05/11/2008

Obama eleito. O que muda?


Todos os jornais e pessoas estão a comentar: Obama foi eleito. Alguns criticam, pois preferiam seu adversário. Outros comemoram o primeiro presidente afro-descendente da história dos EUA. Existem até algumas comparações de Barack com Martin Luther King (descabidas, em minha opinião). Mas afinal, o que muda?
Depende: você espera um presidente ou um messias? Se esperava por um presidente, então nada mudou, nem mudará, mas existem pequenas diferenças de Barack para McCain. Por exemplo, Barack foi financiado pela Google, Harvard, Goldman Sachs, enquanto McCain por Merrill Lynch, Morgan Stanley, Citigroup Inc., entre outros. Qual a importância de conhecer os "patrocinadores" das campanhas? Bem, na verdade são estes "patrocinadores" que irão governar, indiretamente, como todos sabem. Para os que esperavam por um messias? Muita coisa mudou: a mídia está feliz por poder propagar um clima de positivismo, com prováveis aumentos da "alegria" do mercado, que resulta em investimentos e acaba gerando lucros e se transforma em publicidade para a mídia. Simples? Claro que não. Mas para quem esperava por um messias, já está de bom tamanho.
Em meio desta enxurrada de notícias e opiniões sobre o novo presidente, chamou-me a atenção a matéria do Jornal Nacional, descrevendo de forma sutil (como sempre), o caso de amor do casal Obama. Aliás, peço desculpas por interromper minhas palavras por aqui, mas está tarde, amanhã acordo cedo: nasci na classe média baixa e continuo na classe média baixa. Não pretendo parecer negativista, mas pouca coisa mudou para mim, de Ronald Reagan até Obama. Continuo cursando jornalismo e buscando emprego na Cidade Maravilhosa, lutando para que uma empresa de comunicação carioca contrate um funcionário com sotaque paulista (espero que comunicação e sotaque se completem); ainda sofro com o aumento dos preços (como o da Light, noticiado hoje), com a situação lastimável da saúde pública, com a falta de saneamento e com a cobertura do carnaval carioca, que já toma (em novembro) mais espaço midiático do que a prevenção contra a dengue (já esperando por uma nova epidemia). Boa sorte Obama.

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