24/06/2009

Sarney: o poder do senador.

(Por Luciano Martins Costa em 24/6/2009)
O presidente do Senado Federal, José Sarney, finalmente reagiu às pressões para moralizar a administração do Parlamento e demitiu o diretor geral e o diretor de Recursos Humanos.
Tudo regularizado? Não.
Os dois substitutos indicados pertencem ao mesmo esquema de poder instalado no Congresso pelo veterano senador há cerca de quinze anos.
Uma dessas personagens, a futura diretora de Recursos Humanos, era até abril passado chefe de gabinete da senadora Roseana Sarney, antes de a filha de Sarney deixar Brasília para assumir o governo do Maranhão. O noticiário dá a impressão de que José Sarney ainda não entendeu a situação: ele 0é apontado como o principal responsável pelo mais grave escândalo que já atingiu o Senado Federal em toda sua história. Segundo o Globo, alguns senadores já começam a pedir publicamente seu afastamento da presidência da Casa.
E Sarney continua reagindo como se se tratasse da sua casa, e não da principal casa legislativa do país. Age como se tivesse a absoluta convicção de que é inimputável.
Sem comentários
A estratégia do grupo de Sarney, de empurrar a versão de que os atos administrativos secretos decorreram de erros operacionais ou simples falhas de servidores, durou pouco: segundo os jornais de quarta-feira (24/6), a comissão de sindicância criada para analisar as irregularidades encontrou indícios de que houve intenção deliberada de esconder mais de 660 decisões, entre as quais a anulação da demissão de um secretário parlamentar denunciado à Justiça por fraude na Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia.
A coluna "Panorama Político", do Globo, informa que a Consultoria de Orçamento do Senado encontrou o registro de mais de R$ 3,7 milhões depositados em duas contas secretas na Caixa Econômica Federal, fora da cota única do Tesouro. Agora os investigadores tentam descobrir quem movimentava essas contas e quanto dinheiro passou por ali nos últimos anos.
O noticiário é mais do que suficiente para induzir o Senado Federal a iniciar um processo para a cassação de José Sarney. Mas, estranhamente, a imprensa, em peso, resiste a comentar essa possibilidade.
Estranho, muito estranho.

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