05/05/2009

O texto abaixo foi um exercício realizado hoje, durante uma aula de português. Consistia em fazer um perfil de qualquer pessoa conhecida, texto curto e rápido. Minha inspiração foi um homem que já foi tema de outro post: clique aqui.
Alguém que para muitos não tem nome, amigos ou história. Perambula pelas ruas com uma bolsa branca atravessada no peito. Sem camisa e de calça preta, é o andarilho que frequentemente caminha por Engenho de Dentro.
Certo dia, sentado diante da sarjeta e sem nenhuma cerimônia, almoçava um despacho deixado ali na noite anterior. Com a câmera fotográfica nas mãos, fiz tantas fotografias quanto pude, sem hesitar.
Em outra feita, eu o vi banhar-se tranquilamente com a água que escorria no meio fio. Enchia uma garrafa e a esvaziava sobre a cabeça, como se a sua volta existissem quatro paredes isolando-o da via pública.
Há mais de um ano vejo este homem pelo bairro e nunca ouvi ele pronunciar uma única sílaba. Com um leve sorriso em seu rosto, nunca se aproximou de outra pessoa, não diante de meus olhos. Sempre solitário, carrega em seu rosto um semblante calmo e pacífico. Não se pode afirmar ser morador de rua, mendigo ou o que quer que seja, mas sem dúvida é um homem intrigante, de hábitos pouco comuns. Nome, história, amigos: tudo desconhecido da maioria de nós, e no entanto, convive conosco, em nosso bairro.
(Texto escrito por Marcelo A. D'Amico).

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