19/12/2008

Bush: sapatos para o pisador

O presidente Bush, no final do segundo mandato, ganhou sapatos em sua direção. O fato foi amplamente exposto na mídia e merece reflexão. Em sentido figurado, os sapatos jogados serviriam bem para quem está acostumado a pisar, afinal de contas, uma guerra estúpida que teve seus motivos falseados e veiculados por toda a imprensa mereceria um processo internacional, ou no mínimo uma intervenção e punição da ONU. Infelizmente, apenas levou duas sapatadas.

Não sou a favor de agressões, muito menos de um jornalista numa coletiva de imprensa (de aparências, eu sei). O jornalista foi preso e sequer acertou seu alvo. Bush fez mais: acertou vários alvos, gastou incontáveis somas de dinheiro, arrastou soldados para uma guerra imbecil e mentirosa, matou inocentes, criou uma espécie de campo de concentração (Guantânamo) e só ganhou uma sapatada de um jornalista (diga-se corajoso) iraquiano.

Num mundo globalizado parece engraçado Bush ter feito o que fez, sair ileso e ser aparentemente o único culpado. Para veicular falsos motivos para a guerra Bush precisou do apoio de seu governo, de jornais, televisões e jornalistas. As notícias, por sua vez, precisaram de leitores e telespectadores que, de certa forma, não se voltaram contra as notícias, foram apenas coniventes.

A ONU parece estar omissa, ou melhor, submissa. Guantânamo, a Guerra do Iraque e o governo norte-americano liderado por Bush (liderado, pois representa milhões de americanos), são uma verdadeira vergonha para a raça humana, mas o que se pode esperar de um presidente que chegou ao poder em seu primeiro mandato de modo um tanto quanto duvidoso? Não quero com estas palavras minimizar toda a história dos EUA e nem seus habitantes, mas quero apenas mostrar o quão significante foi esta guerra ao exibir nossa conivência violenta dentro de um sistema tão fragilizado e merecedor de questionamento: a sociedade como um todo. Para finalizar, o tal jornalista iraquiano foi submetido a testes de consumo de álcool e drogas, mas sinceramente penso que não seria necessário, pois talvez estejamos nós, alcoolizados e dopados, ao não fazer as perguntas corretas diante de cada fato que assistimos.

(Via Marcelo D'Amico)


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