07/01/2009

Contagem tripla


(Texto escrito por Carlos Brickmann e publicado no Observatório da Imprensa)
Mais um réveillon, mais milhões de pessoas nas ruas e praias – mais gente do que há no país, com certeza; mais gente do que cabe nas ruas e praias, com mais certeza ainda. E o engraçado é que, no chutômetro, o pessoal agora deu para brincar com números quebrados: neste ano, a Avenida Paulista, em São Paulo, teve 2,4 milhões de participantes, contra 2,3 milhões do ano passado.
Deve ser ótimo para arrancar melhores patrocínios, coisas desse tipo. Acontece que o réveillon acontece em parte da Avenida Paulista, não na Paulista inteira. E há alguns claros que não podem ser preenchidos com gente: bancas de jornais, entradas para estações do metrô, palanques das autoridades etc. Mas, na Paulista inteira, ignorando-se os obstáculos naturais, não cabem os 2,4 milhões de pessoas.
Vamos fazer a conta juntos: primeiro, faça um quadrado no chão com um metro de lado. Em seguida, coloque seis pessoas dentro dele – um amontoamento total. A Paulista tem cerca de 137.500 metros quadrados. A seis pessoas por metro quadrado, teríamos pouco mais de 800 mil. E, para caberem seis pessoas por metro quadrado, é preciso ter muita gente com o corpo do Marco Maciel e ninguém parecido com o Jô ou o Faustão. Nem com aquelas modelos que usam vestido 34 caberia tanta gente por metro quadrado. E os veículos de comunicação insistem em aceitar a versão milionária. A emissora que patrocina o réveillon, vá lá; o duro é ver que todo o resto da imprensa segue comportadinha os seus números.

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