16/07/2009

Partidos Políticos - Uma análise geral.

Partido político, enquanto parte de um sistema democrático, parece não desfrutar de plena democracia em sua própria estrutura interna. Reuniões de cúpula do partido são expressão disso, ao decidir o que os afiliados devem acatar. A organização partidária mantém uma oligarquia na cúpula do poder, não expressa desejos políticos de todos e mais distante ainda se encontra da vontade política do povo. A escolha de um político para determinado cargo nada mais é do que a expressão ilusória de liberdade cidadã e representação do povo.
A burocracia partidária dá a sensação de legitimidade democrático-representativa, mas na prática ritualiza o poder atrofiado para um povo majoritariamente analfabeto funcional. Críticas populares aos partidos e figuras políticas não são mais que “conversas de bar”, sem conhecimento capaz de articular ou alterar o sistema político. Mais configuradas como piadas ou lamentações, críticas perdem o valor que poderiam ter ao manter as oligarquias no poder através do voto direto, secreto e obrigatório entre 18 e 70 anos.
(Imagem de William Gropper - Ladder of Success)
Se antigamente, no Brasil do final do século XIX, os poucos políticos que trocavam de partido eram vistos com maus olhos, hoje a troca tornou-se hábito comum e mal chega a ser alvo de críticas. Durante o Brasil Colônia e a República Velha, talvez se possa explicar a fidelidade partidária pela impossibilidade de candidatura da maioria popular, resguardada por lei. Hoje, a manutenção no poder se faz através de outros artifícios, que tiram o caráter democrático dos partidos e garantem aos políticos a ampliação de seus poderes, elegendo muitas vezes até seus cônjuges e filhos. A política, ofício de carreira, garante poder e dominação, facilitando a obtenção de bens e empresas privadas, assim como o enriquecimento pessoal.
Na prática, a máquina partidária reproduz a estrutura e a burocracia que em discursos políticos se diz contrária. Os objetivos partidários não são o de realizar uma política democrática pelo bem-estar social, e sim o de conquistar poder e mantê-lo sob sua égide. Para tanto, adota práticas de combate político de oponentes e ganha estrutura interna semelhante a de militares, na qual a hierarquia e a tomada de decisões funciona da cúpula para os demais partidários. Os partidos existem e sobrevivem mantendo a ilusão democrática e intervêm autoritariamente quando as bases tentam se organizar de modo contrário ao desejo das lideranças partidárias.
O referendum, enquanto consulta popular para ratificar ou não uma norma legal, atesta a atrofia das instituições, comprovando mais uma vez o poder das lideranças político-partidárias sobre o povo. Nos três referendos realizados no Brasil, em 1963, 1993 e 2005, com maior polêmica para o último, os dois primeiros demonstraram facilmente os desejos políticos de quem estava no poder. O referendo de 2005, como não influenciaria na manutenção do poder e também por ser controverso, acirrou maiores debates públicos, sem que houvesse alguma mudança efetiva na violência armamentista brasileira.
Em toda a história do Brasil, desde sua existência, os partidos políticos sofreram restrições em períodos ditatoriais, mas poucas alterações realizaram nos períodos democráticos. Na maior parte do tempo, atende aos interesses econômicos concentradores de capital. Na prática, pode-se dividir os partidos em duas posições políticas, situação e oposição. Independente de qual partido ou coligação ocupe determinada posição, sua atuação será muito semelhante, seja de esquerda ou de direita.
A população brasileira continua sofrendo necessidades básicas de saúde, educação, alimentação, habitação e saneamento básico, e pouca alteração pode-se perceber no decorrer da história. Partidos e suas figuras políticas continuam hábeis em alterar números trocando, por exemplo, uma maioria de analfabetos (início do séc. XX) por outra maioria de analfabetos funcionais (atualmente). Nos índices governistas, a maioria do povo está alfabetizada, sem que na prática sejam capazes de ler e compreender mais que duas ou três páginas escritas. Em outros setores sociais, a mesma manipulação é feita, e muitas vezes ganha apoio da mídia neste discurso. Elementos políticos se alteraram na história, mas continuamos tendo enormes diferenças sociais, com estratificação social semelhante a castas intransponíveis.

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