14/04/2009

O poder que traga o povo

Em primeiro lugar, tenho de dizer que não sou pró nem contra o fumo. Aliás, não é sobre o cigarro ou sobre fumantes passivos e ativos que quero falar, mas sim de um mecanismo cristalizado em todo o povo brasileiro: o conformismo incontestável. Na verdade, aproveito-me de recente aumento de impostos federais sobre o cigarro para expor este mecanismo cerebral tupiniquim.
O próprio uso da palavra mecanismo para se referir ao processo de conformação nacional não foi aleatório, pois significa um conjunto de elementos rígidos, móveis apenas entre si e em relação aos próprios elementos, cujo propósito é a transmissão da força em questão: a conformação. Diminui-se o IPI dos carros e aumenta-se dos cigarros, como correção ou ajuste de arrecadação de impostos. Os não-fumantes aplaudem, como se o sábio governo estivesse propondo uma questão ampla para a saúde nacional. Burrice, pois o que se quer é corrigir a arrecadação governamental de um povo que já se encontra num país dentre os mais burocráticos e caros (para o povo) de todo o mundo.
Hoje é o cigarro, amanhã será outro produto, que certamente atingirá os não-fumantes e os fumantes e até mesmo quem ainda nem sabe o que é fumar. Até Serra, governador de São Paulo de olho no Planalto, uma vez que ganhou espaço midiático enquanto era ainda Ministro da Saúde, não deixa de angariar a atenção servil de toda uma nação também na área da saúde, proibindo o fumo em locais fechados, públicos ou privados. A ruína do espaço público em favor do privado já não é novidade para ninguém que saiba ler (e não seja analfabeto funcional), acompanhando debates sobre o assunto, mas a determinação até para espaços privados? Foi mais uma vez aplaudida pela maioria. Como disse meu caro amigo Guilherme Salla em seu blog:
"O governo federal sobretaxa em 30% a fumaça do cigarro e isenta de impostos a fumaça dos automóveis! O governo do estado criminaliza o fumante, mas continua arrecadando às suas custas." E completo dizendo que o povo brasileiro continua imóvel na fumaça da conformação.
Na maioria dos países do mundo, quando se quer melhorar questões relativas à saúde pública, investe-se em hospitais, melhora-se a renda de todos e diminui-se a desigualdade social para que todos possam viver bem. No Brasil, aumenta-se o imposto sobre o cigarro, diminui-se o imposto sobre carros (a poluição dos automóveis não provoca algo semelhante aos fumantes passivos?) e não se permite o fumo em locais fechados. Todo mundo aplaude.
Enquanto isso, senadores e deputados federais continuam fazendo a festa com dinheiro público e, muitas vezes, fumando charutos importados; o presidente promete a construção de um milhão de casas, só não se sabe onde, quando e como; o bolsa família é o programa federal que torna o presidente o mais popular da história, embora o benefício seja pago com dinheiro público e quem leva a fama é Lula; a educação no Brasil continua produzindo um montante de 75% de analfabetos funcionais; a telefonia celular ainda está entre as mais caras do mundo, mesmo com a livre concorrência como promessa de custos menores; estima-se que, se investido corretamente, em cem anos o Brasil tenha saneamento e esgoto em todo seu território, e assim por diante. O povo está sendo tragado e continua aplaudindo, como um bom fumo de rolo.

2 comentários:

  1. Putz cara, só respondendo o comentário lá no blog, mó tempão que não atualizava mesmo, gato molice total rs.
    Vou tentar voltar a postar com frequencia.
    Abraços.

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  2. Este blog anda muito sério... será que ainda posso frequentá-lo? Ótimo amigo, ótimo!

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