09/12/2009

Educação na Finlândia e no Brasil


Acabo de ler um longo e belíssimo artigo sobre o modelo educacional da Finlândia e os motivos de seu sucesso. Escrito por Beatriz Rey*, pode ser lido na íntegra clicando AQUI. Mas quero destacar dois trechos do texto, útil para pensarmos sobre nossa posição perante a educação e ainda fazer alguns apontamentos:
"o sucesso só pode ser explicado em função de uma conjugação de fatores, e não por uma única ação. A primeira razão, diz, é que a sociedade finlandesa valoriza a educação e, portanto, tem uma atitude muito favorável à área".
Em outras palavras, não depende só de uma lei política, de um milagre. A educação no país é reflexo daquilo que pensamos sobre ela e de como a tratamos. Outro trecho é:
"Muito dessa atitude favorável à educação provém de uma cultura desconhecida em terras brasileiras. Na Finlândia, o professor é visto com respeito - profissionalismo e responsabilidade envolvem a profissão".
Apenas com estes dois trechos já é possível entender como tratamos nossa educação, que aliás tem raízes históricas. Nas três raízes formadoras do povo brasileiro, duas etnias são agrafas, a dos negros e a dos índios. Agrafo quer dizer que não tinham linguagem escrita, e talvez por isso, deu-se pouco valor para a leitura e o estudo. Isso pode ajudar a entender porque o brasileiro não se importa com a educação como um valor cultural.

Outra raiz histórica pode ser a colonização portuguesa, puramente extrativista, sendo que este extrativismo ainda hoje está presente em nossa cultura, modificado pelo tempo e acondicionado no que conhecemos como "jeitinho brasileiro". Basta o sujeito extrair tudo o que lhe for proveitoso de uma determinada situação, que nada mais lhe importará. Enfim, enquanto a educação não for um valor cultural, não haverá lei que dará conta do recado.

*A jornalista Beatriz Rey viajou a Helsinque a convite da Embaixada da Finlândia no Brasil e do Ministério das Relações Exteriores da Finlândia

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