04/08/2009

Opinião pública é uma, opinião publicada é outra.

"Severino Cavalcanti, lembra? Severino foi apanhado em flagrante recebendo um capilezinho por fora, para assegurar ao restaurante da Câmara dos Deputados o direito de continuar funcionando. Sofreu pesada campanha de imprensa, teve de renunciar para não ser cassado. E se elegeu prefeito de sua cidade, João Alfredo (PE).
Jader Barbalho, lembra? Teve de renunciar à presidência do Senado para não ser cassado, foi preso pela Polícia Federal acusado de envolvimento num escândalo da Sudam, sofreu pesada campanha de imprensa. E se elegeu novamente deputado federal, com toda a facilidade.
Fernando Collor, lembra? Foi afastado da presidência da República por impeachment, ficou com os direitos políticos suspensos, sofreu pesada campanha de imprensa. Depois, elegeu-se senador.
Antonio Carlos Magalhães, lembra? Teve de renunciar para não ser cassado e sofreu pesada campanha de imprensa. Elegeu-se novamente e ainda foi por muitos anos o grande cacique da política baiana.
Em português claro, a opinião do Centro-Sul, base dos maiores meios de comunicação, não é a mesma das outras regiões do país; e, mais importante ainda (já que muitas vezes o eleitor dá seu voto exatamente onde os grandes veículos movem suas campanhas), a opinião publicada não tem muito a ver com a opinião pública. Há diversos exemplos: Jânio Quadros se elegeu prefeito de São Paulo pela primeira vez contra todos os grandes jornais da cidade; Adhemar de Barros raras vezes teve um grande jornal a favor, e sempre desempenhou papel decisivo nas eleições paulistas. Leonel Brizola ganhou no Rio contra todos os meios de comunicação de importância" - trecho do artigo escrito por Carlos Brickmann e publicado no
Observatório da Imprensa.

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