15/11/2009

FHC reconhece filho

Por Luis Nassif - "Sempre me recusei a divulgar essa notícia do filho de FHC, talvez por respeito a dona Ruth e ao filho não reconhecido. Acompanhei algumas vezes o drama de uma mulher forte, tendo que se preparar para programas de TV, para a eventualidade de alguém levantar essa questão.
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Mas, obviamente, tratava-se de uma questão de Estado. Um presidente da República tinha um caso semi-secreto e devia favores a uma rede de TV concessionária do Estado."
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Por Eduardo Guimarães - "Neste domingo, todo jornalista digno de ser chamado assim deve ter sentido vergonha pelo jornalismo que se faz no Brasil – ou, ao menos, nos maiores órgãos de imprensa – ao ler a coluna da jornalista Mônica Bergamo, na qual ela confessa que seu jornal e todos os outros grandes meios de comunicação de massa sonegaram ao público uma informação a que ele, na visão desses mesmos jornalistas e empresas de jornalismo, teria direito.
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A ampla exploração da vida íntima da ex-prefeita Marta Suplicy, por exemplo, contrasta com o caso de FHC devido à conduta dos que usaram e abusaram da vida dela justificando os abusos com o direito do tal do público de saber tudo sobre a vida dos políticos. No caso do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, esse jornalismo optou pelo silêncio, pela autocensura ao esconder do público o filho que ele teve fora do casamento.
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A matéria em questão, mais do que uma confissão de um órgão de imprensa, constitui delação de todos os outros veículos e jornalistas que, ao contrário do que costumam fazer com outras personalidades (inclusive políticas), acataram a ordem do poderoso político paulista de ocultar a traição que praticou contra sua esposa e o não-reconhecimento do filho, o qual cresceu sem o nome do pai e, agora, chega à maioridade.
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Além de tudo, a matéria não esclarece por que a Folha decidiu parar de atender aos "pedidos de sigilo da mãe" do filho bastardo de FHC e publicou a história, ainda que com um "pequeno" atraso de pelo menos 18 anos. Crise de consciência tardia? Quanto mais a Folha sabe sobre políticos tucanos e não divulga "a pedidos"? Esses "benefícios" de discreção midiática já se estenderam assim, de forma tão complacente, a outros políticos?
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Enquanto vocês esperam (sentados) por respostas, vão lendo a matéria abaixo. E depois chorem. Copiosamente."
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Folha de São Paulo, domingo, 15 de novembro de 2009
FHC decide reconhecer oficialmente filho que teve há 18 anos com jornalista
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MÔNICA BERGAMOCOLUNISTA DA FOLHA
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu oficializar o reconhecimento do filho que teve coma jornalista Mirian Dutra, da TV Globo.
Tomas Dutra Schmidt tem hoje 18 anos. O tucano já consultou advogados e viajou na semana passada a Madri, onde vive a jornalista, para cuidar da papelada.
A Folha falou com FHC no hotel Palace, na Espanha, onde ele estava hospedado. O ex-presidente negou a informação e não quis se alongar sobre o assunto. Disse que estava na cidade para a reunião do Clube de Madri.
Mirian também foi procurada Pela Folha, que a consultou a respeito do reconhecimento oficial de Tomas por FHC. "Quem deve falar sobre este assunto é ele e a família dele. Não sou uma pessoa pública", afirmou a jornalista.
O ex-presidente e Mirian tiveram um relacionamento amoroso na década de 90, quando ele era senador em Brasília. Fruto desse namoro, Tomas nasceu em 1991. FHC e Mirian decidiram, em comum acordo, manter a história no âmbito privado, já que o ex-presidente era casado com Ruth Cardoso, com quem teve os filhos Luciana, Paulo Henrique e Beatriz.
No ano seguinte, a jornalista decidiu sair do Brasil e pediu à TV Globo, onde trabalhava havia sete anos, para ser transferida. Foi correspondente em Lisboa. Passou por Barcelona e Londres e hoje Trabalha para a TV em Madri.
Quando FHC assumiu o ministério da Fazenda, em1993, a informação de que ele e Mirian tinham um filho passou a circular entre políticos e jornalistas.Procurados mais de uma vez, eles jamais se manifestaram publicamente.
Em 1994, quando FHC foi lançado candidato à Presidência, Mirian passou a ser assediada por boa parte da imprensa.
E radicalizou a decisão de não falar sobre o assunto para, conforme revelou a amigos, impedir que Tomas virasse personagem de matérias escandalosas ou que o assunto fosse usado politicamente para prejudicar FHC.
Naquele ano, a colunista se encontrou com ela em Lisboa e a questionou várias vezes sobre FHC. "Nem o pai do meu filho pode dizer que é pai do meu filho", disse Mirian.
Em 18 anos, o ex-presidente sempre reconheceu Tomas como filho, embora não oficialmente, e sempre colaborou com seu sustento. Nos oito anos em que ocupou a Presidência, os dois se viam uma vez por ano. Tomas chegou a visitá-lo no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República.
Depois que deixou o cargo, FHC passou a ver o filho, que na época vivia em Barcelona, com frequência. Mirian o levava para Madri, Lisboa e Paris quando o ex-presidente estava nessas cidades. No ano passado, FHC participou da formatura de Tomas no Imperial College, em Londres.
Neste ano, Tomas mudou para os EUA para estudar Relações Internacionais na George Washington University.

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