08/07/2009

A arte em massificar

A arte se tornou produto, e como tal, obedece à lógica de mercado. A expressão deixou de ser artística e se tornou propriedade das consciências unificadas e obedece à lógica conformada e massificada na maioria. O sucesso e a fama envolvendo artistas e outras celebridades (estado de célebre) é o objetivo majoritário pretendido, perdendo importância o que se é ou o que se faz para valorizar o que se mostra ou exibe. Vale mais expor qualquer produto do que criar uma obra de arte: é vital ser visto. Além disso, desde o surgimento da indústria cultural, tornou-se raro um artista ser proprietário daquilo que produz.
Marisa Monte lutou para ser proprietária de suas criações e como caso único no país teve êxito. No mais, autores têm os direitos nas mãos de empresas se quiserem circular pelo mercado, ou então, serão donos das obras sem circulação ou com restrições de alcance no mercado. A internet alterou um pouco este cenário, mas a ideologia global ainda é majoritária ao ditar as regras do consumo. O dilema é cruel e implica na própria subsistência do artista ou autor. Aos que se permitem viver fora do mercado, uma vida modesta e muitas vezes dura é o que lhes aguarda.
As conquistas humanas, por sua evolução intelectual e artística, encontram-se submetidas à lógica do mercado e nem mesmo a ciência e o mundo acadêmico se encontram afastados. Tudo está destinado a se transformar em produto e, não raro, antigos intelectuais têm hoje discurso político e social diferente de outros tempos, pois se encantaram pela fama e a riqueza.
Para engendrar todo este sistema de manipulação, não devemos pensar a existência de meia dúzia de pessoas naturalmente más degradando a humanidade no controle absoluto do mundo. Devemos entender o desejo de lucros sem fim, aliado ao desejo de poder que o capital oferece no capitalismo, cria as conseqüências das quais somos vítimas coniventes.
A arte deveria articular-se como máquina de guerra tendo em foco a transformação social, política e filosófica, mas tudo o que surge atualmente não se aproxima disto. A imensa variedade de produtos oferecidos é cada vez mais homogênea e ilusória e o consumo parece ser o objetivo principal da maioria dos indivíduos, unificados pelo speculum e olvidados da arte e da vida.
Por Marcelo A. D'Amico

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