27/10/2008

O espaço-tempo tupiniquim


Lendo situações ou pessoas estrangeiras, procuro fazer um paralelo “espaço-tempo” com o Brasil. Dias atrás, por exemplo, li sobre o Processo de Bolonha e pesquisei a fundação desta Universidade. Encontrei 1088, uma das mais antigas do mundo. Num paralelo com o Brasil, nosso espaço não tinha sido descoberto e nossas primeiras faculdades chegaram em 1808, com a Família Real no Rio de Janeiro. Nossas universidades demoraram ainda quase um século: a Universidade Federal do Amazonas em 1909 e, segundo a história oficial, a Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1920.
Dizer “o espaço-tempo tupiniquim é lento” pode soar redundante. A exemplo da crise econômica, iniciada em setembro de 2008 nos EUA, a primeira reação de nosso presidente foi perguntar “que crise?”. Foram dias para o governo aceitar a existência da crise, e outros dias mais para tomar medidas de prevenção.
Lendo textos sobre Guy Debord, autor do livro A Sociedade do Espetáculo, lançado em 1967 na França e considerado um dos mais importantes do século XX, notei que sua primeira edição brasileira só ocorreu em 1997, trinta anos depois. Pesquisando fatos ocorridos na França na década de 50, encontrei um paralelo importante no Brasil: a construção de Brasília. Naquele tempo vivia-se o “cinqüenta anos em cinco” de Juscelino, que iniciou a construção de Brasília em fevereiro de 1957 e em dezembro do mesmo ano realizou a primeira venda de terreno do Distrito Federal, por falta de recursos financeiros para a construção da mesma capital.
Falar do passado pode ser fácil, pois hoje vivemos num mundo globalizado, onde se fala do Brasil “antenado” com a aldeia global. Mas a primeira linhagem de células-tronco produzida no Brasil foi a BR-1, em 2008. A primeira desta produzida no mundo foi em 1998, por um americano. Até então, tínhamos de importar células-tronco para realizar pesquisas, e como todos sabem, pesquisas dispõem de verbas escassas e cada vez menores em nosso país.
Existem muitos outros parâmetros que poderiam ser analisados aqui, e isto não significa que nosso país seja feito somente de atrasos. De qualquer forma, é importante pensar sobre o “espaço-tempo tupiniquim” e encontrar a nossa posição dentro dele, mesmo correndo o risco de sofrer ataques ufanistas.

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