10/02/2010

Confissões livres de um 33

A idade de Cristo, como costumam dizer, já chegou para mim. "Quem aqui, como eu, tem a idade de Cristo quando morreu" - pergunta a música do Titãs, ouvida e tocada freqüentemente em minha adolescência. O tempo que me registra em números, não vai muito além deste duplo visual: 33. O significado desse acúmulo é o que busco, mas ainda não encontrei.
Quando criança, divertia-me tentando descobrir o ano de minha morte. Diversão tola, eu sei, mas acreditava ser poderosa descoberta. Meu preferido era o ano 2000, o provável fim do mundo. Se o apocalipse fosse mesmo certo, talvez eu me livrasse da condição de vítima, pois já sabia de meu fim. Compreenda, eu era um menino e o melhor que pude pensar, foi isso. Seria o fim, mas não foi. Estamos em 2010, eu e o mundo.
Agora, do alto de três décadas e três anos, não sei se tenho o pensamento tão livre quanto acredito. Muitas vezes, essa liberdade imaginada me faz lembrar daquela infantil, que sentia-se capaz de enxergar a velocidade da luz e pensava que o mundo era preto e branco e depois coloriu. Hoje, sinto-me sóbrio demais, adulto demais, visionário demais, como nunca havia sido. Seria isso maturidade ou excesso de chatice? Sóbrio, adulto, visionário: onde entra livre mente?
Existem coisas para as quais não tenho dúvidas. Comunicar (em amplo sentido) me fascina. Amo a música, poesia, literatura, jornalismo, fotografia: amo a expressão e a impressão. Tanto que a palavra vive comigo. Palavra aérea, líquida, voadora, inundada, petrificada, emocionada, todas elas. Mas não trago comigo dois metros cúbicos de concreto. Não posso com esse peso. Deveria sentir culpa? Culpa não é palavra que se admire, prefiro responsabilidade, em algum nível. Sim. Amar se comunicar pode ser apenas uma linha de fuga de quem adora se esconder ou reinventar.
Pode ser isso que encontrei na idade de Cristo, como provável significado. Algo levemente dedilhado nessa tela. O amor pela expressão, como algo latente, e certa espécie de poder que comunicar oferece. Isso, sempre amei. No mais, prefiro deixar tudo assim, inconcluso, provável, pois acredito que a vida não tenha fim. Minha singularidade, talvez, mas a vida não.

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