21/02/2010

Beba com moderação

Sentado em minha cadeira, na Zona Norte do Rio de Janeiro, sofrendo um calor comparável ao de um deserto africano, por vezes, sinto-me mal. Além da temperatura extrema, tem o mal cheiro dos despachos na rua, cocôs de cachorro, lixo, enfim, tudo o que se pode conhecer no subúrbio carioca. Nessas horas, preciso mesmo é de "algo que me dê alegria".
Nesse quesito, poucas coisas são tão boas quanto as propagandas de cerveja, e a bebida anda mesmo na moda. Uma empresa do ramo acaba de patrocinar uma escola de carnaval. Tudo bem que a letra do samba, composta por mais de dez pessoas, ficou meio medíocre, mas valeu a pena: rendeu um segundo lugar. Polêmicas de lado, voltemos aos comerciais que me dão alegria.
Bunda, peito, praia, azaração, mulher gostosa, homens de barba mal feita: tudo ali, nas publicidades de cerveja. Chego mesmo a pensar que "aqui é o meu país". Quando fico triste com a cidade suja, cheirando mal, cheia de lixo e mal administrada, procuro assistir um comercial de cerveja, qualquer um. O efeito é imediato: sinto-me alegre por morar próximo das praias cariocas (que não frequento por conta da lotação), por ver tantas mulheres gostosas (que não me encantam, porque sou bem casado e satisfeito), pelos homens de barba mal feita (barba eu tenho) e assim por diante.
A verdade é que eu não bebo nada alcoólico, mas fico feliz, pela alegria tão bem produzida artificialmente. E o melhor mesmo fica para o final, na recomendação daquela voz, por vezes marota: "se for dirigir, não beba" ou então "beba com moderação". Acho tão bonitinho. 
Fico imaginando se as drogas fossem legalizadas no Brasil. Imagine um comercial de cocaína: "cheire com moderação" ou então "se for dirigir, não fume crack". É tão educativo, esclarecedor e eficiente, que poderíamos usar essa idéia para outros setores de mercado, como armas de fogo, por exemplo. "Atire com moderação" e pronto, bandidos seriam automaticamente educados e a medida diminuiria a violência no mundo. Não é assim que funciona? Pois bem, não é assim na vida real, nem para armas, nem para as drogas ou cervejas. Mas isso não parece impedir que continuemos nos enganando.

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