29/11/2009

Dia de eleição em Honduras


Hoje é dia de eleição em Honduras e é provável que o tempo possa apagar, na mente de alguns, o verdadeiro significado dos fatos. Qualquer golpe de Estado é um atentado contra a democracia, ainda que venha em nome dela. Nos últimos cinco meses, tem-se tentado legitimar, sorrateiramente, os golpistas no poder.

O golpe em Honduras transformou-se em prato cheio para as sandices de alguns veículos de comunicação. A grande mídia tupiniquim fala da "crise em Honduras". Por exemplo, a Folha de São Paulo publicou hoje:

"Caso as eleições sejam realizadas com liberdade e sem fraudes extensivas, o argumento do grupo que rejeita o resultado do pleito sem a restituição do presidente Manuel Zelaya perde força. E o Brasil, líder deste grupo e um dos principais defensores de Zelaya, se verá obrigado a ceder aos argumentos dos Estados Unidos e aceitar a votação como única solução viável à crise, de acordo com analistas ouvidos pela Folha Online".

Logo de início, é importante frisar que os analistas ouvidos pela Folha, todos, têm a mesma opinião, contrariando o manual básico do jornalismo, do qual se sabe: deve-se ouvir, no mínimo, duas posições diferentes. Mas poderiam ser três ou quatro ou mais, apenas para sairmos do habitual monologismo midiático tupiniquim. Outro argumento exibido pelo jornal:
"Se Micheletti tivesse criado a eleição após assumir o poder, seria mais fácil tachá-la de veículo de legitimização do golpe. Mas esta posição já está enfraquecida no debate diplomático, e ficará insustentável se as eleições forem idôneas" - Daniel Castelan, pesquisador do Observatório Político Sul-americano (OPSA).
Em outras palavras, se Micheletti criasse as eleições após o golpe, seria mais fácil tachar de golpe, mas como esperou alguns meses para reforçar seu oculto acordo com os EUA, tem-se agora uma espécie de legitimidade democrática. Isto parece uma nova receita, ou talvez seja a velha mesma, de se dar um golpe de Estado. Com o passar do tempo, os direitos democráticos se enfraquecem e se pode legitimar o golpe, e o principal argumento contra a posição atual do Brasil? Ora, o fortíssimo argumento do: não se pode contrariar Obama.

Falando em Obama, hoje creio mesmo que ele seja o presidente símbolo da modernidade líquida, ou hipermodernidade, como queiram. Ninguém mais volúvel que Obama, que um dia está contra o golpe e no outro já está a favor. Num dia diz que vai acabar com a guerra do Iraque e no outro diz "só em 2011", ou 2012... Bem, só para terminar, sobre a legitimação de golpes de Estado, acho que já vi isso em outros países da América do Sul, com apoio da mídia e dos norte-americanos e... Enfim, nada de novo.

Um comentário:

  1. Eu pensei que o Obama fosse fazer diferenaça nos EUA. A campanha dele, para presidente, não estava atacando as atitudes de Bush?
    Quero saber mais sobre este assunto. Depois vc me explica. Beijos

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