26/11/2008

Entrevistando Wilson Gorj



Wilson Gorj é autor do livro Sem Contos Longos, obra composta por 100 micronarrativas, lançada em 2007. Possui contos e poemas premiados em concursos literários. Na Internet, tem publicações nas revistas Minguante, Veredas e no site Releituras. Escreve para o site Simplicíssimo e é colunista do jornal O Lince.

Comunica Tudo - Com muito prazer entrevisto mais um escritor no Comunica Tudo, e lhe agradeço muito por estar aqui. Gostaria de começar por teu livro, o Sem Contos Longos: passado um tempo de seu lançamento, qual balanço você faz desta experiência?

Wilson Gorj – Não tenho do que reclamar. Para um livro editado pelo autor o resultado até que foi muito positivo. Verdade que não lucrei com a publicação. Mas, tratando-se de uma edição independente, com uma tiragem de 1.000 exemplares, o simples fato de não ter dado prejuízo já constitui uma boa razão para comemorar. Divido esta realização com o Jornal O Lince, do qual sou colunista há quase dois anos e de onde obtive apoio tanto na publicação quanto na divulgação do livro. O meu saldo positivo, porém, ultrapassa o aspecto comercial. A maior conquista do Sem Contos Longos credito aos contatos (leitores, escritores) e às oportunidades (revistas, sites) que o livro tem me proporcionado.

Comunica Tudo - Como a literatura ganhou espaço em tua vida? Você foi influenciado por alguém de seu convívio ou pela leitura de grandes escritores?

WG – A literatura só veio ocupar um espaço importante em minha vida depois dos meus dezoito anos. Até então, entre mim e os livros erguia-se um muro de indiferença e ignorância. Devo ao acaso a queda dessa barreira. Na verdade, o tédio também deu uma mãozinha. De outro modo, eu talvez não tivesse me aventurado a folhear e, conseqüentemente, a ler o livro que me despertou a paixão pela literatura. Oscar Wilde, com sua obra-prima O Retrato de Dorian Gray, abriu-me o caminho das letras. De lá pra cá, eu, miudinho escritor, tenho caminhado na companhia de outros clássicos gigantes.

Comunica Tudo - A falta de leitura é um traço marcante do brasileiro. Quais implicações você consegue perceber neste fato? Quais diferenças podemos imaginar se adquiríssemos a leitura como um hábito no país?
WG - As limitações impostas pela falta de leitura são várias e já conhecidas. A mais grave delas, no meu entender, é a estupidez. Nesse sentido, coloco a literatura acima da religião. Se esta pretende salvar o ser humano, tornando-o melhor, a literatura realiza esse propósito com mais eficácia e profundidade. O convívio com os grandes escritores nos salva da estupidez. E nos torna melhores. Não necessariamente mais “bonzinhos”, como pretendem os moralistas. A grande literatura nos melhora porque potencializa nossas faculdades: expande nosso conhecimento, aguça nossa sensibilidade, dilata nossa capacidade de compreensão e discernimento. No entanto, não consigo conceber uma sociedade feita majoritariamente por leitores capacitados. Seria utópico. Por outro lado, o simples hábito de ler, isto é, a leitura ordinária, sem exigências de qualidade e profundidade, acrescentaria muito pouco à formação do indivíduo, menos ainda à da nação.

 Comunica Tudo - Através de uma rápida pesquisa descobri que você toca fagote. Como é tocar um instrumento pouco popular num país não muito clássico como o Brasil?


WG – A rigor, eu ainda não toco (pelo menos, da forma que eu pretendo tocar.) Tocar bem o fagote demanda muito tempo e aprendizado. Muito estudo e dedicação. Sou um fagotista amador, bem amadorzinho mesmo. Toco numa orquestra aprendiz constituída de jovens músicos. Embora pouco popular, o fagote é um instrumento presente em boa parte de nossas orquestras e em algumas bandas sinfônicas. No entanto, dado o alto custo do instrumento e a dificuldade em aprendê-lo, a demanda de fagotistas é bem maior que a oferta. Um fagotista razoável, mesmo no Brasil, só fica sem espaço se quiser.

Comunica Tudo - Eventos como o Festival da Mantiqueira, a FLIP, entre outros, recebem o devido espaço na mídia, em sua opinião?

WG – A cobertura até que não é má. Na televisão aberta, por exemplo, há programas dedicados à literatura, à arte, à cultura em geral. Além do mais, temos aí a internet para suprir as lacunas.

Comunica Tudo - Existem críticas controversas sobre a "utilidade literária" dos blogs e comunidades do Orkut, onde escritores amadores despejam seus escritos. Como você avalia estes espaços virtuais; realmente são grandes meios para se veicular obras literárias?

WG – São um começo. Ou melhor, um meio. Meio de averiguar a qualidade e testar a receptividade de nossos textos. Em muitos casos, a publicação virtual pode ser a antecâmara da publicação editorial. Tudo dependerá do talento e da aplicação do autor.

Comunica Tudo - Voltando ao Sem Contos Longos, como surgiu a idéia para compor um livro apenas com micronarrativas?



WG – Primeiramente, a idéia partiu do jornal O Lince, onde eu já publicava minicontos. E também de algumas participações em espaços virtuais especializados neste gênero, como as revistas Minguante e Veredas. Outro ponto a favor para a concepção deste formato foi a proposta de uma leitura rápida, adequada à correria de nossos dias. Um livro em que cada história pudesse ser lida em menos de um minuto: nos intervalos da tv, nas salas de espera, no ônibus etc.

Comunica Tudo - Você já está escrevendo algum outro livro? Quais são teus projetos para 2009?

WG – Pretendo reunir outras micronarrativas num formato maior, diferente do Sem Contos Longos, que é um livro de bolso. Quiçá eu consiga publicá-las em meados de 2009. Já estou fazendo a seleção. Uma seleção mais criteriosa, pois a cobrança é maior. Afinal, o segundo livro tem de ser melhor que o primeiro. 

Comunica Tudo - Mais uma vez, muito obrigado por esta entrevista. Para quem quiser acompanhar teus escritos ou entrar em contato contigo, deixe aqui seus endereços virtuais.

WG – Para tanto, basta acessar o meu blog [omuroeoutraspgs.blogspot.com]. Quanto à entrevista, quem agradece sou eu. Espero que os leitores do Comunica Tudo tenham gostado e se interessem em me visitar n’O Muro. Abraços.

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Um comentário:

  1. Gorj, entrevista meio panorâmica, mas diz muito de seu empenho e trajertória. Lamentei a falta de temas pertinentes, tais como a sua versatilidade, seu ativismo incançavel e elementos que apontassem para a natureza do seu processo criativo. Mais é você ali,parabéns e
    Abraço do seu leitor do "Festina Lente".
    Em tempo: sua generosidade não foi aventada. Que se a registre; testemunho meu.

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