13/08/2009

Talvez você não entenda nada...

Não é difícil brasileiro se revoltar com mandos e desmandos políticos exibidos e publicados diariamente pela imprensa, mesmo esta revolta sendo inócua e nunca resultando em nada além de conversas em mesa de bar. Na prática, funciona como indignação surda, cega e muda, orquestrada pela batuta mágica dos "donos da informação brasileira". Denúncias midiáticas sobre o mau uso de verbas públicas não são novidades. Quase não existiam no período da Ditadura Militar, mas depois ganharam forças, por ser ótima ferramenta política dos não-políticos.

Calma, ufanistas. Não defendo a "corja" política e entendo o que maus políticos podem causar ao país, mas engrossar o coro da imprensa contra este ou aquele figurão, nada resolve. É querer derrubar um ator da peça teatral que continuará em cartaz com outro ator em seu lugar. Entendo também ser injusto chamar de "corja" toda a classe política, pois existem homens sérios neste país. Mas como reformar o sistema político? Esta é a grande questão.

O mundo passa por uma crise financeira. Países preocupam-se com iniciativas para superar esta crise. Por incrível que pareça, a economia brasileira está boa como nunca esteve antes, ainda que ex-presidentes e outros políticos fiquem choramingando a paternidade desta ou daquela benfeitoria política. Investidores estrangeiros aplicam no país por este motivo, economia estável e promissora. O Brasil ainda necessita de infra-estrutura e isto se torna positivo, embora não fosse desejável, porque precisamos de investimentos para construir estradas, saneamento, etc. Investimentos geram empregos, melhoram a economia e dependem muito de quem nos governa.

Mas e o sistema político? Definitivamente não se altera derrubando este ou aquele político eleito. Não há dúvidas de que o Brasil precisa de reformas e esperamos por elas nos últimos 15 anos, desde a consolidação do Real. Reforma política, administrativa, tributária, agrária, educacional e assim por diante, mas nenhuma se concretizará sem debates envolvendo setores da sociedade, sem que o povo saiba eleger candidatos comprometidos com estas reformas e sem que saibamos do que precisamos em nosso país, sem que a imprensa participe do processo com debates, reportagens e informações reais para a nação.

Mas ninguém no Brasil parece estar envolvido com debates sobre reformas políticas, tributárias, agrárias, educacionais ou seja lá o que for. Infelizmente! A grande imprensa está interessada em derrubar seus concorrentes a qualquer custo, iniciando uma guerra na qual não haverão vencedores. Aliás, são duas empresas de televisão que usufruem de uma concessão pública e possuem programação quase idêntica, de baixa qualidade intelectual ou cultural. O povo está apenas engrossando o coro desta imprensa interessada em prorrogar os debates sobre o Pré-Sal e outras possíveis reformas para depois das eleições.

Pergunte-se: se os países estão movimentando-se contra a crise, e isto pode ser notado na imprensa deles, por que nossa imprensa se preocupa apenas em denunciar políticos, fazendo o Congresso patinar numa discussão interminável? Por que a imprensa está interessada em dinamitar diariamente partes de um governo que colocou o Brasil num momento econômico nunca visto antes? Por que esta mesma imprensa se nega a participar de um momento histórico e essencial do país, a CONFECOM? Quais serão os resultados concretos destas ações denuncistas na política e na economia? Surgirão reformas disto? Você tem lido algo nete sentido? Bombardear a Petrobras quando deveríamos discutir o Pré-Sal faz sentido? Querer a extinção da TV Brasil é a solução de possíveis problemas? Por que esta mesma discussão não se estende sobre outros canais de concessão pública?

Não é fácil ver, acompanhar, saber e analisar os movimentos da imprensa, da política, economia e assim por diante. Mas se você fala "abaixo isto" ou "fora aquilo" talvez você esteja apenas atendendo os interesses de empresários que são, no mínimo, iguais aos políticos atacados, pois também são contra a evolução e crescimento do país. Engrossar o coro da imprensa é não perceber que parte de nossa grande mídia quer detonar tudo o que for contra seus interesses. Sendo assim, esta parte da mídia se coloca numa posição superior a você, cidadão e eleitor, e superior ao legislativo, ao judiciário e executivo. Nossa indignação deve exigir reformas no país, todas as reformas que esperamos por anos e que nunca foram realizadas, inclusive no sistema de comunicação. Qualquer coisa fora disto é apenas o controle empresarial de um povo como se este fosse marionete. Nada mais.

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