30/10/2008

Mundos parecidos...


Como os mundos se parecem: seja uma escola, cidade ou país, todos mantêm certa semelhança. Na Universidade onde faço jornalismo (com sacrifícios, como qualquer um), eu e alguns amigos percebemos procedimentos (ou falta de) em todo o curso que mereceriam revisões. Quais os problemas? A maioria é de simples resolução; muitos são de ordem administrativa; poucos envolvem custo financeiro. Mas nenhum é novo: a maioria tem mais de um ou dois anos (no mínimo) de presença marcada.
Tivemos a idéia de veicular um manifesto (silencioso e pacífico) por todo o curso, participando alunos de todos os períodos, recolhendo reivindicações para escrever um texto único e entregar para a coordenadoria. Durante duas ou três semanas nos articulamos, falamos com professores, alunos e funcionários e notamos um consenso na necessidade de mudanças. Pedimos aos alunos (não queríamos envolver funcionários neste manifesto) que nos enviassem suas reivindicações: por e-mail, por escrito ou verbalmente. Quase um mês depois, contando com a possível participação de centenas de alunos, chegamos ao incrível número de uma reivindicação, escrita num pedaço de papel.
Mais uma vez, nos sentamos para refletir. Deveríamos escrever um manifesto com reivindicações de uma única aluna (além das nossas), para que centenas de pessoas assinassem? Então, entregamos nas classes um modelo, com onze ou doze apontamentos que tínhamos feito, com intenção de fomentar a participação alheia. Claro que, por questões diversas, não entregamos para 100% dos alunos. Mesmo assim, desta vez, tivemos o índice zero de retorno. Não quero dizer que os alunos são estáticos e alienados, porque os vejo dinamicamente organizando festas e “choppadas”, antenados aos modismos atuais: músicas, roupas, etc.
Ainda assim, ao contrário do que possa parecer, não me sinto fracassado em relação a este manifesto, mas sim temeroso com nosso futuro. Pois falo de uma Universidade, de um curso de comunicação, onde parte destes alunos sairá como publicitário e outra como jornalista. Publicitários e jornalistas ocupam boa porção das atenções de qualquer um de nós. Seja em jornais, comerciais, revistas, rádio, enfim: são cidadãos que escolheram para si trabalhar com Comunicação. E diante disto, qual destes alunos tornar-se-á um Caco Barcellos? Ou um Washington Olivetto?
Sim: eu e meus amigos erramos ao ser tomado por certo desânimo diante de tudo. Talvez seja exagero de minha parte dedicar um texto para tal reflexão e tentar imaginar qual será nosso futuro próximo. Mas é exatamente neste ponto que faço um paralelo com parte de nosso povo, de nosso país: somos técnicos de futebol e críticos políticos nos botecos e bares da vida, mas basta colocarmos o pé na calçada que voltamos a ser brasileiros novamente. Brasileiros que programam ansiosamente seu carnaval, não perdem um boletim esportivo, não possuem hábito de leitura e assim por diante. Importante deixar claro que nada tenho contra esportes, carnaval, cerveja, festas, etc: mas apenas isto é muito pouco para formar cidadãos dentro de uma nação. Somente isto? Para mim é pouco e não chega a ser sinônimo de cidadania.


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