27/03/2009

Educação melhora economia?

Atualmente lemos e ouvimos diversas críticas sobre economia, política, desemprego, PIB. Por vezes, critica-se o governo. Noutras, reclama-se da economia. No Brasil, todos aparentemente discutem como melhorar os níveis de desemprego, investimentos, atrair capitais, mas ao meu ver, o item mais importante destas discussões fica em terceiro, quarto ou quinto plano: a educação.
O leitor pode imediatamente perguntar: o que a educação vai melhorar na economia, no desemprego, PIB? A resposta, comprovadamente histórica é: tudo. Como provas, basta analisar as últimas décadas, no setor educacional e econômico, de países como a Coréia do Sul e a Irlanda. Existem outros exemplos, mas fiquemos com os dois.
A Coréia do Sul, na década de 1950, tinha um analfabeto para cada três coreanos, ou seja, um terço da população. Hoje, oito entre dez chegam à universidade. Em 1961 o país tinha renda per capita de US$ 82,00. Em 2003 já era de US$ 10.000,00. A grande virada coreana começou com uma lei que tornou o ensino básico prioridade: obrigatório e gratuito, como é até hoje. Este investimento na educação começou a fazer com que a economia crescesse a 9% ao ano. Os pais daquele país investem pesado na compra de livros, pela simples constatação do que a educação fez por sua nação, em todas as áreas do conhecimento. A Irlanda também fez grandes investimentos em educação desde a década de 1960 e hoje está entre as maiores rendas per capita do mundo.
No território tupiniquim, apenas um entre quatro brasileiros é capaz de ler e escrever completamente, ou seja, 75% da população é analfabeta funcional (incapacidade em compreender a palavra escrita) em algum nível, para mais ou para menos. As pesquisas sobre este tema dividem o analfabetismo funcional em níveis, mas pessoalmente, vejo pouca diferença entre uma pessoa que seja incapaz de ler algo maior que uma carta e outra incapaz de ler mais do que três páginas: para mim, os dois são analfabetos funcionais, muito distantes de qualquer livro, do qual se retira conhecimento, educação, pensamento e evolução. A corrida de tempos atrás para baixar oa altos índices de analfabetismo só fez crescer os índices do analfabetismo funcional: isto é Brasil, governos e maquiagens mil.
Gilberto Dimenstein, em 2002, relatou importante dado sobre como a educação causa prejuízos para a economia de um país:
"No Brasil calcula-se [...] que a queda na produtividade provocada pela incidência de analfabetismo funcional, seja traduzida em uma perda equivalente a US$ 6 bilhões anuais."
Estas breves palavras acima são para mostrar e conscientizar da importância da educação em todos os setores de um país. O Brasil não crescerá enquanto não investir pesadamente em educação (sem maquiagem).
E já que o tema é a falta de compreensão: acabo de ler artigo publicado num site católico que traz a solução para o analfabetismo funcional, separando classes mistas e fazendo classes apenas com homens e outras apenas com mulheres. Diz o artigo que a "pedagogia moderna" é um desastre completo: os alunos ficam observando as alunas durante as aulas e acabam não aprendendo o que deveriam. Enfim, se você leu até aqui e compreendeu: eis o analfabetismo funcional tupiniquim... e que Deus me perdoe...

Um comentário:

  1. Lendo esse post lembrei que,na última eleição presidencial, Cristovam Buarque,o candidato que tinha como princial proposta investir pesado na educação virou motivo de piada. Era o "candidato de uma nota só". No fim teve apenas 3% dos votos.

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