27/08/2009

Caro Sr. Anônimo

Na postagem "Eduardo Paes quer arrecadar mais" (clique no título) recebi um comentário de alguém identificado como anônimo. Muito gentilmente e em bom português, escreveu:

Nao é possível resolver todos os problemas de uma só vez. Qualquer um que sentasse na cadeira teria dificuldade. Temos é de ter paciência. Criticar, claro, mas com o desejo de ver as coisas melhorarem.

Sem dúvida. Nunca neste blog escrevi sobre as facilidades de se administrar uma cidade, um estado ou país. Ao contrário, reconheço com clareza as dificuldades de uma administração pública. E mesmo antes de receber tua ótima sugestão: "Criticar, claro, mas com o desejo de ver as coisas melhorarem", já o faço há muito tempo, até por questão de princípios éticos.


Porém, meu caro Sr. Anônimo, temos de concordar em alguns pontos, provavelmente. Nunca vi o carnaval carioca deixar de receber verbas públicas e por isso deixar de ser apresentado. Natural, inclusive porque gera renda para a iniciativa privada e, consequentemente, órgãos públicos. Com o setor da saúde, vejo exatamente o contrário, e digo isto não de uma poltrona da Assembléia Legislativa ou Assessoria de Imprensa. Faço isto de uma cadeira na Zona Norte, como quem espera uma vaga em qualquer hospital público, estadual ou municipal, para realizar uma cirurgia que tenho de fazer. Falo isto como quem já entrou em crise de esgotamento emocional e intelectual dentro de um hospital, logo ali, na belíssima Barra da Tijuca, coincidentemente ao lado daquele entulho carnavalesco da prefeitura carioca, a Cidade da Música (ex-Roberto Marinho). Um relato deste episódio, completo, pode ser lido clicando AQUI.


Ao mesmo tempo, nunca vi uma campanha semelhante ao da Copa 2014 ou do Rio 2016 com a saúde pública. Nunca vi nosso estimado prefeito pedir para acernarmos para o secretário da saúde, dando-lhe forças e mostrando-lhe quanto o carioca é grato pelos serviços prestados pela Prefeitura ou, quem sabe, Governo Estadual. Mas vejo esta campanha ufanista para o Rio 2016. Tudo para quando chegarmos em 2014 e 2016 vermos reportagens na TV Globo sobre o legado dos dois eventos, assim como foi com o PAN 2007. Tenho uma sugestão brilhante aos administradores públicos cariocas: poderíamos ter legados, muitos legados, antes de 2014? Incluindo a saúde?


No caso da Copa de 2014, porque não seguimos o exemplo do estádio de Porto Alegre, que irá ter sua reforma com verbas da iniciativa privada? Seria tão legal economizar um pouquinho no "Museu da Imagem e Som", na "Cidade da Música (ex-Roberto Marinho)", no estádio do Maracanã e fornecer um tratamento mais digno ao cidadão carioca, que paga seus impostos, inclusive.


Sobre estas diferenças é que falo. Sobre a Barra da Tijuca ser o bairro que tem a maior porcentagem de devedores de IPTU e IPVA em toda a cidade do Rio de Janeiro, e mesmo assim, compare a situação das vias públicas e transporte público da Barra com Padre Miguel, por exemplo. Dificuldades, tenho certeza que existem. Mas será que nossa administração pública não privilegia a Zona Sul e a Barra da Tijuca, "pacificando" a Cidade de Deus, o Dona Marta, Chapéu Mangueira e outras favelas que circundam tão nobres bairros? Aliás, muitos moradores destas favelas estão reclamando das ações públicas impostas nestes locais, pois acabaram com muitas manifestações culturais destes locais, tudo em nome da segurança pública. Isto é o desejo de ver as coisas melhorarem? Pra quem? Fazer com que os moradores destas comunidades paguem impostos, todo mundo quer, mas não poderia se respeitar sua cultura também?


Agradeço mais uma vez ao comentário e espero outras colaborações, pois é no embate de idéias que poderemos melhorar o FOCO da administração pública no Rio de Janeiro.

Um comentário:

  1. Não podemos esquecer o número de atletas que ficam mendigando patrocínio pra competir em locais, que as vezes nem são tão distantes, mas que necessitam de um mínimo de apoio $$.
    São estas pessoas também batalhadoras e sedentas por dignidade, que o prefeito Eduardo Paes quer que dê tchauzinho pro comitÊ?
    Ui....Se fosse uma pessoa consciente do que fala, botava a cara pra bater. Assinar como anônimo é exigência da assessoria de imprensa?! Ui...

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