13/06/2009

Palavras do tetrapresidente imortal

Diante de todos os sucessivos escândalos e denúncias no Congresso Nacional, de nepotismo, auxílio-moradia, atos secretos, dinhero que vai e não volta, adivinhem qual foi o tema de José Sarney em seu último artigo? O mistério do AF 447.
Faz sentido. Estranho seria o imortal escrever sobre a política brasileira no Congresso Nacional, isto sim, seria preocupante. Com palavras que parecem saídas de um dicionário valiosíssimo, Sarney tece brilhantes pensamentos sobre o acidente, começando em nada e terminando em lugar algum. Nada disse de esclarecedor. Nenhum pensamento merecedor de atenção.
De seu artigo imortal (assim como ele próprio na política e na academia) dois trechos chamam a atenção, "Estou com um chofer em São Paulo e seu assunto não é a política nem o futebol, é a tragédia com avião A 330". Sem dúvida. Se eu fosse chofer de José (o Sarney) não arriscaria a falar de política. Não com ele (o imortal), pois perderia meu emprego em tempo recorde.
Outro trecho lapidar, "Fico pensando como o Lula conhece o imaginário popular. Mas eu permaneço preso à tragédia das pessoas, às lágrimas dos que perderam a esperança e nestes pobres andrajos de carne carregados em helicópteros e levados para os necrotérios". Neste trecho o José (o Sarney) refere-se ao presidente (o Lula) sobre a possibilidade de encontrarmos a caixa-preta do avião, visto que encontramos petróleo em distâncias maiores. O presidente (Lula ou Sarney?) conhece o imaginário popular. Mas o presidente (o José) permanece preso à tragédia das pessoas. E qual ser humano não se sensibilizaria? Mas enfim, fico imaginando, cá com meus botões, se Senadores de outros países do mundo, enquanto alvos de denúncias por meses consecutivos, conseguem elaborar um artigo tão polido quanto inútil.
Mesmo não sendo de sua autoria, a frase-título foi imortalizada por Renato Russo em música de sua composição, "que país é este?". Pergunto-me mil vezes, que país é este? Não encontro resposta plausível. Poderia eu, terminar este artigo com um "e agora José?", mas seria jogar pérolas aos porcos, pois o imortal continua frequentando restaurantes milionários, passeando com chofer, recebendo salários e aposentadorias, sem contar lucros de empresas, mesmo sendo um criador de "homenagens" como matérias legislativas. E mais, ocupa espaço na "Folha de São Paulo" e no "Diário da Manhã" que poderia ser dado para alguém que tem algo para falar. Sua família continuará mandando e desmandando no Maranhão, com impressos, rádios e até afiliada da Rede Globo, nomes de rua, praça, escola, hospital e até uma cidade no interior: "Presidente Sarney". Quem sou eu? Quem é você? Por qual motivo convivemos pacificamente com situações tão desproporcionais, pra não dizer vexatória?

Um comentário:

  1. Lembro-me da morte do Tancredo. Não sei se me lembrarei da morte do Sarney.

    Mas um imortal não morre!

    Bem, pode o Sarney sentir-se muito bem, pois parece que teve todas as homenagens em vida.

    E nós, o que será de nós?

    Ótima reflexão.

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