17/09/2009

A troca dos "tempos"

Os mais atentos podem ter reparado. A grande mídia aliviou, temporariamente, a pressão pra cima do governo. Veja bem, aliviou. Para quem vive na lua e acompanha a "realidade" através de periódicos e televisão, fica a imagem (ou esquecimento) de que Lina Vieira perdeu importância. Sarney não é mais tão perigoso como semanas atrás, mesmo com jornais pegando a declaração "Mídia é inimiga das instituições" do Senador, defendendo seu filão e atacando o tetrapresidente. Aliás, a declaração foi retirada de um imenso discurso (li inteiro) e pode ser lido clicando AQUI.
De repente o Jornal Nacional decidiu falar bem da economia do país. Chega uma hora em que os fatos não podem ser negados, mesmo para o jornalista William Bonner (jornalista por atividade mas formado em Publicidade). O 'Le Monde' publicou artigo no qual diz que Lula teve visão correta ao chamar a crise de marolinha. A gripe suína também está perdendo sua força de notícia, muito distante dos 67 milhões, em oito semanas, de casos previstos pela Folha de SP (tivemos pouco mais de 9.200 casos em 2009, até o momento). A "briga" da Globo com a Record também ganhou ares de cuidado, principalmente depois da TV de Edir Macedo ter comprado o documentário "Beyond Citizen Kane".
Neste momento de "entre-safra" entra em campo a infalível violência. Poucas notícias funcionam tão bem na mídia como os dramas de pessoas acometidas por algum tipo de violência. Estas notícias nunca têm a função de contextualizar nada, não oferecem um pensamento social ou estrutural para que possamos compreender o que é, de onde vem e qual o motivo de sua existência. Basta apenas a simples exibição dos dramas pessoais.
A mídia é movida por notícias e espetáculo e nesta linha, não interessa o homicídio de um sem-terra no RS, mas interessa a nobre bancada ruralista, bem representada pela Deputada Kátia Abreu, ao defender uma CPMI contra o MST (a terceira nos últimos 5 anos). A bancada é especialista em defender interesses próprios.
O Congresso ganhou "tempos de alívio" e Rio de Janeiro e São Paulo ganharam "tempos de guerra". Nestas trocas, não posso deixar de comentar a família sequestrada por mais de duas horas numa favela do Rio, exibida em todos os canais de televisão. Ao prenderem os traficantes após a chegada de familiares e libertarem os reféns, a senhora que ficou em poder dos bandidos disse que teve medo de morrer e perguntou se eles próprios (reféns) seriam presos. Jornalistas referiram-se ao comentário dela como uma confusão por conta da violência vivida, mas nunca vi um empresário cometer semelhante confusão ao ser libertado. O que eu quero dizer? Bem, quero dizer que esta senhora apenas expressou a realidade vivida, observada e apreendida em seu íntimo: morador da favela é quase sempre preso, mesmo sem saber o motivo.

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