12/07/2009

Poder, mídia e capital.

O capital (poder econômico) aliado à mídia (poder de comunicação) é agente mantenedor da ideologia da globalização. Dinheiro, por si só, não constitui capital, pois este significa a moeda somada ao poder de atuação na sociedade. De modo semelhante, a mídia por si só não implica em poder se não for custeada pelo capital de grupos empresariais anunciantes. Na relação ativa entre mídia e capital é que se encontra o poder da globalização, no qual um sustenta ao outro se garantindo mutuamente.
A internet, enquanto meio de diluição de formatos, a mídia e as megafusões empresariais constituem a garantia hegemônica do ideal capitalista, propagado constantemente, em muitos espaços e de vários modos. Vendo um jogo esportivo pelo celular, lendo pela internet ou ouvindo músicas na rádio do carro pode-se “consumir” produtos de um mesmo dono de empresas de diversos gêneros como Murdoch, por exemplo. Basta pensar que um destes empresários queira “extinguir” certo pensamento e privilegiar outro com a “maquinaria” que possui para imaginar seu poder de atuação global de formatação ideológica.
No esfera da consciência e da mente, o indivíduo pode não estar no lugar em que se encontra fisicamente e, ao mesmo tempo, pode estar sempre num só lugar (mental) em relação aos sonhos, desejos e pensamentos. A tecnologia atual é propiciadora deste cenário contraditório. Assim se pode viver virtualmente confinado num espaço imaginário e distante da diversidade espacial e material da atualidade. Qualquer indivíduo pode viajar o mundo todo mas desfrutar, no campo mental, apenas de novelas e outros programas da Rede Globo, por exemplo.
Nos veículos de comunicação há discursos diferenciados em aparência, mas partes de uma só ideologia. Expressam uma mesma opinião (ou falta) sobre os fatos que deveriam analisar criticamente. Isto quando não se encontram falando de si mesmos (quando veículo comemora sua atuação e ressalta sua importância no mundo). Mídias jornalísticas acabam se comportando do mesmo modo que novelas, músicas e filmes ao apresentar o mesmo modelo de vida e atitudes como receita que se deve seguir para o sucesso.
Assim, o indivíduo vê um só discurso em todos os lugares, mídias, anúncios e veículos a confirmar aquilo que acredita ser suas próprias convicções. Não se presta a questionar o mundo ao redor, pois ouve a mesma coisa o tempo todo, o que lhe confere uma espécie de veracidade para as ilusões admitidas como doutrina de vida. Não distingue na relação entre mídia e capital o poder de pilotagem de suas escolhas.

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