17/07/2009

A cibercultura sem contexto

Cibercultura refere-se aos hábitos, práticas e pensamentos modificados pela convivência com a internet e suas faces tecnológicas. Etimologicamente é a fusão das palavras cibernética e cultura, derivadas do grego. Cibernética significando pilotar e comandar. Cultura no sentido de cuidar, revolver, cultivar ou saber. Existem cinco formas de cultura: filosóficas, literárias, tecnológicas, científicas e artísticas. Definir cibernética e cultura em poucas palavras é pretensão ingrata e simplificadora, mas estas palavras podem servir de guia para quem queira dizer que cibercultura é a evolução da cultura de texto. Isto é no mínimo uma abstração estranha.
Usuários da internet possuem tantas ferramentas e opções virtuais que fica difícil saber se passam maior parte do tempo lendo, escrevendo, assistindo vídeos, jogando, ouvindo músicas ou em outras atividades possíveis. “Fechar” um conceito sobre tema tão recente em si próprio é como não conceituar, diminuindo tudo sob sua ótica ou pretensão. É preciso cautela ao tratar o assunto.
Cibercultura é assunto que gera polêmica, principalmente sobre conseqüências e aspectos positivos. A rede (internet) é de comunicação e mistura texto, som, audiovisual e imagem. O surgimento do hipertexto chegou a ser visto como maravilhoso por algumas pessoas, que correram para criar romances ou outros escritos no formato. Muitos o abandonaram logo depois e outros adquiriram cautela. A internet é como uma biblioteca virtual nunca vista antes e o hipertexto é a estrutura que conecta estes saberes. Uma das características da rede é a constante mudança de conteúdos, aumentando, diminuindo ou até apagando. Diferente dos livros impressos, nos quais o conteúdo não se altera. Assim, analisar o texto de um livro, embora seja um trabalho que demande dedicação plena, pode ser feita a qualquer momento. Já o hipertexto, além de ser várias partes textuais conectadas, está constantemente se alterando, o que dificulta uma análise mais concreta de um texto virtual.
A poesia concreta é texto não linear, mas não traz tamanha possibilidade de fragmentação da leitura como o hipertexto. Esta fragmentação permite que não se acabe a leitura de um texto passando por outros tantos e não apreendendo nenhum. Pensar a internet como um único livro interligado pelo hipertexto é no mínimo otimista. Assim como cunhar expressões como “escrita coletiva” é bastante estranho, pois mesmo que um texto sofra diversas modificações por diversos autores, estes o farão invariavelmente sozinhos na escrita e estarão reescrevendo um texto originalmente de outro autor.
A simplificação do que é cibercultura, hipertexto e outros elementos ligados à internet não só é perigosa como muitas vezes mal intencionada, criando um afã impensado no uso das novas tecnologias. Há autores menos entusiastas ao analisar as novas formas de comunicação, mais cautelosos e menos simplificadores. Conhecer diferentes opiniões é importante para formar a própria, e não idolatrar o primeiro teórico com o qual se faz contato. De qualquer modo, é essencial questionarmos tudo quanto lermos, ainda que sua autoria esteja vinculada a um filósofo da atualidade.
(P.S.: este post não tem imagens, além dos dois quadros pretos.)

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