25/09/2009

Imprensa e golpistas juntos

Este é mais um capítulo vergonhoso para a imprensa brasileira. Neste importante momento histórico da América Latina, no qual devemos nos atentar contra golpes articulados, a imprensa brasileira e jornais televisivos, distorcem os discursos para colocar o Brasil em situação delicada e mentirosa.
Acostumados que estão a apoiar Ditaduras e Golpes, nossa imprensa não se cansa de usar argumentos nunca comprovados como base de seus discursos pseudo-jornalísticos.
Abaixo reproduzo trechos do excelente Eduardo Guimarães em seu blog Cidadania.com, com grifos meus.
"[...] Ontem (5ª feira), na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, dois parlamentares, os deputados Chico Alencar (PSOL-RJ) e Pedro Wilson (PT-GO), produziram excelentes análises sobre a tentativa dissimulada de televisões e jornais ligados à oposição ao governo Lula de coonestarem o golpe de Estado em Honduras. Inclusive citaram a Globo nominalmente.
Em verdade, a direita das três Américas, com seus jornais e tevês, uniu-se para envolver os povos da região numa farsa, tentando vender a idéia de que existe qualquer resquício de legalidade no golpe de Estado contra o presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya. [...]
Os envolvidos nessa farsa têm à frente a Globo, a Folha de São Paulo, o Estadão, a Editora Abril, o PSDB e o PFL. Pelo lado da imprensa, são jornais, rádios, tevês, revistas e portais de internet que integram o que se convencionou chamar de mídia e que atravessou o século passado defendendo e praticando o golpismo de direita enquanto condenava o de esquerda.
Zelaya [...] propôs foi uma Assembléia Nacional Constituinte. Dizer que a finalidade dessa proposição era conseguir um novo mandato é uma farsa, pois afirmam como verdade o que não passa de suposição dos golpistas. [...]
Denuncie que os golpistas criminosos de Honduras atacam a tiros manifestações pró Zelaya enquanto organizam passeatas da elite econômica e racial de Honduras de apoio ao golpe, passeata que desfila por Tegucigalpa protegida pelas mesmas forças de repressão que atacam camponeses, favelados, trabalhadores e estudantes que lutam pela democracia. [...]
Evidentemente os golpistas não aceitarão acordo nenhum. Se perderem o poder, os sucessivos crimes que vêm cometendo acabarão sendo investigados e punidos, cedo ou tarde. Qualquer tentativa de acordo com eles esbarrará em seu instinto de auto-preservação. [...]
Os democratas brasileiros devemos atentar para o seguinte fato: os jornais e tevês supra mencionados, bem como os de outros países das Américas que sofreram golpes militares no século passado, já incentivaram e depois deram sustentação a golpes de Estado e violações de direitos humanos valendo-se de “argumentos” falaciosos como esse que voltam a vender para justificar a ação criminosa dos golpistas hondurenhos. [...]
Só a denúncia incessante poderá impedi-los de enganar a população e fazê-los refletir que as Américas não mais aceitarão golpes de Estado como os que sempre apoiaram. [...]"
.
Para saber mais sobre o que acontece em Honduras, clique nos títulos abaixo:
Torturas são denunciadas em Honduras

Um comentário:

  1. Faces do golpismo

    Há duas atitudes aparentemente distintas perante o golpe de Estado hondurenho.
    Uma destila o tradicional veneno antidemocrático, de retórica agressiva e valores distorcidos. Encontramo-la no udenismo renovado que aflorou no vácuo moral das classes médias urbanas. Para a vertente, Zelaya caiu porque mereceu, porque o “chavismo” deve ser combatido a porrete.
    A outra face, enganadoramente inofensiva, escuda-se na apatia manhosa do pior provincianismo. Prefere a omissão do colonizado jeca, escancarando a banguela, tirando o chapéu para o painho estadunidense. Tem vergonha de ser brasileiro e defende que o país ocupe seu lugar na latrina do mundo subalterno. Convenientemente ignóbil, não “consegue” perceber que as próximas eleições hondurenhas vão justamente sacramentar o golpe, tornando-o irreversível e impune.
    Ambas as posturas são complementares e indissociáveis. Mescladas nas diversas gradações combinatórias possíveis, constituem o estofo ideológico de todo movimento golpista: sempre há uma vanguarda atuante, apoiada na massa de manobra servil, que lhe garante a ilusão da legitimidade.
    É importante entender esse mecanismo em funcionamento durante episódios externos e distantes, para reconhecê-lo quando operar em nosso próprio ambiente.

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