26/01/2010

Desastres naturais em 2010, 2011...


Desde a passagem de ano até agora, uma série de desastres está causando medo, comoção, solidariedade e muito mais. Seja no Haiti, em São Paulo, Rio de Janeiro ou Angra, o certo é que toda a população se sente atingida de alguma forma, seja pela presença local, seja pela avalanche de notícias na mídia. Ao mesmo tempo surgem reflexões variadas, na tentativa de entender o que acontece. É a natureza humana querendo compreender a natureza como um todo.

O fato é que, de um modo ou de outro, esses desastres poderiam ter tido menor impacto ambiental, social e humano. Se os cidadãos estrangeiros se preocupassem com o Haiti desde antes do terremoto, se tivéssemos ajudado a transformar aquele país com escolas, hospitais e condições de trabalho, o resultado seria outro. Se o menino de sete anos, Charlie Simpson, aprendesse na escola a realidade terrível de alguns países na América Central e América do Sul, e se isso fosse uma prática educacional comum em países desenvolvidos, provavelmente teríamos outras posturas dos homens adultos. 

Claro que não podemos evitar o terremoto em si, mas os haitianos poderiam ter melhores condições de vida e, no momento do desastre, melhores condições de ajuda, sem ter que depender tanto de outros países. Nesse exato momento a Guatemala, Serra Leoa e tantos outros países, sofrem tanto quanto ou mais que o Haiti, antes do terremoto. Mas para termos solidariedade humana e responsabilidade social teremos de esperar um desastre natural em cada país?


Em São Paulo, por exemplo, grande parte das notícias fala dos desastres causados pela natureza e pela má escolha de parte da população, ao morar em encostas e locais perigosos. Fingem esquecer que ninguém iria deixar uma casa no Morumbi para morar em favela por seu bel prazer. É a necessidade extrema que nos joga para essas terríveis escolhas. E mais, o corte no orçamento do lixo e tantos outros cortes da má gestão municipal e estadual também exercem influência direta sobre o caos que assistimos. Mais uma vez, o homem poderia minimizar os males alheios, mas não o faz.

No Rio de Janeiro a situação não é diferente. Na saída da estação de trem de Engenho de Dentro, por exemplo, qualquer chuva mínima causa um imenso alagamento na rua, impedindo que as pessoas consigam sair da estação sem ter água pelas canelas, no mínimo. Leptospirose é apenas um dos males que se pode adquirir na referida situação que se repete a cada chuva. Cabe ao poder público resolver esse problema, assim como cabe ao povo carioca não jogar lixo no chão, não deixar que seu cachorrinho cague na calçada, etc. Mas entra ano, sai ano, e tudo permanece igual.

Em todos esses desastres, penso que poderíamos diminuir substancialmente o número de mortos e feridos, mas infelizmente só nos interessamos pela vida, como um todo, quando ela se foi. Em verdade, parece mesmo é que nos interessamos pela morte, pela tragédia e não pela vida. A fome e a miséria no Haiti nunca nos tocou o suficiente para que tomássemos alguma atitude. Somente num terremoto, situação surpresa que pode atingir qualquer um, é que somos capazes de sermos sensibilizados. Somente em alagamentos e desabamentos, situações surpresas que atingem qualquer um, é que somos projetados e sensibilizados. No mais, passamos o tempo com o velho futebol, carnaval, novela e BBB. Nosso pouco caso para com o país e, ao mesmo tempo, nosso grande ufanismo tupiniquim, tem explicação.

"Os habitantes estão mergulhados em grande ignorância e sua conseqüência natural: o orgulho" - James Henderson (1783-1848), viajante e diplomata inglês que esteve no Brasil entre 1819 e 1821.

7 comentários:

  1. É tudo o que precisamos: refletir.

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  2. Já refletimos demais é preciso agir!!! http://pensadoresdavfilosofia.blogspot.com/ acessem.

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  3. SE FIRCAMOS SÓ NESSA “REFLETINDO”, ACABAREMOS FAZENDO NADA.

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  4. além da reflexição, é preciso agir para que nada disso aconteça.
    eh... reflitam!

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  5. Como agora em 2011 inicio de janeiro, houve uma catastrofe na cidadee aonde moro desde pequena... Teresópolis teve 13 ou mais trobas d'aguas e varios lugares da roça.... o povo ajudou a população em quanto o prefeito deixava entra doações para a cruz vermelha... e agora esses lugares estao jogados pra lá sem saber o que vai acontecer com a vida deles apartir de quando acabar com a comida que ainda tem guardada nos galpoes sedidos. Ja se passaram 23 meses eo prefeito nao fez nada para essa populção atingida... será que essa é a forma certa de mostrar para as pessoas que no mundo pode haver solidariedade ate dos nossos governantes??

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  6. não tem nada de nada

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