01/10/2009

Jornalismo no Brasil e no mundo


Alguns telejornais e impressos da mídia brasileira estão certos aos dizer: "notícias do Brasil e do mundo". Certíssimos. O jornalismo da grande mídia brasileira não é o mesmo do restante do planeta.

Um exemplo: os golpistas de Honduras foram isolados pelo Governo Brasileiro, pela OEA, ONU, Parlamento Hondurenho e muitos outros (pelo mundo). Os golpistas só encontraram apoio da grande mídia brasileira como a revista Veja, O Globo, JN, Folha...
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Não há como pensar ou analisar a mídia do planeta Terra, é preciso separar o Brasil do Mundo. São muito distintos, com pequenas semelhanças com os EUA, ou melhor, o jornalismo tupiniquim é uma cópia piorada e provinciana do modelo norte-americano. Luis Nassif escreveu:
"Esse jornalismo de hipóteses que caracteriza o neojornalismo tupininquim não tem receio da desmoralização, do fato de diariamente tentar passar a perna nos seus leitores – tendo como testemunhas toda a Internet.
Tome-se um caso. A diplomacia norte-americana se enrolou com o caso. A Secretaria de Estado Hillary Clinton adotou uma posição legalista no caso Honduras. Otto Reich, especialista americano da era Bush – influente, com participação na tentativa midiático-empresarial de tentar depor Hugo Chávez – conseguiu convencer parte do parlamento sobre o risco Zelaya. Houve um descompasso que levou o embaixador norte-americano na OEA a criticar Zelaya.
O que era um problema da diplomacia norte-americana – o de não ter uniformizado o discurso sobre o tema – foi colocado como uma crítica ao Brasil. Nem se cuidou de informar que a posição da Secretária de Estado era outra."
Ontem, no jornal noturno da Globonews, lia-se a legenda: :"Zelaya é filho de fazendeiro rico", ou algo do gênero. Mas a grande pergunta é: E DAÍ? O que esta importante informação apurada pelo jornalismo tupiniquim de ponta altera no Golpe em Honduras? O português Mário Soares, em fevereiro de 2008, também definiu de modo exemplar nossa imprensa:
"Quem ler os jornais, cheios de faits divers (fatos diversos) e de escândalos e seguir as televisões, parece que o Brasil está à beira de um colapso. Casos de corrupção, de violência nas cadeias e nas favelas, insegurança generalizada. Ora, não é assim. O Brasil está hoje na maior, para usar uma expressão bem brasileira."
Não é exagero de minha parte dizer, você quer conhecer o Brasil? Então leia a imprensa internacional; troque a assinatura da Veja por Carta Capital. Quer saber o que se passa no 'grande mundo' brasileiro? Acesse: CLIPPING DE NOTÍCIAS, é gratuito, atualizado diariamente e nele você lê notícias dos jornais: Correio Braziliense, Folha de São Paulo, Jornal de Brasília, Jornal do Brasil, O Estado de São Paulo, O Globo e Valor Econômico.
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Não desejo o fim da grande mídia, mas penso que a diminuição temporária de sua receita possa provocar a simples volta ao jornalismo. De repente, ao sentirem-se fisgados pela queda brutal de suas vendas, os grandes jornais proclamem:
- Vamos fazer jornalismo então? Vamos ver onde erramos e seguir os grande sexemplos do resto do mundo? Aliás, vamos fazer mais: vamos aproveitar os ótimos profissionais que ainda temos em solo tupiniquim.
Pode ser um sonho. Quem sabe o Brasil comece a diferenciar jornalista de assessor de imprensa (como no resto do mundo) ou siga o exemplo da Europa, onde jornalista econômico não pode fazer investimentos na Bolsa (por motivos óbvios). Nos EUA o diploma não é obrigatório, mas 80% dos jornalistas contratados são formados. No Brasil tomamos o caminho contrário: entre 2001 e junho/2009, quando o diploma ainda era obrigatório, nada menos que 14 mil cidadãos conseguiram registros jornalísticos sem precisar de diploma. Estima-se que mais da metade dos jornalistas em exercício não são formados, e esta estimativa é anterior a queda do diploma. Vamos repensar o Brasil (e o mundo).

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