=9271641691051712120281623.
Cão Amarelo:
http://www.khzine.blogspot.com/
Clayton, o cominho:
http://www.blogadicoes.blogspot.com/
Lehgau-Z Qarvalho & Simone - Ficções:
http://www.youtube.com/watch?v=dyAXHyLAT7Y
Lehgau-Z Qarvalho & Simone – Rubem Fonseca:
http://www.youtube.com/watch?v=YkjUTRrY-zY
Orkut:
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Comunica Tudo – Para terminarmos, que sugestões você faz aos escritores e compositores que desejam se profissionalizar? O que sugere que leiam e ouçam?
LZQ – Certa vez, quando eu assistia a uma palestra do escritor José Saramago, alguém da platéia pediu a palavra e perguntou: “para eu me tornar um bom escritor, preciso passar trinta anos lendo, ou trinta anos escrevendo?”, ao que o Saramago respondeu: “sessenta anos lendo”. Penso que o mesmo vale para a música. Creio que precisamos ler e escutar (e assistir) a tudo que nos cai nas mãos; além, é claro, do que costumamos buscar por conta própria. E isso sem preconceito. Precisamos estar abertos tanto para o passado, quanto para o que está acontecendo agora, bem ao nosso lado, ou, mesmo, distante em espaço real. Vivemos a grata época do acesso democrático à informação; graças, em especial, à Internet. Só não sabemos o que não queremos saber.
E informação, junto com sensibilidade e coragem (sim, é preciso coragem para escrever e/ou compor – porque parte do nosso eu mais interno, intenso e subliminar está, de uma forma ou de outra, sempre contido em nossas obras) é, ao meu ver, a fórmula (se é que existe uma) básica para a criação. E, assim que estivermos abertos e desimpedidos para o mundo, ele, inevitavelmente, virá até nós, trazendo na bagagem tudo o que desejamos e precisamos para o que quer que no momento queiramos.

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