13/11/2008

O que contam e o que não contam os jornais


Por Luciano Martins Costa em 13/11/2008
Comentários para o programa radiofônico do OI, 13/11/2008
Os jornais de São Paulo seguem na trilha do assassinato de um jovem cliente, cometido por um segurança das Casas Bahia. Mas o leitor atento há de sentir falta de algumas perguntas básicas. Discute-se, por exemplo, se o jovem Alberto Milfont Júnior tinha ou não passagem pela polícia, como se isso justificasse o crime ou pudesse ser tomado como atenuante.
O Estado de S.Paulo foi visitar a Casa do Zezinho, no bairro do Capão Redondo, instituto de assistência social onde o jovem foi atendido na adolescência. Alberto Milfont Júnior freqüentou a entidade na adolescência e acabou se tornando educador voluntário e mediador de conflitos. Sua história é a de muitas crianças e jovens da periferia, que superam as dificuldades com a ajuda de entidades de assistência social.
A polícia ainda enxerga esses cidadãos como marginais, e o mesmo preconceito costuma resvalar para os sistemas privados de segurança. A imprensa ofereceu detalhes sobre o episódio, mas passa longe de sutilezas como essa. O leitor merece um debate mais profundo sobre as questões que estão na raiz desse tipo de incidente.
Questão adicional
Seria interessante conhecer, por exemplo, se a rede de lojas mantém guardas armados em todos os seus estabelecimentos, ou só naqueles situados na periferia da grande cidade. Deve-se discutir, entre outras coisas, os privilégios concedidos às empresas de segurança privada, muitas das quais são controladas por oficiais da Polícia Militar.
Também cabe investigar como são recrutados e capacitados esses homens armados, se seu perfil é adequado ao tipo de trabalho que exercem. É sabido que muitos deles são ex-policiais, mas pouco se sabe sobre por que deixaram as forças de segurança pública.
Outro detalhe que poderia dar mais qualidade ao noticiário se refere à eficácia desse tipo de proteção. O número de crimes cometidos por seguranças privados já poderia ter recomendado alguma reportagem mais alentada sobre o sistema. E uma questão adicional é: quanto o interesse de empresas particulares de vigilância controlados por policiais influencia as decisões das autoridades na logística do sistema público de segurança?
Perfil psicológicoUm crime nunca é apenas um crime, mas a imprensa segue preocupada com os detalhes factuais e passa longe de discutir o sistema.
O que não passou ainda pelas páginas dos jornais é o risco que correm milhares de clientes que ingressam em bancos e lojas onde armas de fogo estão em mãos de pessoas cuja qualificação e cujo perfil psicológico não se pode ler no crachá.

VOCÊ é muito importante para nós. Queremos ouvir SUA VOZ. Deixe seu comentário abaixo, após 'Related Posts'. Apoie este projeto: clique nas publicidades ou contribua.

0 comentários:

DEIXE SEU COMENTÁRIO. SUA VOZ É IMPORTANTE.