07/04/2009

Verdades e inverdades brasileiras.

Saber a quantas anda a pesquisa para cura da Aids? Conhecer poesia, debater literatura? Saber dos bastidores da política? Entender a influência da publicidade na vida das crianças e nas nossas? Ler jornais? Discutir o espaço público tão diminuído pelo privado? Acompanhar desdobramentos das denúncias em casos como Gautama, Camargo Correa, Daniel Dantas, Naji Nahas? Promover um debate público para mudanças efetivas na educação do Brasil? Compreender como a educação influencia diretamente na economia de um país?
Não, não e não. Nada disso importa. Nós, brasileiros, queremos mesmo é saber da vida de quem vai ganhar um milhão no BBB999; desejamos acompanhar todos os desdobramentos da novela das 8. Nós, brasileiros, somos fortes e aumentamos as vendas de carro mesmo em tempos de crise mundial, além de termos os melhores e mais caros celulares do mercado. Nós, hereditários tupiniquins do país com maior diversidade cultural do planeta, somos analfabetos funcionais (75%), e por isso mesmo adotamos a televisão como fonte de informações, pensamentos e ideologismos; matamos tanto por atropelamento no trânsito quanto em uma guerra; permitimos mais de 50.000 homicídios de crianças por ano.
Ora minha gente, o que importa a cura da Aids se somos o país do carnaval? Para que serve a literatura se uma vez por ano é adaptada uma obra para o formato televisivo? Para que acompanhar denúncias políticas se todo político é ladrão? Mesmo que estes políticos saiam do povo e sejam eleitos pelo povo, só os políticos são ladrões. O Brasil é fantástico, o verdadeiro show da vida...

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