20/05/2009

Brasil de cegos em tiroteio

O Brasil já está comemorando os aparentes sinais de recuperação econômica. Só a redução do IPI (imposto herdado da Ditadura Militar), já causou furor nos consumidores, aumentando os lucros de fabricantes e resultando em uma mídia parcialmente feliz, mostrando reportagens de pessoas de classe baixa e média comprando eletrodomésticos e cimento. Se todos os problemas da nação fossem estes, estaríamos bem. Ou não.
A China está negociando que trabalhadores chineses venham trabalhar por aqui, diminuindo o desemprego deles e aumentando o nosso. Mais do que uma nova potência econômica, ela se mostra como ótima negociadora, também por algumas empresas que deixaram seus estoques quase acabar para renegociar a compra de matéria-prima por um preço menor.
O assistencialismo das bolsas do governo Lula permitiu ascensão social para brasileiros pobres, o que pode ser considerado inédito num país que, infelizmente, conserva a mesma estrutura (ou falta) de séculos atrás. Nenhuma reforma estrutural foi colocada em prática, e isto será sentido num futuro breve e atingirá até os mais ufanistas, situacionistas, oposicionistas ou acéfalos políticos.
Quanto maior a formação acadêmica do brasileiro, maior o sofrimento para se empregar. Muitas empresas, mais concentradas no estado de São Paulo, relataram precisar importar funcionários de outros países latinos por conta de nossa incompetência. A educação no país continua sendo tratada como uma piada de muito mau gosto, e como prova temos 75% da população em analfabetismo funcional. Imagine que, num passe de mágica, a economia do Brasil supere a chinesa, de um dia para outro: o que aconteceria? Teríamos de importar tecnologia, profissionais, educadores, cientistas, entre outros. Não temos condição de pensar um "país do futuro" apenas por exportar soja, carne, ferro, petróleo ou por ter Itaú/Unibanco e Bradesco entre as maiores empresas do planeta. Isto, e muitos outros fatores, são ótimos, mas não suficientes para nos transformar em país de primeiro mundo.
Mesmo assim, ainda existe quem acredita que a crise mundial e só uma marolinha e que o Brasil vai sair bem deste acontecimento. Os EUA já fazem "cara feia" para as negociações sino-brasileiras: estão em crise financeira, mas não são analfabetos funcionais, e sabem cuidar de seus interesses próprios. Vivemos "sonhando em berço esplêndido" sem transformar amplamente e estruturalmente o país. Somos realmente um Brasil de cegos em tiroteio.

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