16/06/2009

Pensamentos vagos sobre Brasil concreto.

Ontem, vendo documentário sobre espanhóis no Brasil em um canal público, um depoimento causou-me reflexões, que por sua vez se concretizam nestas palavras. Uma espanhola, residente em nosso país, disse que pretende voltar para a Espanha assim que puder. Não se acostumou com o estranho hábito do povo brasileiro não ter nenhuma indignação diante de tantos acontecimentos políticos e sociais. Referiu-se aos país de origem dizendo que o povo espanhol é muito diferente neste sentido.
Não é preciso ir até a Europa para constatar a conformidade tupiniquim, basta viajar por outros países da América do Sul, como Argentina, por exemplo. Alvo constante das piadas brasileiras, os argentinos movimentam-se politicamente e socialmente, enquanto
brasileiros limitam-se a fazer humor, carnaval, futebol e outras coisinhas sem importância.
Desde janeiro, por exemplo, venho lendo artigos de diversos autores falando sobre o ocaso da família Sarney e do próprio imortal (o José), alvo constante de denúncias mil. Se eu fosse fazer um histórico de tudo que já li contra o tetrapresidente em 2009, a lista seria grande o bastante para me tomar horas inteiras. No entanto, nenhuma manifestação no país se articulou contra o
Senador, que continua dando declarações demagógicas e se esquivando de qualquer responsabilidade. A própria mídia limita seu discurso ao noticiar denúncias políticas sem construir uma análise profunda. E notem: José Sarney é apenas um componente do Congresso brasileiro, repleto de casos semelhantes, melhores e piores, todos dignos de análise, crítica e indignação.

Os jornais do Rio de Janeiro deram amplo espaço ao caso de homicídio ocorrido na Barra da Tijuca, num prédio de luxo com um apartamento por andar. O caso é sério, como qualquer homicídio, e deve ser resolvido por autoridades competentes. Merece ser noticiado sim, mas será que deveria ocupar o grande espaço que ganhou em todas as primeiras páginas? O Rio de Janeiro sofre problemas sociais muito sérios, e no entanto, parece que o povo gosta apenas do relato simples de casos policiais. E só.

Sinto-me como aquela espanhola, mas com uma diferença vital: sou natural do Brasil e nem tenho como voltar ao meu país de origem, ou seja, o próprio país onde nasci, cresci e ainda moro. Sofro de um amor intenso por esta Terra de Santa Cruz, por todo este território Tupiniquim, mas a cada dia que passa fica mais difícil encará-lo positivamente. Problemas? Todos os países do mundo têm os seus, mas esta conformidade brasileira com tantos mandos e desmandos corta-me ao meio, deixa-me sem chão. Mesmo enquanto estudante de jornalismo, ao passear por blogs de outros estudantes iguais a mim, vejo muitas bobeirinhas e poucos trabalhos de análise ou pensamento social e político. Quase não encontro manifestações indignadas com nada, a não ser que algum ator de novela seja preso usando drogas ou algum ex-BBB tenha alguma atitude polêmica. No mais, tudo padece de uma alegria imbecil e alienada.

2 comentários:

  1. No Brasil parece que estamos acostumados com a corrupção e com a impunidade.

    Infelizmente, não temos relatos de presos por corrupção, quero dizer condenados por corrupção e que estão pagando pena.

    Esta cultura é nossa realmente, e ainda, há algumas pessoas que acreditam que esse "jeitinho" nos favorece, porque supostamente teríamos mais habilidades, seríamos mais criativos etc.

    Não sei se fechamos os olhos para a corrupção porque também somos corruptos ou porque se quisermos mudar, seremos afetados diretamente, logo que todos nós nos beneficiamos da corrupção.

    Veja o seguinte exemplo: um aluno pode tentar colar numa prova, mesmo sendo flagrado e punido,pode tentar novamente. Se conseguir, os outros alunos pensarão que também podem colar.

    Nenhum desses alunos fará uma reclamação formal sobre o fato. Ao contrário, numa oportunidade também tentarão colar. Eles sentirão a vontade de levar vantagem. Não delatam o fato, pois querem ter segurança para fazer uso desse recurso quando precisarem.

    Isso parece uma história ingênua, mas não é.

    Alguns podem dizer que não farão ou que cada um tem a sua consciência. Mas quem poderá nos salvar em outras situações como devios de verba, superfaturamento, prevaricações, formação de quadrilha...

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  2. Poxa....O exemplo da cola me deu frio na espinha...Clareou minha mente.
    Obrigada tio Emerson..rs..rs..

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