07/08/2009

Os deuses da informação brasileira.

Três jornais impressos no Brasil pautam nossos assuntos, Folha, Estadão e O Globo. Por isto, pode-se imaginar que juntos vendam cerca de 50 milhões de jornais pelo território nacional, certo? Errado. A Folha chegou a vender um milhão de impressos quando estava no auge e não chamava ditadura de "ditabranda", quando não inventava ficha falsa da Dilma, quando não imprimia pânico com dados manipulados e assim por diante. Hoje, somando a circulação diária dos jornais paulistas mais o carioca chegamos próximos de 700 ou 800 mil por dia. Então, por quê possuem tanto poder?
Não é novidade que o eixo Rio - São Paulo é o pauteiro dos assuntos nacionais. Festa popular em Roraima? Solenidade no Acre? Não. Ficamos sempre com "mais do mesmo". Este ano, por exemplo, a dengue matou muitos brasileiros, mas como não houve vítimas no eixo Rio - São Paulo, a "notícia não é noticiada". Como assim: notícia não noticiada? Sim, pois os jornalões e a rede Globo de televisão pautam as notícias que você deve saber (temer) ou não.
Digamos, quatro empresas em um único eixo é um número baixo para a comunicação de um país como o Brasil. Isto, sem considerar as sociedades empresariais que possuem. Enfim, são mais de 200 milhões de cidadãos limitados aos interesses deste "quarteto". Levando-se em conta que "O Globo" é do mesmo grupo da Rede Globo e que existem interesses cruzados entre as quatro empresas, resta apenas uma espécie de "Deus da informação/SA", aparentemente dividida com nomes diferentes.
Esta "Deus da informação/SA" já teve seu período de glória em nosso país, quando apoiava a Ditadura Militar, depois apoiou a democracia, derrubou Presidente e empreendeu semelhante campanha contra outros políticos, agora direcionada ao Senador Sarney. Mas conforme o tempo passa, os deuses estão percebendo que já não possuem tanto poder assim. Eis o desespero deles e a apelação incessante para factóides. Eis o medo crescente da Confecom e sua tentativa de embargá-la.
Por isso e muito mais é que se popularizou o nome P.I.G. (Partido da Imprensa Golpista) na internet. E se não conseguirem eleger seu presidente, qual será o próximo passo? E se as vendas continuarem caindo? Se mais e mais pessoas deixarem de assistir aos jornais? E se a Confecom conseguir discutir os assuntos que pretende e são importantes para a sociedade? Não sobrará pedra sobre pedra. Por isso estão desesperados e elegeram um "Judas" no Congresso para queimar, porque precisam desestabilizar o governante aplaudido no exterior, sem que alguma mudança sistêmica aconteça. Claro, não querem mudanças no sistema, pois se beneficiam muito dele do modo como está. É assim agora, foi assim no passado. Ricupero, Jader, Calheiros, Edmar, Maluf entre outros. O que mudou de fato no sistema político brasileiro? Nada.
E continuam pautando o que você deveria saber? Tentam não perder o controle e sabem que se a informação pode ser usada para dominar e manipular, também pode ser usada para libertar. Este é o papel essencial de jornalistas e grupos sérios e éticos ao utilizar a internet, noticiando as coisas que devemos saber mas que jamais veremos no Jornal Nacional ou estampado em primeira página.
"Deus da informação/SA" tenta mostrar seu poder, mas não o tem sozinho. Tem poder as empresas anunciantes que financiam veículos de comunicação. A mídia tem voz mas precisa de audiência, precisa ser vista e ser comprada. O capital está com os anunciantes que financiam a mídia, que por sua vez precisa do público para ter anúncios. Este é o círculo do poder que pode ser interrompido.
Esta semana o Jornal Nacional perdeu audiência em comparação com a novela que o precede, ou seja, milhões de pessoas mudaram de canal ao ouvir o casal de jornalistas dizer "boa noite". Aqui no Rio de Janeiro, o jornal Extra, das empresas Globo, teve queda de 25% em suas vendas. Os outros também. O P.I.G. pode até conseguir muito do que deseja, mas não poderá esconder por muito tempo um fato crescente: a perda de seu terreno de manipulação. Estamos no meio de um processo de maior liberdade de expressão (diferente da defendida por Taís Gasparian e seu sindicato patronal) e poderemos, em breve, ter um país que não mais será educado pelo medo do sensacionalismo noticiado, mas sim pela consciência dos fatos.

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