03/07/2009

A unificação dos indivíduos através da ilusão

O espetáculo (speculum em latim) enquanto espelho e especulação, tornou-se a própria sociedade, unindo consciências, mas tendo somente parte como concentradora de olhares atentos. A parte, nem sempre consciente de seu papel, poderia ser mais bem compreendida na citação de Sócrates, “ninguém é mau voluntariamente”, a ignorância aliada ao egoísmo conduz aos males. A unificação destas consciências é percebida em relações sociais, mediada por imagens amplamente difundidas, substituindo qualquer forma de pensamento crítico ou analítico complexo. Os seres modernos vivem em especulação efêmera, distantes de exercerem escolhas por vontade própria, iludidos pelo continuo espetáculo social.
A frase consagrada popularmente “uma imagem vale por mil palavras” pode ser entendida nestas consciências unidas como fotografia (imagem) valer mais que livros (discurso). Não há motivo para usar ou valorizar um em detrimento de outro, pois têm naturezas distintas e podem ser complementares. A preferência imagética não surgiu espontaneamente, mas foi construída por intenções distintas perfeitamente cooptadas pelo capitalismo produtor de lucros demasiados. Neste sentido, o Catolicismo deu enorme contribuição para a idolatria e educação através da imagem e o Luteranismo e Calvinismo para o estabelecimento da “meritocracia”, do sucesso conquistado através do trabalho exaustivo.
A consciência (predicado do indivíduo) perde valor subjetivo ao ser amalgamada numa espécie de consciente coletivo, deslumbrado com parte da sociedade que encena incessantemente os recursos de cooptação das autonomias pessoais. Os “ilusionistas” se tornam tão “escravos” quanto os iludidos, ainda que despercebidos. Unidos pelo speculum, são separados de si pela falsificação da realidade, representação e banalização da vida. A idéia de igualdade potencial faz com que lutem permanentemente a favor de falsos heróis e contra inimigos ilusórios. Assim, perde-se sempre, acreditando poder melhorar na próxima vez, e quem sabe ganhar.
Numa relação de poder entre Cristianismo e Capitalismo, Mídia e Estado, (e entre todos ao mesmo tempo) cria-se poderosa máquina produtora da espetacularização mundial. Como a ideologia produzida por esta máquina que pilota atitudes, podemos entender globalização. Este produto, como “vírus mental” , adentra consciências e domina sem resistências, constituindo o que se pode chamar de “guerra semiótica”. A realidade não é mais que o ilusório. Mesmo o poder financeiro (capital) é cada vez mais reproduzido e representado, distante do tato e difícil de ser obtido e controlado objetivamente. Unidos e pilotados pelo speculum, deixamos de ser humanos.
Por Marcelo A. D'Amico

2 comentários:

  1. Uma bela reflexão amigo! Mas tem algo que anda me deixando mad neste seu Comunicatudo: esse carnaval de cores tem algum sentido?
    Ou é pelo fato de vc estar aí na cidade maravilhosa?
    Acompanha as suas atualizações pelo google reader e, dependendo da cor do texto elas simplesmente desaparecem...
    Zele pelos assinantes do seu rss/feed!
    Abraço!

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  2. Caro Guilherme Salla, sua reivindicação será atendida, com toda certeza. Eu sinceramente não sabia deste detalhe. Quanto as cores, oras, gosto de cores. Só isso. Abraços.

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