23/12/2009

Um Rio de janeiro a janeiro

Esse post reuniu livremente algumas matérias publicadas no sítio de notícias R7 sobre a cidade do Rio de Janeiro. Os textos, resumidos, agora são apresentados como um só. O objetivo é compilar dados estatísticos do Instituto de Segurança Pública sobre a cidade maravilhosa e oferecer um panorama mais completo sobre o momento que se vive aqui. Para finalizar esse passeio panorâmico pela cidade maravilhosa, reproduzo o trecho final de um artigo de Marcelo Salles, publicado na revista Caros Amigos de dezembro, sobre violência.

A zona oeste carioca é campeã em roubos a pedestres. Na liderança, está a região que compreende os bairros de Bangu, Padre Miguel e Senador Câmara, área que ocupa o 96º lugar no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da cidade. A região (Bangu) também é o local onde mais se morre em confrontos com a polícia, e em segundo lugar aparece a região da Pavuna.

A presença das milícias fez crescer os homicídios, mas diminuiu os confrontos em favelas. O comandante do batalhão de Bangu, tenente-coronel José da Silva Macedo Júnior, relaciona os números negativos da região à grande população e repressão ao tráfico.

A área de Campo Grande, também na zona oeste, é a mais violenta e lidera em homicídios dolosos (intenção de matar), roubos a estabelecimentos comerciais, residenciais e estupros. Campo Grande é o maior bairro em extensão territorial, tem a maior população (cerca de 800 mil habitantes) e é uma das áreas mais pobres. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do bairro está na 82ª colocação entre os 126 bairros da capital.

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande, Guilherme Elsenlohr, reclama da segurança do bairro:

- O pólo comercial do bairro, no calçadão, tem muitos furtos, muitos roubos e poucas providências são tomadas. O número de policiais é baixíssimo, o número de viaturas também é abaixo da crítica. Como é o maior bairro do Rio, mais populoso e o que arrecada mais impostos, Campo Grande merecia maior atenção.

Campo Grande também está na ponta dos roubos residenciais. Foram 41 ocorrências entre janeiro e outubro. Em segundo lugar, aparece a região da Barra da Tijuca, com 36 casos. O tradicional bairro de Santa Teresa fica em quarto lugar, com 28 registros.

Os dados do Instituto de Segurança Pública apontam a região de Campo Grande liderando os roubos a estabelecimentos comerciais. Em segundo lugar, aparece a região de Brás de Pina, que reúne os bairros de Vigário Geral, Parada de Lucas e Jardim América, na zona norte. A área da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes ocupa a terceira colocação.

As estatísticas da violência carioca nos primeiros dez meses de 2009 revelam que é na região nobre da Barra da Tijuca e Recreio, onde mais se praticam seqüestros relâmpagos. A região, que conta com os bairros de Itanhangá, Grumari, Vargem Grande, Joá e Vargem Pequena, somou 16 casos de janeiro a outubro - 35% do total registrado na cidade (46 ao todo).

O seqüestro relâmpago é classificado como "extorsão com momentânea privação de liberdade" e se difere do seqüestro comum porque não tem cativeiro. Para o delegado da Barra da Tijuca, Rafael Willis, a região que possui condomínios luxuosos e grandes centros comerciais atrai criminosos.

Só a Barra da Tijuca tem os mais altos índices de desenvolvimento humano (IDH) da cidade. O IDH geral é de 0,959, o oitavo maior do município (só perdendo para bairros da zona sul), mas superior ao de toda a capital (0,842). O IDH de educação, no entanto, é o maior entre os 126 bairros do Rio, com 0,996, e o de renda chega a 1,000, o mais alto empatado com outros dez bairros da zona sul.

O presidente da Câmara Comunitária da região, Delair Drumbosck, defende segurança com planejamento:

-    Esse problema de sequestro relâmpago é cíclico. Uma hora ele cresce em Ipanema, no Leblon, no Alto da Boa Vista, na Barra da Tijuca. Vai de acordo com o policiamento empregado. Esse crime está se deslocando porque, provavelmente, na zona sul, o cerco deve estar sendo maior, mas o policiamento não pode ter cobertor curto. É preciso planejamento.

Por Marcelo Salles - Quem ouve até pensa que os vendedores varejistas de drogas ilícitas estão em posição de vantagem bélica em relação à polícia. “Não é verdade”, diz, categórico, Nilo Batista. Um dos maiores juristas do país, professor titular da UFRJ e da UERJ, fala com conhecimento da causa. Basicamente por dois motivos: participou dos governos Leonel Brizola (como Secretário de Justiça e Polícia e vice-governador, além de ter chegado a governar o Estado durante dez meses); e atualmente preside o Instituto Carioca de Criminologia, centro de pesquisa reconhecido no Brasil e no exterior.

O professor propõe reflexões que, invariavelmente, são ignoradas pela mídia hegemônica. A diferença entre as facções criminosas, por exemplo, poderia esclarecer muito. Por que as ações policiais nos últimos anos têm sido direcionadas contra as favelas controladas pelo Comando Vermelho, se Terceiro Comando (TC) e Amigos dos Amigos (ADA) praticam os mesmos ilícitos? A mobilização da polícia no dia da queda do helicóptero foi para proteger a população local ou para impedir que o Comando Vermelho retomasse dos rivais o antigo ponto de venda, que abarca todo o entorno do Maracanã e adjacências?

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