26/05/2009

Somos todos cruéis

Enquanto o caso da apresentadora infantil Maísa, do SBT, vai aumentando rumores e opiniões contraditórias pela web e a Justiça parece, enfim, tomar alguma providência, Silvio Santos está nos EUA, de onde deverá voltar na próxima semana.
Dizer que o episódio no qual Silvio (aclamado como gênio), explora a criança e a faz chorar num domingo por duas vezes é de mau gosto, é pouco. Chamar a mesma criança de medrosa, tendo a platéia por companheira, enquanto a menina se expreme entre funcionários para alcançar o colo da mãe, deveria ser mais que ofensivo. No mínimo é violador de muitos direitos e deveres previstos em lei. Na platéia existiriam muitas mães, possivelmente, e dou graças por não ser filho de nenhuma delas.
Ao tempo em que Maísa jogava-se para o colo da mãe, esta, sutilmente, a preparava para voltar ao palco, rapidamente. O show não pode parar. O contrato inclui cifras que a mãe de Maísa não poderia sonhar em toda sua vida de trabalho comum, e parece não importar muito as consequências que a exposição da criança possa trazer. Mas claro, a menina já recebia acompanhamento psicológico de ninguém menos que Cris Poli, a Supernanny (isto não é piada).
Depois do dia 17 de maio, o segundo dia da infeliz "interação" com Silvio Santos, Maísa chegou a faltar de suas aulas, por sentir-se, no mínimo, com vergonha e desequilibrada. Nem Cris Poli, a Supernanny, conseguiu ajudar desta vez.
Este triste episódio brasileiro me fez lembrar de Macaulay Culkin, cujos pais degladiaram-se judicialmente para ficar com os bens do menino. E Macaulay Culkin? Numa entrevista, não muito tempo atrás, o "esqueceram de mim" parecia triste com os progenitores, até mesmo enojado com sua pouca importância diante do dinheiro.
Em outro episódio recente, no programa da filósofa e pensadora Sonia Abrão, o Guguzinho, também conhecido como Dany Boy, passou uma tarde no palco a pedir emprego na mídia, pois desde muito pequeno estava acostumado com a televisão e queria uma chance de retornar ao SHOW BUSINESS. Disse que estava compondo canções, e até tocou uma música de gosto duvidoso, com afinação vocal duvidosa, letra duvidosa e tudo o mais.
Espero sinceramente que num futuro breve possamos ser melhores, pois hoje somos todos cruéis, rindo da desgraça alheia, sem compaixão, e não se indignando com nada mais. Nada mesmo! Nem com o jornal Extra, do Rio de Janeiro, estampando na primeira página, em destaque, que Alexandre Pato gastará R$ 500 mil em seu casamento. A primeira pergunta é: e daí? A segunda: merece a capa? A terceira é: em que país estamos? Ah, Brasil. Merece a capa. Merece tudo. Aliás, Silvio Santos já está procurando substituta para Maísa, no programa de domingo. Não faltarão mães querendo prostituir seus filhos e encher o rabo de dinheiro. Não faltarão mães na platéia ou em casa, dando audiência para esta arena do desrespeito. Assim como não faltam consumidores de todo tipo de banalidade que a mídia veicula. Mas depois, basta alguma menina Isabela ser jogada pela janela por seu pai, para que o brasileiro mostre sua "indignação" e peça com fervor punição para o homicida. Zombar, explorar, humilhar e estuprar pode, matar não, talvez diria algum velho político.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Bem, só tenho que te dar os Parabéns por tantas lembranças de episódios do abuso da imagem de um menor (que não tem consciência para se defender).
    Brasileiro tem memória curta?! Tem memória?! Pimenta no cú dos outros é refresco.

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