17/06/2009

Cai o diploma de jornalismo. O que vai subir?

Caiu hoje o diploma de jornalismo. Não é a primeira vez, embora desta vez a decisão seja definitiva. Leia o trecho de um artigo publicado em 2005 no Observatório da Imprensa por Marinilda Carvalho:
"Jornalista tem que ter diploma, decidiu a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (São Paulo). A decisão cassou sentença de primeira instância da juíza-substituta Carla Rister, que em 2001 extinguiu a exigência do diploma de curso superior em Jornalismo na obtenção do registro profissional para exercício da profissão de jornalista. "O resultado consagra a luta que profissionais, professores, estudantes e diversos segmentos da sociedade empreenderam", diz nota da Federação Nacional dos Jornalistas".
No mesmo artigo, outro trecho:
"Acabo de saber que o diploma de jornalista está valendo de novo", escreveu ao OI o jornalista Pery Cotta, doutor em Comunicação e professor de Jornalismo da Facha, do Rio de Janeiro. "Felizmente, prevaleceu o bom senso".
Todo jornalista que valoriza sua profissão e caráter analisou e criticou os mandos e desmandos de Gilmar Mendes enquanto Ministro. Hoje, feliz com sua conquista durante a sessão que derrubou o diploma, o Ministro (prefiro calar os adjetivos) chegou a comparar jornalistas com cozinheiros e costureiros. Eis a prova cabal do que é este país e de seu povo.
Infelizmente, o presidente da FENAJ Sérgio Murillo, disse que a partir da decisão não pretende entrar com recurso contra, porque ela reflete um posicionamento definitivo do Supremo.
Taís Gasparian, advogada do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo (Sertesp), autora da ação que pedia a extinção da obrigatoriedade do diploma, alegou que a exigência do diploma é inconstitucional, sob o argumento de que a Constituição garante a liberdade de expressão e o livre pensamento.
Para finalizar, eis um argumento do Ministro Gilmar Mendes:
“Quando uma noticia não é verídica ela não será evitada pela exigência de que os jornalistas frequentem um curso de formação. É diferente de um motorista que coloca em risco a coletividade. A profissão de jornalista não oferece perigo de dano à coletividade tais como medicina, engenharia, advocacia nesse sentido por não implicar tais riscos não poderia exigir um diploma para exercer a profissão. Não há razão para se acreditar que a exigência do diploma seja a forma mais adequada para evitar o exercício abusivo da profissão".

Um comentário:

  1. Apesar de tudo, vou terminar minha faculdade de comunicação como se nada (a decisão do Supremo) tivesse acontecido. Concordo que muitos se formam, conseguem o diploma, mas não tem nada a acrescentar, não sabem o que significa responsabilidade social, só querem ser apresentadores de tv, "jornalistas" esportivos, etc..muitos destes passaram, e passam, pela faculdade de comunicação reclamando da quantidade de "coisas par ler", afnal leitura é uma coisa chata, para que perder tempo lendo (Lula que o diga)...então, apesar desses "jornalistas", apesar do que decidiu Gilmar Mendes e sua brilhante comparação (Josnalista = cozinheiro), apesar de tudo, temrino minha faculdade sabendo que meu diploma e o que aprendi nesses três anos de estudo terão valor. Se vou conseguir um bom emprego? Não sei. Mas o que ganhei nesse tempo de faculdade, para mim, não tem preço.

    P.S. Marcelo, parabéns pelo seu blog. Está cada vez melhor. Há muito tempo faz parte dos meus "favoritos". E ter convivido e trabalhado com você lá no Pianel durante um ano, também entra na conta das coisas que que vivi na faucldade e não tem preço. Um abraço.

    ResponderExcluir

DEIXE SEU COMENTÁRIO. SUA VOZ É IMPORTANTE.