29/07/2009

Breve pensamento sobre a escrita.

Escrever diariamente é uma tarefa árdua. Sem dúvida exige muita leitura, treino e criatividade. A escrita está presente no exercício de muitas profissões, algumas mais gloriosas que outras. Basta lembrar a famosa expressão "letra de médico", referindo-se aos manuscritos quase ilegíveis de alguém. O exercício da medicina é nobre, mas as escritas produzidas por médicos são difíceis de entender.
Para um policial ou guarda de trânsito, a escrita também traz incômodos. Ao multar algum cidadão infrator, suas poucas palavras podem causar muita dor de cabeça e desgaste financeiro. Certos manuscritos de alguns criminosos podem ser usados contra eles, tornando-se prova irrefutável de seus crimes. Neste caso, as palavras registradas em papéis ou arquivos virtuais devem manter seu alcance restrito. O mesmo acontece com políticos ao criar os tais "atos secretos".
Em outros casos, a escrita destina-se ao maior alcance possível. Exibir qualquer coisa escrita, pelo prazer que temos em ficar expostos, torna-se o objetivo. O Twitter pode ser um exemplo disto, quando respondemos incessantemente a mesma pergunta: o que você está fazendo? Os blogs, surgidos como espécie de diário on-line, ainda guardam esta utilidade. Nestes casos, a escrita destina-se a falar do escritor, apesar destas ferramentas ganharem outras funções com o passar do tempo.
De qualquer modo, escrever diariamente é uma tarefa árdua. Seja jornalista, poeta ou cidadão interessado em auto-promoção, a escrita nossa de cada dia é um trabalho hercúleo. Não é difícil escrever bobagens quando se escreve com tanta frequência, e para tanto, não importam os objetivos. Ao mesmo tempo que o exercício frequente aprimora nossa habilidade, ficamos também aptos a escrever asneiras pelo escasso tempo de reflexão sobre o assunto. Ainda mais num mundo que adora repetir "time is money". Qualquer que seja o fim da escrita, sua enorme frequência pode causar um grande prejuízo ao pensamento, ao conhecimento e à reflexão. Este é um dos motivos pelo qual amo ler filosofia. Seja na leitura ou na escrita, não se pode ser rápido ou frívolo com ela.

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