27/12/2009

Desordem choca Orla Carioca

Por Solange Castro (20/12/2009) - Fui hoje pela manhã assistir a mais uma generosa apresentação do grupo “No olho da rua”, que há 12 anos vem trazendo para as ruas do Rio de Janeiro deliciosos shows de jazz-samba (ou será samba-jazz?) gratuitos. No caminho, encontrei uma simpática banda ‘rubro-negra’, comemorando com alegria, bom humor e muita paz seu hexa-campeonato – merecido, claro, mas atrasaria a apresentação...

Resolvi ir dar uma pedalada, a câmara da bicicleta furou, tive que trocar no final do Leblon, e voltei pedalando rápido (apesar do vento leste tirar o couro) para assistir o espetáculo e, ao chegar, apenas rostos espantados e decepcionados, e Xandy dando entrevista para uma repórter da Band... O tal “choque de ordem” da Prefeitura simplesmente “proibiu” o show.

Conversei com Paulo Rego, que sempre teve cuidado em fazer tudo de acordo com os princípios da Prefeitura, e ele me disse que a autorização foi atualizada na última sexta-feira, dia 18, e que o “batalhão de choque” disse simplesmente que aquele “papel” não tinha qualquer valor...


Bem, vivemos em uma Cidade que não preza suas origens, não estimula a preservação de nossa cultura musical - onde se vê apresentações de Bossa Nova, Samba Canção, Chorinho e outras maravilhas cariocas sendo apresentadas aos turistas? Ou, ainda, qual a “Rádio” toca nossa música de raiz?


Agora, além de tudo, é proibido um trabalho voluntário, de artistas que amam o que fazem (e de excelente teor), por patrulheiros que não têm o menor treinamento (como dizer que uma autorização “legal” de uma Subprefeitura não tem valor?) e a menor capacidade de distinguir o que vem a ser “desordem” ou “cultura”. E a Secretaria Municipal de Cultura, já há um ano no “poder”, ainda não conhece seus manifestos populares? Ainda não chamou os artistas livres e “gratuitos”, que somente doam cultura ao nosso povo, para uma conversa e estender suas mãos? Ainda não disse para os contratados para fazer o batalhão de choque que artista não é bandido, nem contrabandista, nem contraventor, que está fazendo somente o que seria de responsabilidade da Secretaria Municipal de Cultura fazer/
Definitivamente, a desordem de valores chocou Ipanema.

 
Lastimável...


Para conhecer melhor o trabalho do Grupo, clique aqui e leia a entrevista com Paulo Rego, cedida dom exclusividade ao Alô Música. 


Não trabalhamos com “sensacionalismos”, como nossos usuários já sabem, mas Paulo cederá outra entrevista ainda essa semana para comentar sobre o lançamento do novo DVD, que está “MARAVILHOSO”, e, infelizmente, sobre esse degradante episódio...


(Leia outro artigo sobre o triste episódio clicando AQUI). 
(Texto reproduzido com autorização da autora, Solange Castro e publicado originalmente no sítio Alô Música)

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