15/07/2009

Presença e ausência na atualidade

A criação dos significantes (símbolos) e respectivos significados se fez possível diante da ausência de um objeto em questão. Através da não presença e necessidade de representação ou referência é que o ausente se fez presente. Com o passar do tempo, a comunicação somada aos pensamentos e à subjetividade permitiu diferentes modos de representação, levando a diferentes conteúdos e interpretações da realidade por variados processos.

Pode-se falar sobre Roma sem, no entanto, estar fisicamente ali. Hoje, a tecnologia permite ao sujeito estar virtualmente em Roma, Sidnei e Manaus constantemente, ainda que se esteja materialmente no Rio de Janeiro. Para quem se aventurar passear através da internet por vários lugares simultaneamente, pode-se confundir monumentos, locais e histórias entre cidades. A confusão potencial na esfera virtual é bem menos freqüente no mundo real, material.

A eterna presença/ausência fragmentada na internet, com quantidade de informação maior que a capacidade de assimilação de um indivíduo, pode causar erros crassos. Seja pela veracidade apresentada, seja pela quantidade, velocidade ou simplificação da informação, a era atual leva facilmente a confundir idéias, pensamentos e conceitos. Nada se fixa ou aprofunda, apenas impressiona o sujeito e se evapora.

A sensação de simultaneidade na internet cria o anseio de obter respostas em tempo cada vez mais rápido, assim com as “leituras” que s faz, diminuindo significativamente o período necessário para assimilação de conteúdo. Uma correio eletrônico não respondido de imediato pode causar discussões e desconfianças entre pessoas. Sem perceber, acaba-se exigindo a prontidão constante para atender e responder aos interesses de quantos nos clamarem atenção. O indivíduo ausente se faz constantemente presente. A falsa sensação de controle presente faz antigas formas de relacionamento ausente se modificarem substancialmente.

Entre controlar as máquinas e ser controlado por elas, devemos avaliar qual é nossa posição. Repensar os termos de presença e ausência, considerando a diluição conceitual e prática entre elas. Ponderar os discursos midiáticos que mostram a dependência tecnológica como algo inocente, bucólico. A liberdade de escolha e ação deve ser orientada pelo pensamento consciente, crítico e analítico, caso contrário, implica apenas em dominação, deixar-se ir com a maré.

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