27/12/2009

Pacificando com Sérgio Cabral


Os autos de resistência foram criados para justificar os homicídios através da suposta reação do opositor. A polícia do eixo Rio – São Paulo está entre as que mais matam no mundo. O curioso é que existem casos (e não são poucos nem raros) em que o suposto bandido é encontrado morto com tiro na nuca, nas costas, à queima roupa. Importante ressaltar que a maioria das vítimas é pobre e negra.


Tanto no estado como na capital do Rio de Janeiro, desde 1998, o uso dos autos de resistência dobraram. A média de mortos em confronto com a polícia, no governo de Sérgio Cabral, é maior do que todas as outras administrações que a precederam, com média de 3,3 mortos por dia. Seria esta a política de pacificação carioca? No mês de abril de 2008, a média foi de 4,9 mortos ao dia, batendo seu próprio e triste recorde.
“Sérgio Cabral já assumiu o governo com um discurso populista de que não iria dar trégua, nem tolerar excessos. Esse é, na verdade, um discurso que estimula a política de extermínio, e é reproduzido por toda a cúpula de Segurança Pública. A tendência de aumento do uso de autos de resistência é histórica, mas já ficava claro no início de que haveria um salto no governo Cabral” - Maurício Campos, da Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência.
Ana Paula Miranda, antropóloga, comprova a utilização mascarada de uma política de extermínio no Rio de Janeiro. Entre 2000 e 2008, a relação entre "presos em flagrante" versus "mortos pela polícia" caiu cinco vezes, ou seja, a polícia deixa de prender para matar. Desse modo, o executado não tem direito a defesa, garantido por lei, nem mesmo justificar-se, no simples caso de ser inocente.

A antropóloga também era diretora do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro, mas foi exonerada após divulgar os dados. Seria assim que Sérgio Cabral e Beltrame costumam defender suas políticas de Segurança Pública? A pergunta ainda incomoda: a polícia carioca mata mais por ser recebida com balas ou é recebida com balas por ser a que mais mata? Do total dos homicídios dolosos praticados no estado do Rio de Janeiro, a polícia fluminense é responsável por nada menos que 12%, ou seja, a cada dez pessoas assassinadas, uma é morta pela polícia do estado, sustentada por nossos impostos.

O auto de resistência foi uma criação da Ditadura Militar (e não ditabranda), que esteve no poder de 1964 até 1985. Com o passar do tempo, foi sendo utilizada cada vez mais, até se tornar a política pacificadora de Cabral, que inclui também o "descanse em paz". Manter uma política justa, prendendo e julgando os bandidos, é muito caro. Então, para não mandar criminosos para os presídios superlotados, manda-se muitos para o além-túmulo.

Nos últimos seis anos, a polícia de São Paulo e Rio de Janeiro, juntas, foram responsáveis por um número de mortos quatro vezes maior que as vítimas do World Trade Center, com uma pequena diferença: no WTC os responsáveis foram os terroristas e aqui, o Estado paulista e carioca.

(Texto escrito livremente usando os dados do artigo de Leandro Uchoas, publicado originalmente no jornal BRASIL DE FATO).

3 comentários:

  1. Não tem que tolerar mesmo nao!
    Estamos precisando mesmo de alguém com pulso firme.
    Cabral tem feito um ótimo trabalho em relação a isso.

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  2. meu caro amigo anonimo, todo mundo tem direito a ter opinião, claro... mas eu prefiro construir conhecimento baseado em fatos, além das opiniões do sou contra ou a favor... nossa sociedade merece mais que isso.

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  3. O Cabral é tão "bom" no que faz que nós vemos o resultado bombando, queimando, atirando...Boa saída, não?! Que é isso?!

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