22/12/2008

Fotografar Poesia - Evandro Teixeira



Carlos Drummond de Andrade disse que Evandro Teixeira era o único fotógrafo capaz de fotografar poesia. Nascido na Bahia, começou a carreira de fotógrafo em 1958 no jornal DIÁRIO DA NOITE, no Rio. Em 1963, ingressou no JORNAL DO BRASIL, cobrindo os principais episódios políticos, sociais e esportivos do país. Golpe militar no Brasil, golpe no Chile, Jogos Olímpicos, Copas do Mundo. Visitas de reis e rainhas, viagens presidenciais, peregrinações de papas. Desfiles de moda em Paris, violência policial, seca no Nordeste.

"O trabalho do Evandro materializa a modernidade do Brasil, a urbanização do Brasil. Ele é como eu, uma pessoa que andou, que veio do interior, que se fixou. Ele veio na época em que 70% dos brasileiros estavam vindo. O Brasil passou de 80% de população agrícola para 77% de população urbana. No fundo, as fotografias dele contam principalmente a história desse povo urbano, da pureza, da força, da bondade, da quase ingenuidade do povo brasileiro. Poucos fotógrafos brasileiros chegaram a isso". Sebastião Salgado

Diante das fotos de Evandro Teixeira
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

A pessoa, o lugar, o objeto
estão expostos e escondido
são mesmo tempo sob a luz,
e dois olhos não são bastantes
para captar o que se oculta
no rápido florir de um gesto.
É preciso que a lente mágica
enriqueça a visão humana
e do real de cada coisa
um mais seco real extraia
para que penetremos fundo
no puro enigma das imagens.
Fotografia - é o codinome
da mais aguda percepção
que a nós mesmos nos vai mostrando
e da evanescência de tudo,
edifica uma pernanência,cristal do tempo no papel.
Das lutas de rua no Rio
em 68, que nos resta,
mais positivo, mais queimante,
do que as fotos acusadoras,
tão vivas hoje como então,
a lembrar como a exorcizar?
Marcas de enchente e do despejo,
o cadáver insepultável,
o colchão atirado ao vento,
a lodosa, podre favela,
o mendigo de Nova Iorque,
a moça em flor no Jóquei Clube,
Garrincha e Nureyev, dança
de dois destinos, mães-de-santo
na praia-templo de Ipanema,
a dama estranha de Ouro Preto,
a dor da América Latina,
mitos não são, pois que são fotos.
Fotografia: arma de amor,
de justiça e conhecimento,
pelas sete partes do mundo,
viajas, surpreendes, testemunhas
a tormentosa vida do homem
e a esperança a brotar das cinzas.

(Textos adaptados do site http://www.evandroteixeira.net/ no qual se encontra mais de sua belíssima obra)

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