07/07/2009

A massificação do consumo

A lei mercantil, proclamada como símbolo democrático, credita à escolha da maioria valores de justiça e liberdade para tudo o que é produzido e vendido. Seus discursadores esquecem ou ignoram a manipulação e dominação empreendidas. Porquanto não seja jurídica, a lei está na relação entre consumidores e empresas. Sua existência permite questionar se a oferta homogênea gera demanda democrática ou a demanda democrática é fruto da oferta homogênea? Seria certo perguntar se a oferta “onipresente” de produtos análogos gera o desejo de consumo de produtos análogos e, portanto, não democrático? O marketing e a publicidade devem conhecer estas respostas melhor que outros.

Não se tem democracia de mercado com ofertas uniformizadas, levando ao consumo homogêneo em grande escala com poucas diferenças (quando existem). A escolha majoritária por certo produto revelaria ato democrático caso se comprovasse a variedade na oferta com igual proporção publicitária e consciência de consumidores sobre origens, produção e implicações no consumo. A mídia atua mais para criar e direcionar desejos do que para dar senso crítico e analítico.

A uniformização de produtos, materiais ou não, é facilitadora da produção em grande escala, reduzindo custos e aumentando lucros. Na maioria dos consumidores, a oferta homogênea de produtos causa segurança e conforto. Um lanche do Mac Donald’s é produzido de modo semelhante em qualquer parte do mundo, e não é incomum que um turista prefira comer aquilo que já conhece no local onde mora. Assim, imagina não ter surpresas ou possíveis decepções por já conhecer produto e empresa fabricante.

Situação análoga se encontra na mídia: filmes, programas, novelas, jornais, entre outros. O assinante, leitor ou telespectador procura assistir o mesmo tipo de programa nos mesmos canais, pois está acostumado com o estilo de produção, enredo, linguagem e profissionais envolvidos. Isto oferece segurança e conforto para a maioria, contrariando o estímulo do senso crítico e pensamento. Por outro lado também privilegia produtores midiáticos ao não investir em novos modelos, o que exigiria profissionais com maior formação no mercado, melhores professores e universidades e assim por diante.

A mercantilização do mundo, embora seja contra a essência humana, encontra lugar confortável em vários (ou todos) setores da sociedade, com raras exceções. Mesmo sendo a lei de mercado irracional e apresentando um futuro sombrio para a humanidade e meio ambiente, sua vigência em indivíduos conformados parece criar o que proclamam como democracia.

Por M. A. D. (Autor deste blog, também conhecido por Sr Comunica).

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