27/02/2009

O muro pichado e o quase homicídio



O muro fica bem em frente do prédio onde moro. A fotografia foi feita depois da estamparia concreta, marcada com a palavra “glu”, o desenho de uma lata de spray e outras letras indecifráveis por mim. Parece ter um “shk” e outras letras mais. Na imagem pode-se ver apenas um detalhe, pois o restante também foi rabiscado.

O interessante é que pude assistir aos três jovens que fizeram a pichação, do início ao fim. Se fosse apenas isto, seria comum, mas o impensável aconteceu quando um carro estacionou ao lado dos jovens “artistas”. O motorista, que devia ter entre 35 e 45 anos, saiu do carro empunhando uma arma, apontou para os jovens e perguntou se tinham autorização para realizar a “obra”. Eles responderam algo como “não senhor” desajeitado e medroso. Fechando a porta de seu carro sugeriu, ainda ligado, e com a arma servindo de argumentação, sugeriu que pedissem autorização naquele momento.

Os garotos deixaram suas ferramentas de pintar ali mesmo e dobraram a esquina em direção à porta da casa. O argumento do motorista era forte e indiscutível: uma arma. A cena do pedido de autorização fugiu do alcance de minhas vistas, mas logo depois vi o homem voltando e entrando no carro. Os jovens movimentavam-se lentamente, olhando de canto para o motorista retórico, e só relaxaram quando ele foi embora. Nesta hora, olharam por todos os lados como quem diz: “será que alguém viu isto?” Era absurda a ideia do que havia acontecido, porém, na rua não havia ninguém. Eu, na janela, pude assistir a uma soma estranha de infrações da lei, que poderia resultar num homicídio, mas felizmente acabou apenas com o concreto muro pichado e este registro que acabo de pichar no muro dos teus olhos.

(Foto e texto por Marcelo A. D’Amico)

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