22/01/2010

História da Zona Norte Carioca

Craques como Zico, Ronaldinho, Romário; artistas como Noel Rosa, Araci de Almeida, Xuxa e Stênio Garcia têm traços comuns em suas biografias. O primeiro Shopping do Brasil, o Cine Imperator (considerado maior da América Latina na década de 50), a Oficina dos Trens (maior do mundo em 1926), entre outros prédios, fatos e biografias, são partes integrantes da história da Zona Norte. Alguns antigos moradores referem-se a seus bairros com ar nostálgico e assistem hoje a crescente valorização imobiliária que atinge a região.


A formação da Zona Norte compreende três importantes fases. A primeira tipicamente rural, do início do século XVII até meados do século XIX. O povoamento iniciou-se em 1613 com as Sesmarias (lotes doados pelos Reis Portugueses para o cultivo), a cidade tinha pouca expressão, pois Salvador era a capital e Pernambuco a Capitania mais importante com sua produção açucareira.

Foto: Fazenda Quitito, outrora Fazenda Engenho da Serra.
Fotografia de George Leuzinger de 1865.

No século XVIII, o Rio de Janeiro torna-se mundialmente conhecido como entreposto das riquezas vindas de Minas Gerais. A cana-de-açúcar firma-se na Zona Norte carioca, e em 1707 os jesuítas fundaram a Fazenda do Engenho Novo. Em 1759, com a expulsão dos jesuítas do país, suas antigas terras foram divididas em Engenho Velho, Engenho Novo e São Cristóvão. As terras foram devastadas para exploração, facilitando a gradativa ocupação com chácaras, sítios e capelas.

A segunda fase começa com a instalação da Estrada de Ferro Dom Pedro II (atual Estrada de Ferro Central do Brasil), em 1858, quando começa o povoamento ao redor das estações ferroviárias. “A criação da ferrovia indo da Estação D. Pedro II até Queimados, em 29 de Março de 1858, num percurso de 48,21 quilômetros, possibilitou uma expansão maior, fazendo surgir muitos bairros e zonas da cidade e arredores, incluindo a própria baixada fluminense” – conta Adinalzir Pereira, prof. de História e pesquisador do NOPH - Núcleo de Orientação e Pesquisa Histórica de Santa Cruz, editor dos sites www.historiaecia.com e www.saibahistoria.blogspot.com.

Neste período, uma família teve papel relevante na região conhecida como Grande Méier, primeiro com o Comendador Miguel João Meyer, e depois com o camarista Augusto Duque-Estrada Meyer (camarista, por ter livre acesso às Câmaras do Palácio Real), que em 1883 tornou-se proprietário de terras da região conhecida como Meyer (nome aportuguesado: Méier). A visão progressista do camarista transformou a área, perdendo aspectos antigos para ganhar feições urbanas, tendo terras loteadas e ruas saneadas. A construção da Estrada de Ferro definiu o povoamento ao norte da cidade.

Na gestão do Prefeito Pereira Passos (1903/1906), com o movimento que ficou famoso como “Bota - abaixo” (Reforma Urbanística feita para transformar o Rio numa espécie de Paris), um enorme contingente foi obrigado a sair do centro da cidade e povoar a Zona Norte, dando-lhe definitivas características urbanas com alta densidade demográfica e iniciando o que chamamos de terceira fase da formação. Nesta fase, o Méier liderava esta aceleração de crescimento, com a implantação de importantes casas de negócio, como a Casa Marques, a Casa Lopes, a Foto Quesada e as famosas confeitarias Moderna e Japão, que atraíam gente de toda a cidade.

Outros três projetos ajudaram a valorizar a região, como a construção da Basílica de Nossa Senhora das Dores, única em estilo mourisco da cidade; o prédio do Corpo de Bombeiros em 1914 e o Jardim do Méier, construído pelo prefeito Paulo de Frontin em 1919.

Curiosidades (nomes de bairros):


Engenho da Rainha – originalmente pertencia a Freguesia de Inhaúma, criada em 1743, e acolhia uma residência da Rainha Carlota Joaquina, esposa de Dom João VI, por volta de 1810, com o objetivo de ser uma casa de descanso, que acabou ajudando a formar o nome do bairro.

Engenho de Dentro – abrigou o primeiro concurso de Escolas de Samba do Rio de Janeiro, na Avenida Adolfo Bergamini, embora não fosse propriamente um desfile e muito menos nos moldes atuais.

Piedade – teve sua estação de trem inaugurada em 1873, primeiramente batizada pelo Imperador como “Estação Gambá”, devido ao grande número destes na região. Envergonhada, uma morada solicitou por carta: “Por piedade, doutor, troque o nome de nossa estaçãozinha”. O pedido foi aceito e alterado para Piedade, que foi o primeiro bairro carioca a ter energia elétrica.

Cascadura – o nome do bairro veio da dificuldade para passar a linha férrea no local, devido ao terreno muito duro (casca dura).

Quintino - o Senador Republicano Quintino Bocaiúva (1836-1912) possuía uma chácara no subúrbio da então Estação Cupertino, que teve seu nome alterado após a morte do Senador.

Madureira – na antiga Fazenda do Campinho viva um boiadeiro, Lourenço Madureira, falecido em 1851. No final do século XIX instalou-se na região uma estação, que foi batizada com o nome do antigo morador.

Encantado – o nome vem de uma lenda que fala de um charreteiro que sumiu nas águas do Rio Faria, que acabou dando o nome ao bairro.

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